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Um menino e uma menina negros estavam na fila de uma lanchonete com uma amiga branca quando a segurança abordou a criança branca perguntando se os dois estavam incomodando. Os três estudam na mesma classe na escola, com mensalidades em torno de R$ 4 mil.
Os participantes caminharam da escola até o shopping com cartazes contra o racismo e palavras de ordem. A marcha foi autorizada e acompanhada pela polícia. Já dentro do shopping, um manifesto foi lido por um professor do colégio. "Eles estão te incomodando? Estão pedindo alguma coisa? Essa pergunta não é ingênua. É racismo estrutural", diz o texto. "Exigimos ações contra o racismo estrutural."
Ao SBT News, uma das docentes do colégio, que preferiu não se identificar, disse que o caso não é isolado. "Cada ato racista deixa marcas profundas, feridas abertas", afirmou.
Comunidade de escola privada exibiu cartazes contra racismo nas ruas de Higienópolis. | Marcela Guimarães/SBT
Algumas lojas baixaram as portas durante o protesto, que foi pacífico e ocupou o átrio central do shopping.
"Fiz um cartaz na escola e colei lá no muro, porque racismo não pode mais. É horrível isso, a gente tem que se manifestar", diz Julia, aluna do 5º ano do ensino fundamental.
"A gente está aqui porque a segurança do shopping foi racista. Achou que um menino negro estava pedindo dinheiro para uma menina branca. E isso não pode acontecer. Racismo é crime. E as pessoas pretas têm o direito de frequentar os mesmos lugares que as pessoas brancas", afirma Helena, de 10 anos.
O Shopping Pátio Higienópolis, em nota nesta quarta-feira (23), disse que a manifestação foi encerrada e ocorreu de forma pacífica. "Reforçamos nosso compromisso com o respeito ao direito à livre expressão, dentro dos limites do regulamento do empreendimento", afirmou o comunicado.
Racismo no shopping
A abordagem da segurança aos estudantes, na quarta-feira (16), gerou revolta na comunidade escolar. A família de uma das vítimas, uma menina de 12 anos, registrou boletim de ocorrência sobre o caso. Ao menos três professores estavam no shopping no momento da abordagem e acolheram os alunos. A coordenação do colégio registrou uma queixa formal ao shopping.
Como o colégio fica perto do shopping, é comum que os estudantes almocem lá antes das aulas. "Quando cheguei na escola, a galera do Equipreta – coletivo antirracista da escola – e meus colegas já estavam compartilhando a história, bem chateados", conta FLI, de 12 anos, colega de classe das vítimas. "A minha amiga que é branca contou que uma segurança do shopping, também branca, perguntou se ela queria que retirasse o garoto negro do shopping, se ele estava pedindo dinheiro. Isso é um absurdo. Fiquei muito revoltado."
Por coincidência, os três alunos tinham participado mais cedo de uma aula sobre letramento racial – que visa a entender e combater o racismo. A escola e a ocupação Mauá, onde vive um dos alunos negros, bolsista na escola, organizam um protesto contra a abordagem discriminatória da segurança.
Alunos, pais e professores ocuparam a frente do shopping Pátio Higienópolis em protesto contra o racismo. | Marcela Guimarães/SBT
Em nota, o Shopping Pátio Higienópolis "lamenta pelo ocorrido" e diz que está em contato com a família. "O comportamento adotado não reflete os valores do shopping e o tema está sendo tratado com máxima seriedade", afirma o comunicado. "O empreendimento possui frequente grade de treinamentos e letramento, que será ainda mais reforçada para reiterar nosso compromisso inegociável com a construção de um espaço verdadeiramente seguro e acolhedor para todas as pessoas."
Alunos, pais e professores protestam contra racismo em shopping de São PauloManifestantes usaram palavras de ordem e cartazes em ato contra atitude discriminatória de segurança do Pátio HigienópolisBrasil2025-04-23T17:39:56.900ZCentenas de estudantes, pais e professores do colégio Equipe compareceram nesta quarta-feira (23) ao protesto contra o caso de racismo no shopping Pátio Higienópolis. Na última quarta-feira (16), de uma funcionária do estabelecimento. Um menino e uma menina negros estavam na fila de uma lanchonete com uma amiga branca quando a segurança abordou a criança branca perguntando se os dois estavam incomodando. Os três estudam na mesma classe na escola, com mensalidades em torno de R$ 4 mil. Os participantes caminharam da escola até o shopping com cartazes contra o racismo e palavras de ordem. A marcha foi autorizada e acompanhada pela polícia. Já dentro do shopping, um manifesto foi lido por um professor do colégio. "Eles estão te incomodando? Estão pedindo alguma coisa? Essa pergunta não é ingênua. É racismo estrutural", diz o texto. "Exigimos ações contra o racismo estrutural." Ao SBT News, uma das docentes do colégio, que preferiu não se identificar, disse que o caso não é isolado. "Cada ato racista deixa marcas profundas, feridas abertas", afirmou. Algumas lojas baixaram as portas durante o protesto, que foi pacífico e ocupou o átrio central do shopping. "Fiz um cartaz na escola e colei lá no muro, porque racismo não pode mais. É horrível isso, a gente tem que se manifestar", diz Julia, aluna do 5º ano do ensino fundamental. "A gente está aqui porque a segurança do shopping foi racista. Achou que um menino negro estava pedindo dinheiro para uma menina branca. E isso não pode acontecer. Racismo é crime. E as pessoas pretas têm o direito de frequentar os mesmos lugares que as pessoas brancas", afirma Helena, de 10 anos. O Shopping Pátio Higienópolis, em nota nesta quarta-feira (23), disse que a manifestação foi encerrada e ocorreu de forma pacífica. "Reforçamos nosso compromisso com o respeito ao direito à livre expressão, dentro dos limites do regulamento do empreendimento", afirmou o comunicado. Racismo no shopping A abordagem da segurança aos estudantes, na quarta-feira (16), gerou revolta na comunidade escolar. A família de uma das vítimas, uma menina de 12 anos, registrou boletim de ocorrência sobre o caso. Ao menos três professores estavam no shopping no momento da abordagem e acolheram os alunos. A coordenação do colégio registrou uma queixa formal ao shopping. Como o colégio fica perto do shopping, é comum que os estudantes almocem lá antes das aulas. "Quando cheguei na escola, a galera do Equipreta – coletivo antirracista da escola – e meus colegas já estavam compartilhando a história, bem chateados", conta FLI, de 12 anos, colega de classe das vítimas. "A minha amiga que é branca contou que uma segurança do shopping, também branca, perguntou se ela queria que retirasse o garoto negro do shopping, se ele estava pedindo dinheiro. Isso é um absurdo. Fiquei muito revoltado." Por coincidência, os três alunos tinham participado mais cedo de uma aula sobre letramento racial – que visa a entender e combater o racismo. A escola e a ocupação Mauá, onde vive um dos alunos negros, bolsista na escola, organizam um protesto contra a abordagem discriminatória da segurança. Em nota, o Shopping Pátio Higienópolis "lamenta pelo ocorrido" e diz que está em contato com a família. "O comportamento adotado não reflete os valores do shopping e o tema está sendo tratado com máxima seriedade", afirma o comunicado. "O empreendimento possui frequente grade de treinamentos e letramento, que será ainda mais reforçada para reiterar nosso compromisso inegociável com a construção de um espaço verdadeiramente seguro e acolhedor para todas as pessoas." São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/brasil/alunos-pais-e-professores-protestam-contra-racismo-em-shopping-de-sao-paulo
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