Justiça de SP dá 48 horas para governo Tarcísio ajustar regras das escolas cívico-militares
Tribunal aponta possível discriminação em normas sobre aparência e prevê multa de R$ 10 mil em caso de descumprimento

Antonio Souza
Agência SBT
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) determinou, nesta quinta-feira (12), que o governo do estado, liderado por Tarcísio de Freitas (Republicanos), faça ajustes no regulamento do Programa Escola Cívico-Militar no prazo de 48 horas. A decisão prevê multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento.
A medida atende a um pedido do Ministério Público de São Paulo e da Defensoria Pública, que questionaram regras consideradas ilegais e potencialmente discriminatórias.
Segundo a decisão, o regimento do programa atribui aos monitores militares funções que não estão previstas em lei e que são de responsabilidade dos Conselhos de Escola.
Além disso, o Tribunal apontou que algumas normas impõem restrições à aparência dos alunos, como regras sobre corte de cabelo, penteados e uso de acessórios.
Para a juíza Paula Narimatu de Almeida, essas exigências podem ser inconstitucionais.
“Particularmente grave é o potencial discriminatório dessas normas contra grupos minoritários”, afirmou.
A magistrada destacou que a Constituição Federal e o Estatuto da Igualdade Racial garantem o direito às manifestações culturais, incluindo elementos da identidade afro-brasileira.
O Tribunal esclareceu que a decisão não suspende o Programa Escola Cívico-Militar nem impede a atuação dos monitores militares.
O que diz o governo de São Paulo?
A Secretaria Estadual de Educação informou que ainda não foi notificada formalmente sobre a decisão judicial. Segundo a pasta, a Procuradoria-Geral do Estado vai analisar o caso para definir quais medidas serão adotadas.
O governo também afirmou que a liminar não suspende a lei que criou o programa e que as atividades seguem normalmente.








