Peru: polarização marca 2º turno da eleição presidencial
Keiko Fujimori tem leve vantagem, mas resultado segue indefinido às vésperas da votação, avalia professora de relações internacionais
Os eleitores do Peru vão às urnas neste domingo (7) para escolher o próximo presidente do país em um cenário de forte polarização política e elevada incerteza sobre o resultado. Pesquisas divulgadas antes do início do silêncio eleitoral apontavam empate técnico entre a candidata de direita Keiko Fujimori e o esquerdista Roberto Sánchez.
Em entrevista ao SBT News, a professora de Relações Internacionais Ana Carolina Marson, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), reforçou que o cenário permanece imprevisível, embora Keiko apareça em posição ligeiramente mais favorável. No primeiro turno, a candidata obteve 17,1% dos votos, contra 12% de Sánchez, evidenciando a forte fragmentação do eleitorado peruano.
Ana Carolina também chamou atenção para o elevado índice de eleitores que pretendem votar em branco ou anular o voto no segundo turno. Entre 12% e 13% do eleitorado deve optar por uma dessas alternativas, sinalizando insatisfação com as candidaturas que disputam a Presidência e o desgaste da confiança da população no sistema político.
"Considerando os movimentos políticos observados recentemente na América Latina, acredito que Keiko Fujimori tenha boas perspectivas de vencer a eleição", afirmou Ana Carolina durante participação no News Sábado, acrescentando que a candidata aparece numericamente à frente nas pesquisas mais recentes. "Se esse cenário se mantiver até a votação, acredito que ela tenha essa chance."
Keiko carrega o peso e a influência política de um dos sobrenomes mais marcantes da história recente do Peru. Filha de Alberto Fujimori, que governou o país nos anos 1990 e foi posteriormente condenado por violações de direitos humanos e corrupção, ela busca consolidar sua própria trajetória política e permanece como uma das principais lideranças da direita peruana.
Ligado a setores da esquerda peruana, Sánchez, por sua vez, construiu sua trajetória política com apoio de movimentos que defendem maior participação do Estado na economia e reformas institucionais. Ele também mantém vínculos com grupos ligados ao ex-presidente Pedro Castillo, destituído e preso após tentar dissolver o Congresso em 2022.
A disputa deste domingo ocorre em meio a uma das mais profundas crises políticas da história recente do Peru. Nos últimos dez anos, o país teve oito presidentes, reflexo de sucessivos confrontos entre Executivo e Legislativo, denúncias de corrupção e dificuldades para garantir estabilidade institucional.
O cenário também é marcado por denúncias de corrupção que atingem diferentes lideranças políticas — Sánchez, inclusive, é suspeito de irregularidades na prestação de contas de campanha. Para Ana Carolina, a disputa por poder e a dificuldade de construir consensos ajudam a explicar a sucessão de presidentes e a crescente desconfiança dos peruanos nas instituições.
"No Peru, essa situação é histórica. Os poderes que deveriam funcionar como contrapesos acabam se transformando em um cabo de guerra para definir quem tem mais poder", disse. "Em vez de resolver essa instabilidade, boa parte da elite política acaba aprofundando o confronto na tentativa de se perpetuar no poder."















