Política

Gabrielli endossa ideia de Lara Resende sobre taxa de juros

Ex-presidente da Petrobras e coordenador de Lula se soma a Gleisi Hoffmann na defesa das ideias de Lara Resende; ministro da Fazenda nega discussão no governo

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Iander Porcella
Sérgio Gabrielli endossa ideia de Lara Resende sobre taxa de juros | PT

Sérgio Gabrielli endossa ideia de Lara Resende sobre taxa de juros | PT

O ex-presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli, que coordenou o plano de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pela reeleição, endossou nesta segunda-feira (2) a proposta do economista André Lara Resende sobre tabelamento da Selic, a taxa básica de juros.

A ideia tem gerado apreensão no mercado financeiro, mas o ministro da Fazenda, Dario Durigan, nega que esteja em discussão no governo.

Em um texto enviado à Coluna no qual comenta os desafios da economia, Gabrielli cita o debate sobre o nível dos juros.

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“Merece atenção especial a proposta de André Lara Resende de criação de um mecanismo mais amplo do que o CMN para coordenar a política monetária e fiscal no Brasil. O pior dos mundos é a situação de conflito de objetivos entre as duas políticas no curto prazo”, argumenta Gabrielli.

🔎O CMN é o Conselho Monetário Nacional, órgão superior e deliberativo máximo do Sistema Financeiro Nacional do Brasil.

O apoio do ex-presidente da Petrobras à proposta de Lara Resende, que se soma ao endosso da ex-ministra Gleisi Hoffmann, expõe mais uma divisão no PT sobre a condução da economia.

Durante a pré-campanha de Lula, declarações de Gabrielli geraram temor na Faria Lima sobre o compromisso do governo com as contas públicas em caso de reeleição. Durigan, então, foi escalado para fazer um contraponto e acalmar os agentes do mercado.

O que diz a proposta de Lara Resende

Neste domingo (1º), passou a circular no mercado a possibilidade de uma reunião de Lula com Lara Resende. O economista, um dos formuladores do Plano Real, tem defendido propostas heterodoxas para a economia.

Durigan, contudo, negou à Coluna que haja qualquer discussão nesse sentido no governo e também afirmou que não há encontro previsto entre Lula e Lara Resende.

“Não tem”, disse o ministro da Fazenda, ao ser questionado se há debate interno sobre a proposta de Lara Resende. “Sem reunião”, emendou.

O tema é delicado porque há uma desconfiança do mercado sobre o compromisso fiscal de Lula para o quarto mandato, o que já se refletiu na queda do Ibovespa, índice da bolsa de valores brasileira, e na alta do dólar após a reeleição do petista.

O temor no mercado cresceu após Gleisi compartilhar nas redes sociais um texto escrito por Lara Resende em 25 de setembro. “Artigo de André Lara Resende, publicado em 25 de setembro, é fundamental para enfrentar essa ofensiva terrorista sobre a política fiscal brasileira”, afirmou a petista.

No texto, o economista defende obrigar o Banco Central a tabelar a Selic num intervalo entre a meta de inflação, hoje em 3%, e a taxa de crescimento nominal potencial, que é a meta de inflação somada ao crescimento real potencial do país, o que seria algo em torno de 5,5% ao ano.

“Só em casos excepcionais, autorizados pelo CFMN (Conselho Fiscal e Monetário Nacional), a taxa básica poderia ser inferior ao piso - a meta de inflação - ou superior ao teto - o crescimento nominal do PIB potencial – do intervalo”, propõe Lara Resende.

A taxa Selic está hoje em 13,75%. Pela proposta de Lara Resende, a queda ocorreria de forma gradual, ao longo de 12 meses. O economista chama esse modelo de “novo regime fiscal e monetário”.

Lara Resende culpa o patamar da taxa Selic pelo desequilíbrio fiscal do país. O economista diz que os juros altos deixam mais caro o pagamento do serviço da dívida pública. A trajetória insustentável da dívida, na visão dele, seria efeito da Selic e não do nível de gastos do governo.

Ministro da Fazenda, Dario Durigan, negou suposta reunião com o economista André Lara Resende | Washington Costa/MF, Geraldo Magela/Agência Senado
Ministro da Fazenda, Dario Durigan, negou suposta reunião com o economista André Lara Resende | Washington Costa/MF, Geraldo Magela/Agência Senado

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