Prefeito de Bragança Paulista manda manifestantes calarem a boca em protesto por falta de pagamentos
Professores e vereadores da cidade foram até a prefeitura pedir esclarecimentos sobre falta de pagamentos de salários e 13°


Marcos Guedes
O prefeito de Bragança Paulista, Edmir Chedid (União Brasil), reagiu com hostilidade à manifestação de educadores que protestavam na sede da prefeitura da cidade na manhã desta quinta-feira (12). Além de mandar uma pessoa que acompanhava o ato calar a boca, também chegou a arrancar o celular das mãos de outro profissional da imprensa.
O vídeo ao qual o SBT News teve acesso mostra educadores caminhando na prefeitura para se encontrarem com Chedid. No momento em que chegam até o prefeito, uma representante, não identificada pela reportagem, diz que está querendo informações sobre o que está acontecendo.
Na sequência das imagens é possível notar que o prefeito reage de forma desproporcional e questiona se iriam gravar o ato. No mesmo momento, ele arrancou o celular das mãos de um jornalista.
Em nota, a prefeitura lamentou a forma como o diálogo se desenvolveu e disse que reforça o respeito aos profissionais da imprensa. No posicionamento, a prefeitura da cidade também informou que em momento algum a Prefeitura deixou de cumprir com os procedimentos explicados desde o início do caso (Abaixo, a nota completa).
Durante as discussões, um dos manifestantes pede calma para Chedid e ele responde "Não tenho calma". As manifestantes prosseguem dizendo que estão desempregadas e Chedid complementa: "Vai ficar desempregada".
O prefeito da cidade escolheu três professores e três vereadores para uma reunião que aconteceu a portas fechadas.
Ação na justiça e rombo de mais de R$ 22 mi
A Prefeitura de Bragança Paulista acionou a Justiça, em dezembro do ano passado, após identificar um rombo financeiro que ultrapassa os R$ 22,4 milhões.
Documentos do processo aos quais a reportagem teve acesso apontam que o dinheiro público, que deveria estar guardado para pagar direitos trabalhistas, sumiu das contas da organização social Promove, que fazia a gestão das creches do município.
O caso veio à tona quando a organização social deixou de pagar o salário de novembro de 2025 e o 13º salário de centenas de professoras, mesmo com a prefeitura alegando que teria enviado todos os repasses em dia. Uma investigação preliminar apontou que os recursos teriam sido desviados para pagar dívidas da Promove com outro município.
No dia 17 de dezembro, a 3ª Vara Cível de Bragança Paulista ordenou o bloqueio urgente das contas das organizações, para garantir o pagamento de verbas trabalhistas e evitar prejuízo aos cofres públicos.
O contrato foi rompido na sequência e agora a prefeitura abriu novos editais para contratar outras empresas em caráter de urgência.
Procurada pelo SBT News, a Organização Social Promove não se pronunciou. Caso envie resposta, o texto será atualizado.
Leia a íntegra da nota da Prefeitura
"A Prefeitura de Bragança Paulista informa que reconhece o direito constitucional de manifestação e a liberdade de imprensa, e lamenta a forma como o diálogo se desenvolveu e reforça o respeito aos profissionais da imprensa. O jornalista em questão trabalha para uma rádio que mantém posicionamento político adversário à Prefeitura.
Na manhã desta quinta-feira (12), houve uma concentração de uma pequena parte de profissionais ligados a organizações anteriormente responsáveis por serviços educacionais no município. A Administração Municipal esclarece que questões trabalhistas e contratações são de responsabilidade das entidades executoras, conforme contratos firmados e legislação vigente.
Uma comissão formada por colaboradores e vereadores foi recebida pelo Prefeito Edmir Chedid, acompanhado pela Vice-Prefeita Gislene Bueno, quando foi reiterado que em momento algum a Prefeitura deixou de cumprir com os procedimentos explicados desde o início do caso.
A Administração Municipal adotou uma série de medidas diante do encerramento dos contratos com duas entidades (Promove e ICVV) que atuavam na rede municipal de educação, após o descumprimento de obrigações contratuais. As entidades não repassaram os recursos depositados pela Prefeitura para o pagamento de seus colaboradores. (valor aproximado R$ 20 milhões)
Desde o primeiro momento, o Município priorizou a proteção dos direitos dos trabalhadores e a continuidade dos serviços, buscando respaldo jurídico e obtendo autorização judicial para efetuar diretamente o pagamento dos salários e do décimo terceiro. Durante todo o processo, também foram mantidas reuniões com os colaboradores e sindicato da categoria, para garantir transparência, diálogo e apoio na transição.
Paralelamente, a Administração Municipal deu início aos novos processos de contratação de novas entidades, por meio de chamamentos públicos e processos seletivos. As contratações estão ocorrendo em regime de mutirão, inclusive neste final de semana, com etapas concentradas para agilizar as admissões para o início das aulas no dia 19 de fevereiro."









