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Pais de autor de tiroteio em escola nos EUA são condenados a 15 anos de prisão

James e Jennifer Crumbley foram considerados culpados de quatro acusações de homicídio culposo; atirador cumpre prisão perpétua

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Camila Stucaluc
10/04/2024, 08:06 • Atualizado em 10/04/2024, 08:06
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Pais de autor de tiroteio em escola nos EUA são condenados a 15 anos de prisão

James e Jennifer Crumbley, pais do jovem que matou quatro adolescentes em um ataque a tiros em uma escola no Michigan (EUA) em 2021, receberam a sentença na terça-feira (9). Ambos foram julgados no início do ano, em sessões separadas, e condenados por homicídio culposo. Eles deverão cumprir pena de 15 anos de prisão.

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Na audiência, a defesa alegou que o casal já passou quase dois anos e meio na prisão, incapazes de pagar a fiança de US$ 500 mil. O tribunal decidiu, portanto, que, após cumprir 10 anos da pena, os Crumbleys se tornarão elegíveis para liberdade condicional. Caso o pedido seja negado, eles podem ficar detidos por até 15 anos nas penitenciárias.

Antes de anunciar a sentença, a juíza responsável pelo caso, Cheryl Matthews, disse que as condenações não eram sobre uma possível “educação ruim” do filho, mas sobre os pais terem ignorado os sinais envolvendo a saúde mental do jovem. Como foram alertados por professores, a magistrada defendeu que os pais foram negligentes.

“Essas condenações confirmam atos repetidos, ou falta deles, que poderiam ter parado um trem desgovernado. A oportunidade se apresentou repetidamente, cada vez mais alto, e foi ignorada. Ninguém respondeu. E essas duas pessoas deveriam ter feito isso, e com certeza não fizeram”, disse a juíza, acrescentando que o casal glorificava o uso de armas.

Relembre o caso

O ataque ocorreu em 30 de novembro de 2021, quando Ethan Crumbley, de 15 anos na época, entrou no colégio com uma pistola semiautomática e começou a atirar contra alunos que passavam pelo corredor, atingindo 10 pessoas. A arma usada no tiroteio foi dada ao jovem pelos pais na mesma semana, como um presente adiantado de Natal.

Horas antes do ataque, os pais de Ethan foram chamados na escola depois que uma professora de matemática encontrou um desenho com imagens de violência armada na carteira do aluno. Na conversa, a educadora mostrou a imagem e pediu ao casal para que levasse o jovem imediatamente para casa e procurasse ajuda especializada.

O pedido, no entanto, foi ignorado pelos pais de Ethan, que, logo após voltar à sala de aula, foi ao banheiro com a mochila e sacou a arma. Ao todo, quatro alunos morreram no tiroteio, enquanto outras sete pessoas ficaram gravemente feridas.

Assim que se espalhou a notícia de que havia um atirador na escola, Jennifer mandou uma mensagem para o filho dizendo “não faça isso”. Em seguida, James ligou para a polícia, informando que não estava encontrando a arma, que ficava escondida na gaveta. Na ligação, ele disse que o filho poderia ser o responsável pelo ataque.

Tanto James como Jennifer foram acusados de negligência em relação à saúde mental do filho. Durante os julgamentos, a promotoria citou um trecho do diário de Ethan, no qual o menino pedia ajuda. "Eu tenho zero ajuda para meus problemas mentais. Quero ajuda, mas meus pais não me ouvem, então não consigo ajuda", dizia o texto.

Nas sessões, os pais expressaram tristeza pelo tiroteio, mas culparam a escola por não fornecer a “visão geral” sobre Ethan, como dormir na sala de aula, assistir a um vídeo de um tiroteio em massa e escrever pensamentos negativos sobre sua família. "Éramos bons pais. Éramos uma família mediana", disse Jennifer.

A decisão do tribunal marca a primeira vez que os responsáveis por um atirador em massa são condenados por homicídio em conexão com o crime. Os Crumbleys foram considerados culpados de quatro acusações de homicídio culposo, uma para cada estudante que o jovem matou. Ethan, por sua vez, foi julgado em 2022 e condenado à prisão perpétua.

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