Brasil registra menor nível de emissões de gases do efeito estufa em 16 anos; patamar é insuficiente para atingir meta
Relatório do Observatório do Clima mostra que queda de 16,7% não será suficiente para alcançar meta climática prevista no Acordo de Paris
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Murillo Otavio
03/11/2025, 15:55 • Atualizado em 03/11/2025, 15:55
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Área da Amazônia desmatada | Divulgação/Polícia Federal/Agência Brasil
O Brasil emitiu 2,14 bilhões de toneladas de gases de efeito estufa (GtCO₂e) em 2024, uma redução de 16,7% em relação a 2023, o maior recuo em 16 anos.
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Os dados são da 13ª edição do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), divulgada nesta segunda-feira (3) pelo Observatório do Clima,uma semana antes do início da COP30, que será realizada em Belém (PA).
A queda é atribuída principalmente à desaceleração do desmatamento na Amazônia, que registrou o terceiro menor índice da história. Foram 5.796 km² desmatados entre agosto de 2024 e julho de 2025.
As emissões do bioma caíram 33%, de 889 para 525 MtCO₂e. No Cerrado, a redução foi de 41%, com 207 MtCO₂e emitidos, resultado de ações de controle e fiscalização que levaram o bioma ao menor índice de desmate em cinco anos.
Descontadas as remoções de carbono pela vegetação, o desmatamento emitiu 249 MtCO₂e em 2024, o menor volume já registrado e 64% inferior ao de 2023.
As emissões líquidas, que consideram a absorção de carbono por florestas e áreas protegidas, caíram 22%, totalizando 1,489 GtCO₂e.
Mesmo com a melhora, o país ainda não deve atingir sua meta climática para 2025. O compromisso firmado noAcordo de Parisprevê o limite de 1,32 GtCO₂e de emissões líquidas, mas o SEEG projeta que o Brasil emitirá cerca de 1,44 GtCO₂e até o fim de 2024, número 9% acima do objetivo.
O relatório também mostra que o Brasil permanece entre os maiores emissores globais. Apenas o desmatamento no país libera mais carbono que a Arábia Saudita (793 MtCO₂e) e o Canadá (760 MtCO₂e), dois dos principais produtores de petróleo do mundo.
Já outros setores apresentaram estabilidade ou alta: queda de 0,7% na agropecuária, aumento de 0,8% na energia, 2,8% nos processos industriais e 3,6% nos resíduos.
A agropecuária emitiu 626 MtCO₂e em 2024, com destaque para a fermentação entérica do gado, responsável por 404 MtCO₂e, ou 29% das emissões nacionais.
O setor de energia ficou em terceiro lugar, respondendo por 20% do total, com 424 MtCO₂e, alta de 0,8% em relação a 2023.
Já as emissões por resíduos, que incluem lixo e esgoto, atingiram recorde de 96 MtCO₂e, impulsionadas pela atualização populacional feita pelo IBGE.
Apesar dos avanços no combate ao desmatamento, o relatório alerta que o Brasil ainda precisa ampliar políticas de descarbonização em outros setores para cumprir as metas climáticas assumidas internacionalmente.
Brasil registra menor nível de emissões de gases do efeito estufa em 16 anos; patamar é insuficiente para atingir metaRelatório do Observatório do Clima mostra que queda de 16,7% não será suficiente para alcançar meta climática prevista no Acordo de ParisBrasil2025-11-03T15:55:33.116ZO Brasil emitiu 2,14 bilhões de toneladas de gases de efeito estufa (GtCO₂e) em 2024, uma redução de 16,7% em relação a 2023, o maior recuo em 16 anos. Os dados são da 13ª edição do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), divulgada nesta segunda-feira (3) pelo Observatório do Clima, uma semana antes do início da COP30, que será realizada em Belém (PA). A queda é atribuída principalmente à desaceleração do desmatamento na Amazônia, que registrou o terceiro menor índice da história. Foram 5.796 km² desmatados entre agosto de 2024 e julho de 2025. As emissões do bioma caíram 33%, de 889 para 525 MtCO₂e. No Cerrado, a redução foi de 41%, com 207 MtCO₂e emitidos, resultado de ações de controle e fiscalização que levaram o bioma ao menor índice de desmate em cinco anos. Descontadas as remoções de carbono pela vegetação, o desmatamento emitiu 249 MtCO₂e em 2024, o menor volume já registrado e 64% inferior ao de 2023. As emissões líquidas, que consideram a absorção de carbono por florestas e áreas protegidas, caíram 22%, totalizando 1,489 GtCO₂e. Mesmo com a melhora, o país ainda não deve atingir sua meta climática para 2025. O compromisso firmado noprevê o limite de 1,32 GtCO₂e de emissões líquidas, mas o SEEG projeta que o Brasil emitirá cerca de 1,44 GtCO₂e até o fim de 2024, número 9% acima do objetivo. Outros dados O relatório também mostra que o Brasil permanece entre os maiores emissores globais. Apenas o desmatamento no país libera mais carbono que a Arábia Saudita (793 MtCO₂e) e o Canadá (760 MtCO₂e), dois dos principais produtores de petróleo do mundo. Já outros setores apresentaram estabilidade ou alta: queda de 0,7% na agropecuária, aumento de 0,8% na energia, 2,8% nos processos industriais e 3,6% nos resíduos. A agropecuária emitiu 626 MtCO₂e em 2024, com destaque para a fermentação entérica do gado, responsável por 404 MtCO₂e, ou 29% das emissões nacionais. O setor de energia ficou em terceiro lugar, respondendo por 20% do total, com 424 MtCO₂e, alta de 0,8% em relação a 2023. Já as emissões por resíduos, que incluem lixo e esgoto, atingiram recorde de 96 MtCO₂e, impulsionadas pela atualização populacional feita pelo IBGE. Apesar dos avanços no combate ao desmatamento, o relatório alerta que o Brasil ainda precisa ampliar políticas de descarbonização em outros setores para cumprir as metas climáticas assumidas internacionalmente.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/brasil/brasil-registra-menor-nivel-de-emissoes-de-gases-do-efeito-estufa-em-16-anos-mas-patamar-e-insuficiente-para-atingir-meta-climatica