Japão registra mais de 40 mil mortes solitárias em 6 meses; país enfrenta crise de isolamento
Fenômeno da “morte solitária” expõe envelhecimento acelerado e isolamento social no Japão

Leonardo Almeida
Envelhecimento acelerado e isolamento social agravam o fenômeno da “morte solitária” entre idosos japoneses, fenômeno conhecido como kodokushi.
Somente no primeiro semestre de 2025, mais de 40 mil pessoas que viviam sozinhas morreram dentro de casa no país. Sete em cada dez vítimas eram idosos.
O Japão tem uma das maiores expectativas de vida do mundo: 87 anos para mulheres e 81 para homens. Hoje, mais de 30% da população tem mais de 65 anos.
O que é kodokushi?
O termo descreve situações em que uma pessoa morre sozinha em casa e o corpo só é encontrado dias ou até semanas depois. O fenômeno está diretamente ligado ao envelhecimento da população e ao aumento do isolamento social.
Por que tantos idosos vivem sozinhos no Japão?
Ao longo da vida, muitos japoneses enfrentam queda na renda após a aposentadoria. Ao mesmo tempo, o alto custo de moradia e a falta de espaço dificultam que filhos acolham os pais. O resultado deste processo é o crescimento do número de idosos que vivem desacompanhados.
Para o sociólogo Angelo Ishi, há ainda um fator cultural importante. “Existe uma palavra em japonês, ‘meiwaku’, que significa causar incômodo. Muitos idosos evitam pedir ajuda para não atrapalhar os outros.”
Diante do avanço do kodokushi, o governo japonês criou, em 2021, um gabinete específico para formular políticas de combate à solidão e ao isolamento. Organizações não governamentais também atuam na prevenção.








