Mais de 80% dos idosos em São Paulo já sofreram tentativas de golpes virtuais, diz pesquisa
Levantamento aponta que contas bancárias e empréstimos não autorizados são os golpes mais frequentes entre esse grupo


Naiara Ribeiro
82% das pessoas com 60 anos ou mais no estado de São Paulo já sofreram tentativas de golpes virtuais por meio de mensagens, e-mails ou ligações fraudulentas. É o que mostra um levantamento da Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados).
O percentual entre idosos é inferior ao registrado entre pessoas de 30 a 59 anos (índices superam 90%), mas mostra que mesmo quem usa menos a internet está exposto aos riscos digitais. A pesquisa foi realizada entre julho e setembro de 2025.
“A digitalização ampliou a exposição de todos os grupos etários. No caso das pessoas com 60 anos ou mais, ainda que a intensidade de uso da internet tenda a declinar, há vulnerabilidades específicas, especialmente em golpes que envolvem o uso fraudulento de dados pessoais”, afirma Irineu Barreto, analista de pesquisas da Fundação Seade.
Entre os golpes efetivamente aplicados, os mais comuns são a abertura fraudulenta de contas bancárias e a contratação de empréstimos não autorizados, que atingiu 12% das pessoas com 60 anos ou mais.
A pesquisa também aponta que 40% da população paulista já comprou um produto pela internet e descobriu que a loja ou o vendedor não existiam. Entre os idosos, o percentual é menor, de 26%, mas isso ocorre porque uma parte significativa do grupo nunca realizou compras on-line, e consequentemente tem menor exposição a fraudes desse tipo.
A percepção de insegurança é maior entre pessoas com 60 anos ou mais. Segundo o levantamento, 68% acreditam ser praticamente impossível se proteger de golpes on-line, 17 pontos percentuais acima do registrado entre jovens de 18 a 29 anos. Também é mais alta, nesse grupo, a proporção de quem se declara pouco confiante na própria capacidade de evitar fraudes digitais.
Como se proteger
Segundo o Serasa, cuidados básicos podem ser úteis para reduzir riscos e aumentar a segurança digital:
- Dobre a atenção em compras online: verifique informações de contato, CNPJ e reputação da loja em sites como Reclame Aqui e Procon. Confirme se o endereço do site começa com “https” e se há o cadeado de segurança no navegador. Evite promoções muito abaixo do mercado e guarde comprovantes de pagamento e notas fiscais.
- Use senhas fortes: evite repetir senhas em diferentes serviços, não use sequências simples ou datas de nascimento, e combine letras maiúsculas e minúsculas, números e caracteres especiais.
- Cuidado com e-mails falsos (phishing): desconfie de mensagens oferecendo prêmios ou solicitando atualização de dados. Passe o mouse sobre links para verificar o destino real antes de clicar e confirme diretamente com bancos ou órgãos públicos se necessário.
- Internet Banking e aplicativos: sempre faça logout após o uso, evite deixar senhas salvas e monitore movimentações financeiras.
- Golpes no WhatsApp: não clique em links suspeitos, não compartilhe códigos de seis dígitos e ajuste configurações de privacidade para proteger informações pessoais.
O governo federal também disponibiliza, neste link, orientações sobre segurança digital em temas como e-mail, redes sociais, QR Code, wi-fi e proteção de crianças e adolescentes, entre outros.
O que fazer se cair em um golpe
Se você identificar compras não reconhecidas ou empréstimos não autorizados:
- Contate imediatamente a instituição financeira e cancele cartões ou serviços comprometidos.
- Busque assistência especializada caso suspeite que o dispositivo eletrônico tenha sido invadido.
- Registre um Boletim de Ocorrência, que pode ser feito online ou presencialmente em qualquer delegacia.









