Moraes usa material da PF sem valor de prova contra Mendonça
Relatório de inteligência da Polícia Federal aponta possível assimetria nas decisões de Mendonça, mas ressalva que o documento é apócrifo
Caroline Vale
Os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes durante sessão plenária no STF | Antonio Augusto/STF
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), utilizou um relatório de inteligência da Polícia Federal (PF), classificado no próprio texto como um documento de trabalho interno, apócrifo e expressamente desprovido de valor probatório, para pedir ao presidente da Corte, Edson Fachin, uma investigação contra o ministro André Mendonça.
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Moraes aponta a existência de “fortes indícios” de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade atribuídos a Mendonça durante a relatoria das operações Sem Desconto e Compliance Zero.
De acordo com os registros extraídos diretamente do relatório, a peça produzida possui caráter estritamente consultivo e informativo, não podendo embasar inquéritos penais ou ações acusatórias formais.
"Este documento não imputa infração a magistrado nem a qualquer autoridade, não constitui representação e não substitui a via processual própria (...) Este é um relatório de inteligência. Não pode ser usado para subsidiar uma investigação. É um documento interno e não um trabalho de polícia judiciária", diz o documento.
O documento aponta uma possível assimetria na atuação de Mendonça em investigações envolvendo diferentes políticos.
A análise da PF compara principalmente decisões relacionadas aos senadores Weverton Rocha (PDT-MA) e Ciro Nogueira (PP-PI). Segundo o relatório, teria havido uma diferença no nível de exigência probatória adotado pelo mesmo relator em casos analisados com pouco mais de cinco meses de intervalo.
No caso de Weverton, a PF considerou mais frágeis os elementos apresentados, apontando ausência de ato de ofício, de valores rastreados até o senador e de diálogos que demonstrassem seu conhecimento sobre a origem dos recursos. Já no caso de Ciro Nogueira, a Polícia Federal avaliou que havia um conjunto mais robusto de elementos. O relatório cita a chamada “emenda Master”, elaborada por pessoas ligadas ao Banco Master e posteriormente apresentada pelo senador no Congresso.
A PF também comparou os prazos de análise de medidas envolvendo diferentes autoridades. Os intervalos variaram de nove dias, no caso de Jaques Wagner, a 75 dias, em um procedimento relacionado ao governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. Segundo o documento, a diferença “sugere correlação entre tempo de apreciação e perfil do investigado”.
Apesar das apontadas diferenças, o relatório não afirma que Mendonça tenha deliberadamente acelerado ou retardado decisões para beneficiar ou prejudicar autoridades. A análise também não comprova, por si só, que tenha havido motivação política ou atuação irregular.
Em outro trecho, a PF classifica Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado, como “provável alvo estratégico”, considerando sua influência política e o controle da pauta do Senado, inclusive sobre pedidos de impeachment de ministros do STF.
Moraes usa material da PF sem valor de prova contra MendonçaRelatório de inteligência da Polícia Federal aponta possível assimetria nas decisões de Mendonça, mas ressalva que o documento é apócrifo Brasil2026-09-04T14:57:54.384ZO ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), utilizou um relatório de inteligência da Polícia Federal (PF), classificado no próprio texto como um documento de trabalho interno, apócrifo e expressamente desprovido de valor probatório, para pedir ao presidente da Corte, Edson Fachin, uma . 📲 Receba as principais notícias do Brasil e do mundo no seu WhatsApp! e siga o canal do SBT News. Moraes aponta a existência de “fortes indícios” de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade atribuídos a Mendonça durante a relatoria das operações Sem Desconto e Compliance Zero. De acordo com os registros extraídos diretamente do relatório, a peça produzida possui caráter estritamente consultivo e informativo, não podendo embasar inquéritos penais ou ações acusatórias formais. "Este documento não imputa infração a magistrado nem a qualquer autoridade, não constitui representação e não substitui a via processual própria (...) Este é um relatório de inteligência. Não pode ser usado para subsidiar uma investigação. É um documento interno e não um trabalho de polícia judiciária", diz o documento. O documento aponta uma possível assimetria na atuação de Mendonça em investigações envolvendo diferentes políticos. A análise da PF compara principalmente decisões relacionadas aos senadores Weverton Rocha (PDT-MA) e Ciro Nogueira (PP-PI). Segundo o relatório, teria havido uma diferença no nível de exigência probatória adotado pelo mesmo relator em casos analisados com pouco mais de cinco meses de intervalo. No caso de Weverton, a PF considerou mais frágeis os elementos apresentados, apontando ausência de ato de ofício, de valores rastreados até o senador e de diálogos que demonstrassem seu conhecimento sobre a origem dos recursos. Já no caso de Ciro Nogueira, a Polícia Federal avaliou que havia um conjunto mais robusto de elementos. O relatório cita a chamada “emenda Master”, elaborada por pessoas ligadas ao Banco Master e posteriormente apresentada pelo senador no Congresso. A PF também comparou os prazos de análise de medidas envolvendo diferentes autoridades. Os intervalos variaram de nove dias, no caso de Jaques Wagner, a 75 dias, em um procedimento relacionado ao governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. Segundo o documento, a diferença “sugere correlação entre tempo de apreciação e perfil do investigado”. Apesar das apontadas diferenças, o relatório não afirma que Mendonça tenha deliberadamente acelerado ou retardado decisões para beneficiar ou prejudicar autoridades. A análise também não comprova, por si só, que tenha havido motivação política ou atuação irregular. Em outro trecho, a PF classifica Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado, como “provável alvo estratégico”, considerando sua influência política e o controle da pauta do Senado, inclusive sobre pedidos de impeachment de ministros do STF. Nesta sexta-feira (4), e trouxe todas as informações sobre o caso para o gabinete da presidência. Além disso, ele deu prazo de 5 dias para Mendonça e a Procuradoria Geral da República se manifestarem sobre procedimento aberto por Moraes. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/brasil/moraes-usa-material-da-pf-sem-valor-de-prova-contra-mendonca
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