Amorim: pretexto para intervenção dos EUA é "inaceitável"
Antes de os EUA anunciarem classificação de PCC e CV como organizações terroristas, assessor de Lula disse que equiparar facções a terroristas “não ajuda”




Celso Amorim e o presidente Lula | Fábio Rodrigues-Pozzebon/Agência Brasil
O assessor-chefe da Presidência da República, Celso Amorim, afirmou nesta quinta-feira (28) que "cooperação internacional é bem-vinda", mas que qualquer "pretexto para intervenção, é inaceitável". A declaração ocorre após os Estados Unidos anunciarem a classificação das facções brasileiras PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas.
"Segurança pública é um tema fundamental para o desenvolvimento socio-econômico. Cooperação internacional é bem-vinda, especialmente em temas como lavagem de dinheiro e contrabando de armas. Pretexto para intervenção, é inaceitável", afirmou o assessor.
Antes do anúncio dos EUA, Amorim abordou o mesmo assunto durante um discursou no XIV Encontro Internacional de Altos Funcionários Responsáveis por Assuntos de Segurança, a convite do secretário do Conselho de Segurança da Rússia, Sergei Shoigu. No evento, ele disse que o "crime organizado deve ser combatido com a máxima energia e determinação”, mas declarou que “equiparar crime organizado ao terrorismo, contudo, não ajuda”.
Ao tratar da atuação de facções criminosas, o assessor do presidente Lula afirmou que “o governo brasileiro liderado pelo presidente Lula está agindo de forma decisiva para desmantelar redes criminosas, inclusive aumentando penas legais e trabalhando em estreita colaboração com autoridades locais para reforçar suas capacidades”.
Na sequência, Amorim reforçou que o combate às organizações criminosas deve ocorrer de maneira firme, mas fez ressalvas sobre a classificação dessas facções como grupos terroristas. “O crime organizado deve ser combatido com a máxima energia e determinação. Equiparar crime organizado ao terrorismo, contudo, não ajuda. Compreender as motivações é essencial para a eficácia do combate a todos os tipos de crime", afirmou.
"O governo brasileiro continuará investindo na segurança e no bem-estar de seu povo. No entanto, não podemos ignorar as ameaças de viver em um mundo sem regras, no qual prevalece o unilateralismo”, declarou.
Ainda no encontro, Amorim defendeu a cooperação internacional no combate às ameaças globais e afirmou que o mundo multipolar “não deve ser um mundo de esferas de influência”. Segundo ele, os países soberanos devem ter o direito de “diversificar parcerias, defender interesses nacionais e buscar o desenvolvimento sustentável”.
EUA decidem classificar PCC e CV como organizações terroristas
Horas depois do discurso, o Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou que vai classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A medida passa a valer em 5 de junho de 2026.
Em comunicado, o governo norte-americano afirmou que as duas facções estão entre “as organizações criminosas mais violentas do Brasil” e acusou os grupos de comandarem ataques contra policiais, agentes públicos e civis.
“Hoje, o Departamento de Estado dos EUA está designando o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGTs) e pretende designar ambos os grupos como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs), com vigência a partir de 5 de junho de 2026”, informou o órgão.














