Investimento em crianças e adolescentes triplica em 7 anos
Porcentagem representa no entanto, apenas 5% do orçamento federal
Gabriela Belchior
Aumenta o investimento em crianças e adolescentes | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O investimento do governo federal em políticas voltadas à infância e à adolescência alcançou o maior patamar da série histórica em 2025. É o que mostra o estudo “Um Retrato da Infância e Adolescência no Brasil”, da Fundação Abrinq.
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Segundo o levantamento, o Orçamento Criança e Adolescente (OCA) atingiu R$ 247 bilhões em valores reais no ano passado, o equivalente a R$ 4.321 por criança e adolescente, cerca de R$ 12 por dia. Apesar do recorde, esses recursos representaram aproximadamente apenas 5% do Orçamento Geral da União (OGU).
Os valores não significam uma transferência individual. O cálculo considera as despesas federais destinadas direta ou indiretamente a esse público, incluindo recursos aplicados em políticas e serviços públicos.
A publicação consolida os gastos federais com crianças e adolescentes entre 2019 e 2025 e revela uma expansão expressiva no período. Em valores reais, descontada a inflação, o OCA cresceu aproximadamente 181% em sete anos, quase triplicando em relação aos R$ 88,1 bilhões registrados no início da série. No mesmo intervalo, as despesas liquidadas do OGU cresceram 86,3%, menos da metade do avanço registrado nos recursos destinados à infância e à adolescência.
O crescimento dos recursos também ampliou a participação da infância no orçamento federal. Essa fatia passou de 3,3% das despesas liquidadas da União em 2019 para 5% em 2025%.
No entanto, a trajetória dos investimentos ao longo dos sete anos não foi linear. Em 2019, o OCA somava R$ 88,1 bilhões. Com a pandemia de covid-19, o valor mais que dobrou e chegou a R$ 187,1 bilhões em 2020. No ano seguinte, recuou para R$ 120 bilhões e ficou em R$ 130,2 bilhões em 2022.
A forte expansão de 2020 ocorreu em um cenário excepcional. Com a pandemia de covid-19 e o reconhecimento da emergência sanitária, mecanismos de contenção das despesas públicas foram suspensos para permitir o financiamento das medidas de enfrentamento à crise. Naquele ano, as despesas liquidadas do próprio Orçamento Geral da União chegaram a superar a dotação inicialmente prevista.
Assim, o recorde de 2025 se diferencia do salto registrado durante a pandemia. Se em 2020 o aumento esteve ligado a uma situação emergencial, nos últimos três anos da série os gastos cresceram de forma consecutiva, levando o OCA a um patamar superior ao observado antes da crise sanitária.
Entre 2019 e 2025, quatro áreas concentram quase todo o orçamento, respondendo por 98,8% das despesas classificadas.
A assistência social teve a maior participação, com 32,6% do total na média do período. Em seguida aparecem a educação básica, com 24%; a saúde, com 21,6%; e a administração das unidades orçamentárias, com 20,6%.
O valor reúne políticas de naturezas distintas e inclui tanto despesas exclusivamente destinadas às crianças e aos adolescentes quanto parcelas de políticas mais amplas que beneficiam esse público.
O superintendente da Fundação Abrinq, Victor Graça, explica que o aumento dos investimentos é positivo, mas que o grande desafio é transformar esse esforço em uma prioridade permanente.
“Mais do que ampliar os recursos destinados à infância e à adolescência, é fundamental assegurar uma gestão eficiente desses investimentos, para que produzam resultados concretos na vida de crianças e adolescentes”, afirma Victor.
Investimento em crianças e adolescentes triplica em 7 anosPorcentagem representa no entanto, apenas 5% do orçamento federal
Brasil2026-08-19T14:07:43.580ZO investimento do governo federal em políticas voltadas à infância e à adolescência alcançou o maior patamar da série histórica em 2025. É o que mostra o estudo “Um Retrato da Infância e Adolescência no Brasil”, da Fundação Abrinq. Segundo o levantamento, o Orçamento Criança e Adolescente (OCA) atingiu R$ 247 bilhões em valores reais no ano passado, o equivalente a R$ 4.321 por criança e adolescente, cerca de R$ 12 por dia. Apesar do recorde, esses recursos representaram aproximadamente apenas 5% do Orçamento Geral da União (OGU). Os valores não significam uma transferência individual. O cálculo considera as despesas federais destinadas direta ou indiretamente a esse público, incluindo recursos aplicados em políticas e serviços públicos. A publicação consolida os gastos federais com crianças e adolescentes entre 2019 e 2025 e revela uma expansão expressiva no período. Em valores reais, descontada a inflação, o OCA cresceu aproximadamente 181% em sete anos, quase triplicando em relação aos R$ 88,1 bilhões registrados no início da série. No mesmo intervalo, as despesas liquidadas do OGU cresceram 86,3%, menos da metade do avanço registrado nos recursos destinados à infância e à adolescência. O crescimento dos recursos também ampliou a participação da infância no orçamento federal. Essa fatia passou de 3,3% das despesas liquidadas da União em 2019 para 5% em 2025%. No entanto, a trajetória dos investimentos ao longo dos sete anos não foi linear. Em 2019, o OCA somava R$ 88,1 bilhões. Com a pandemia de covid-19, o valor mais que dobrou e chegou a R$ 187,1 bilhões em 2020. No ano seguinte, recuou para R$ 120 bilhões e ficou em R$ 130,2 bilhões em 2022. A forte expansão de 2020 ocorreu em um cenário excepcional. Com a pandemia de covid-19 e o reconhecimento da emergência sanitária, mecanismos de contenção das despesas públicas foram suspensos para permitir o financiamento das medidas de enfrentamento à crise. Naquele ano, as despesas liquidadas do próprio Orçamento Geral da União chegaram a superar a dotação inicialmente prevista. Assim, o recorde de 2025 se diferencia do salto registrado durante a pandemia. Se em 2020 o aumento esteve ligado a uma situação emergencial, nos últimos três anos da série os gastos cresceram de forma consecutiva, levando o OCA a um patamar superior ao observado antes da crise sanitária. Entre 2019 e 2025, quatro áreas concentram quase todo o orçamento, respondendo por 98,8% das despesas classificadas. A assistência social teve a maior participação, com 32,6% do total na média do período. Em seguida aparecem a educação básica, com 24%; a saúde, com 21,6%; e a administração das unidades orçamentárias, com 20,6%. O valor reúne políticas de naturezas distintas e inclui tanto despesas exclusivamente destinadas às crianças e aos adolescentes quanto parcelas de políticas mais amplas que beneficiam esse público. O superintendente da Fundação Abrinq, Victor Graça, explica que o aumento dos investimentos é positivo, mas que o grande desafio é transformar esse esforço em uma prioridade permanente. “Mais do que ampliar os recursos destinados à infância e à adolescência, é fundamental assegurar uma gestão eficiente desses investimentos, para que produzam resultados concretos na vida de crianças e adolescentes”, afirma Victor. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/brasil/investimento-em-criancas-e-adolescentes-triplica-em-7-anos
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