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Fintechs são alvo de operação em desdobramento da delação de Gritzbach

Agentes da Polícia Federal e do GAECO prenderam o policial civil afastado Cyllas Salerno Elia Júnior, que é um dos sócios de uma empresa investigada

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Robinson Cerantula, Fabíola Corrêa, Derick Toda
25/02/2025, 10:53 • Atualizado em 26/02/2025, 01:04
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Policial civil Cyllas Salerno Elia Junior é alvo de mandado de prisão preventiva | Reprodução/Redes Sociais

Policial civil Cyllas Salerno Elia Junior é alvo de mandado de prisão preventiva | Reprodução/Redes Sociais

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A Polícia Federal e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), do Ministério Público de São Paulo (MPSP), realizam uma operação nesta terça-feira (25) contra duas fintechs – empresas de tecnologia no mercado financeiro – suspeitas de lavagem de dinheiro para a facção paulista Primeiro Comando da Capital (PCC).

São alvos da operação as fintechs 2GO Instituição de Pagamentos, que tem como um dos sócios o policial civil afastado Cyllas Salerno Elia Júnior, e a InvBank Soluções Financeiras. Somente a 2GO teria lavado cerca de R$ 6 bilhões, movimentando dinheiro em ao menos 15 países, incluindo o Brasil, segundo o MPSP.

Nesta ação, a polícia prendeu Cyllas e cumpriu dez mandados de busca e apreensão em endereços de São Paulo, Santo André e São Bernardo, no ABC Paulista. Os empreendimentos foram denunciados por Vinícius Gritzbach, que também lavava dinheiro para a facção, na delação ao MPSP, que desencadeou essa operação.

Além disso, foi determinado o bloqueio e sequestro de bens dos investigados, além da suspensão imediata das atividades das empresas.

O delator, assassinado em novembro do ano passado no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, lavava bens do PCC como corretor de imóveis e com operações digitais.

De acordo com a investigação, as fintechs facilitavam a lavagem de dinheiro intermediando a comercialização de imóveis e os depósitos para "laranjas".

“A gente não pode, sob o argumento de facilitar a vida do cidadão, enfraquecer os meios de controle e regulamentação”, afirmou o promotor Lincoln Gakiya.

Outro ponto que chamou a atenção dos agentes foi o fato de um policial civil, com salário de cerca de R$ 10 mil, ser dono de uma fintech milionária. Para os promotores, esse detalhe reforça a tese de que o crime organizado já conseguiu se infiltrar em setores estratégicos.

Antônio Vinicius Gritzbach foi morto quando deixava o Aeroporto Internacional de São Paulo | Reprodução/Redes sociais
Antônio Vinicius Gritzbach foi morto quando deixava o Aeroporto Internacional de São Paulo | Reprodução/Redes sociais

Cyllas Elia Júnior já havia sido preso no ano passado em outra operação da PF, em Campinas, por envolvimento com criminosos chineses. Ele estava afastado da Polícia Civil desde dezembro de 2022, mas havia conseguido um habeas corpus no final de 2024.

Nessa segunda-feira (24), o SBT News mostrou que a Polícia Federal (PF) investiga policiais civis que investiram na fintech 2 Go Bank, de propriedade de Cyllas Elia. Na ocasião, ele foi procurado e preferiu não se manifestar. O SBT tenta contato novamente com a defesa de Cyllas Elia.

Já a Invbank Soluções teria como cotistas os integrantes do PCC Anselmo Santa Fausta e, conhecido como "Cara Preta", e Rafael Maeda, conhecido como "Japa".

O delator chegou a ser preso como mandante do assassinato de Cara Preta, morto em uma emboscada em 2021, junto com seu motorista Antônio Corona Neto, o "Sem Sangue", após ser acusado de dar um golpe milionário em Cara Preta.

Já o Japa, a polícia suspeita que ele tenha sido obrigado a cometer suicídio por membros da facção, sendo responsável pela coordenação de ações criminosas, como tráfico de drogas e articulações dentro e fora dos presídios.

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