Julgamento da Meta entra no segundo dia nos Estados Unidos
Procuradores de 29 estados norte-americanos acusam a empresa de viciar crianças e adolescentes para aumentar lucros
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André de Sena, com informações da Reuters
Logotipo da Meta no Meta Lab, em Los Angeles, Califórnia, EUA. | Daniel Cole/Reuters
O julgamento da Meta, empresa dona das redes sociais Instagram e Facebook, entrou no segundo dia nesta quarta-feira (19) nos Estados Unidos. Um grupo de 29 estados norte-americanos acusa a companhia de tentar viciar crianças e adolescentes em suas plataformas com o objetivo de aumentar o lucro.
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A ação judicial teve início em 2023. Ela partiu de uma investigação em 2021, após uma ex-funcionária da Meta chamada Frances Haugen, que trabalhava como gerente de produto, depor em uma comissão no Senado dos Estados Unidos. Na ocasião, ela disse que a empresa sabia que seus produtos poderiam prejudicar jovens usuários, mas se recusou a fazer mudanças para torná-los mais seguros, pois temia que isso fosse diminuir os lucros.
Os 29 estados também afirmam que a Meta coletou e usou indevidamente dados pessoais de crianças, o que teria violado a lei federal dos Estados Unidos. Os procuradores-gerais de Colorado, Kentucky, Califórnia e Nova Jersey também pedem que a companhia seja obrigada a promover mudanças em suas plataformas, como implementar restrições de idade e eliminar a rolagem infinita.
Manifestantes seguram imagens de crianças e jovens que teriam sofrido por redes sociais durante julgamento da Meta nos EUA. | Manuel Orbegozo/Reuters
O julgamento ocorre em um tribunal federal na cidade de Oakland, na Califórnia. A juíza responsável é Yvonne Gonzalez Rogers, que já possui experiência em outros processos envolvendo empresas de tecnologia. A magistrada tem apoio de um júri consultivo formado por oito pessoas.
Depoimentos
Na terça-feira (19), que marcou o primeiro dia de julgamento, um grupo crítico à conduta da Meta se reuniu do lado de fora da corte para protestar. Entre eles estava Mary Rodee. Ela alega que seu filho Riley Basford, de 15 anos, cometeu suicídio em 2021 após ser vítima de um predador no Facebook. "Eles chamam isso de suicídio espontâneo”, disse ela. “Eu chamo do que realmente foi: o resultado previsível de um sistema que protege as corporações em vez das crianças.”
Também na terça, a procuradora-geral adjunta da Califórnia, Megan O’Neill, se manifestou. Segundo ela, o modelo de negócios da Meta consiste em “viciar os usuários, mantê-los no aplicativo pelo maior tempo possível, coletar seus dados e, então, ocultar a verdade do público”.
A proprietária do Instagram e do Facebook alega que as acusações são falsas. No primeiro dia de julgamento, o advogado da empresa, Paul Schmidt, sustentou que pesquisas não mostraram uma ligação clara entre o uso de redes sociais por adolescentes e a falta de bem-estar. Ele também disse que Mark Zuckerberg, cofundador e CEO da Meta, compartilhava do desejo da companhia de aprimorar seus serviços e não torná-los perigosos.
A primeira testemunha dos estados foi o ex-engenheiro de segurança da Meta, Arturo Bejar, que já havia prestado depoimento contra a empresa em outros quatro julgamentos. Ele afirmou que "a segurança não foi levada em consideração" na forma que muitos produtos da companhia, como os vídeos curtos do Reels, foram implementados.
A previsão é de que o julgamento dure seis semanas. Espera-se que o próprio Zuckerberg deponha. A Meta afirma que, caso venha a ser considerada culpada, as multas podem chegar a US$1,4 trilhão, montante que se aproxima do valor de mercado da empresa. Já os procuradores falam em uma quantia de US$ 200 bilhões, que equivale a cerca de três anos de lucro da empresa.
Julgamento da Meta entra no segundo dia nos Estados UnidosProcuradores de 29 estados norte-americanos acusam a empresa de viciar crianças e adolescentes para aumentar lucrosMundo2026-08-19T13:59:43.146ZO julgamento da Meta, empresa dona das redes sociais Instagram e Facebook, entrou no segundo dia nesta quarta-feira (19) nos Estados Unidos. Um grupo de 29 estados norte-americanos acusa a companhia de tentar viciar crianças e adolescentes em suas plataformas com o objetivo de aumentar o lucro. A ação judicial teve início em 2023. Ela partiu de uma investigação em 2021, após uma ex-funcionária da Meta chamada Frances Haugen, que trabalhava como gerente de produto, depor em uma comissão no Senado dos Estados Unidos. Na ocasião, ela disse que a empresa sabia que seus produtos poderiam prejudicar jovens usuários, mas se recusou a fazer mudanças para torná-los mais seguros, pois temia que isso fosse diminuir os lucros. Os 29 estados também afirmam que a Meta coletou e usou indevidamente dados pessoais de crianças, o que teria violado a lei federal dos Estados Unidos. Os procuradores-gerais de Colorado, Kentucky, Califórnia e Nova Jersey também pedem que a companhia seja obrigada a promover mudanças em suas plataformas, como implementar restrições de idade e eliminar a rolagem infinita. O julgamento ocorre em um tribunal federal na cidade de Oakland, na Califórnia. A juíza responsável é Yvonne Gonzalez Rogers, que já possui experiência em outros processos envolvendo empresas de tecnologia. A magistrada tem apoio de um júri consultivo formado por oito pessoas. Depoimentos Na terça-feira (19), que marcou o primeiro dia de julgamento, um grupo crítico à conduta da Meta se reuniu do lado de fora da corte para protestar. Entre eles estava Mary Rodee. Ela alega que seu filho Riley Basford, de 15 anos, cometeu suicídio em 2021 após ser vítima de um predador no Facebook. "Eles chamam isso de suicídio espontâneo”, disse ela. “Eu chamo do que realmente foi: o resultado previsível de um sistema que protege as corporações em vez das crianças.” Também na terça, a procuradora-geral adjunta da Califórnia, Megan O’Neill, se manifestou. Segundo ela, o modelo de negócios da Meta consiste em “viciar os usuários, mantê-los no aplicativo pelo maior tempo possível, coletar seus dados e, então, ocultar a verdade do público”. A proprietária do Instagram e do Facebook alega que as acusações são falsas. No primeiro dia de julgamento, o advogado da empresa, Paul Schmidt, sustentou que pesquisas não mostraram uma ligação clara entre o uso de redes sociais por adolescentes e a falta de bem-estar. Ele também disse que Mark Zuckerberg, cofundador e CEO da Meta, compartilhava do desejo da companhia de aprimorar seus serviços e não torná-los perigosos. A primeira testemunha dos estados foi o ex-engenheiro de segurança da Meta, Arturo Bejar, que já havia prestado depoimento contra a empresa em outros quatro julgamentos. Ele afirmou que "a segurança não foi levada em consideração" na forma que muitos produtos da companhia, como os vídeos curtos do Reels, foram implementados. Punição pesada A previsão é de que o julgamento dure seis semanas. Espera-se que o próprio Zuckerberg deponha. A Meta afirma que, caso venha a ser considerada culpada, as multas podem chegar a US$1,4 trilhão, montante que se aproxima do valor de mercado da empresa. Já os procuradores falam em uma quantia de US$ 200 bilhões, que equivale a cerca de três anos de lucro da empresa. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/julgamento-da-meta-entra-no-segundo-dia-nos-estados-unidos
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