Rússia ataca sede do Serviço de Segurança da Ucrânia
Informação foi confirmada pelo presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky; pelo menos sete pessoas se feriram

Incêndio causado por ataque russo contra complexo de oficinas mecânicas em Kiev, na Ucrânia, em 8 de agosto de 2026 Serviço de Imprensa do Serviço Estatal de Emergências da Ucrânia/Reuters
Um ataque aéreo russo realizado nesta sexta-feira (4) atingiu a sede do Serviço de Segurança da Ucrânia, no centro de Kiev. A informação foi divulgada pelo presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, em uma postagem nas redes sociais.
“Infelizmente, um drone russo atingiu o prédio central do Serviço de Segurança da Ucrânia na rua Volodymyrska, em Kiev, em frente à catedral de Santa Sofia”, escreveu. Segundo ele, o alvo do ataque era o escritório do chefe da agência, Oleksandr Poklad, que não foi atingido. Mesmo assim, pelo menos outras sete pessoas ficaram feridas.
O Serviço de Segurança é a agência de contraespionagem da Ucrânia. Ela coordena ataques com drones e sabotagem contra a infraestrutura russa, além de documentar e investigar crimes de guerra cometidos pelas forças de Moscou.
Essa sexta-feira (4) é o nono dia ininterrupto de agressões russas contra a capital ucraniana. De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), um importante depósito de suprimentos médicos humanitários mantido pela agência nos arredores de Kiev foi atingido durante a madrugada.
“O acesso ao local continua restrito devido à fumaça intensa e a questões de segurança, enquanto avaliações de possíveis danos e perdas de estoque estão em andamento. Nenhum funcionário da OMS foi afetado”, disse Christian Lindmeier, porta-voz da agência.
Essa não é a primeira vez que um prédio da OMS na Ucrânia é alvo de um ataque russo. Em agosto, um depósito localizado na cidade de Dnipro, no sul do país, foi atingido. Na ocasião, foi destruída metade dos suprimentos e equipamentos médicos destinados a apoiar cerca de 225 mil pessoas que vivem em áreas de linha de frente e de difícil acesso.
Em julho, outro depósito, também localizado nas proximidades de Kiev, foi danificado. “Os ataques fazem parte de um padrão mais amplo que afeta as operações humanitárias em todo o país. Em 2026, pelo menos 20 ataques atingiram depósitos que guardavam suprimentos humanitários, incluindo 15 ataques a locais com suprimentos humanitários relacionados à saúde”, afirmou Lindmeier
Tentativa de negociação
A agência de notícias russa Tass noticiou que os enviados especiais do presidente dos Estados Unidos, Steve Witkoff e Jared Kushner, devem visitar a Rússia e a Ucrânia neste final de semana. Questionado pela imprensa local, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, não confirmou a informação. "Não farei nenhum anúncio agora, mas informaremos vocês quando esses contatos ocorrerem", respondeu.
O presidente da Ucrânia já havia tido uma conversa por telefone com os enviados de Trump na segunda-feira (31). Naquele dia, Zelensky afirmou que eles estavam "se preparando para uma reunião e comunicação com o lado russo, bem como para uma visita à Ucrânia".
Uma fonte ouvida pela agência de notícias Reuters disse, sob condição de anonimato, que os russos não querem que Witkoff e Kushner visitem Kiev. "Estão tentando fazê-los mudar de ideia", afirmou.
Desde que receberam de Trump a missão de intermediar conversas para firmar um acordo de paz, a dupla não visitou a Ucrânia nenhuma vez. Mas os dois já viajaram juntos à Rússia em duas ocasiões, em dezembro de 2025 e janeiro de 2026.
A última rodada de negociações entre Kiev e Moscou ocorreu em fevereiro na cidade suíça de Genebra e contou com a intermediação de Washington. Na ocasião, os dois países não chegaram a um consenso. O Kremlin quer que os ucranianos cedam os territórios de todas as regiões ocupadas e se comprometam a não ingressarem na Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), a aliança militar ocidental. A Ucrânia não concorda com os termos apresentados pelos russos.















