PF: Ex-chefes do INSS, empresários e entidades são alvos
Investigação encontrou indícios de venda acelerada de imóveis e bens; nova fase quer evitar dilapidação de patrimônio, usado para ressarcir cofres públicos


Sede do INSS, em Brasília | Divulgação/Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
A nova fase da operação Sem Desconto está dividida em três núcleos suspeitos de atuar na fraude do INSS. Entre os alvos estão ex-diretores do instituto, empresários e pelo menos 6 entidades associativas investigadas por realizar descontos indevidos contra aposentados e pensionistas.
A PF cumpre 31 mandados de busca e apreensão. Na lista está Rogério Soares de Souza, que já ocupou cargos de diretoria e da Superintendência Regional do Nordeste, e Everaldo Felício de Macedo Júnior, ex-gerente executivo do INSS em Garanhuns (PE). Por isso, essa parte da investigação é chamada de núcleo Garanhuns.
Rogério seria ligado à Abapen (Associação Brasileira dos Aposentados e Pensionistas da Nação), entidade que teria recebido cerca de R$ 70,9 milhões em descontos em 2024. Desse valor, R$ 24,7 milhões teriam ido para empresas vinculadas a Antônio Camilo, o careca do INSS, empresario que está preso.
No Núcleo Brasília, estão as entidades UNIBAP (União Brasileira de Aposentados da Previdência) e ABENPREV (Associação de Benefícios e Previdência), suspeitas de fazer descontos ilegais após assinar acordos de cooperação com o INSS em 2021 e 2023.
Gestores dessas entidades estão entre os alvos: Gutemberg Tito de Souza e Zacarias Canuto Sobrinho.
Há também operadores e intermediários ligados à estrutura financeira e operacional: Cleiton dos Santos Medeiros, Daniel Gerber, Alexandre Caetano e Carlos Henrique da Rocha Gonçalves.
A Unibap já foi juridicamente representada pelo advogado Pietro Lorenzoni, filho do ex-ministro da Previdência Onyx Lorenzoni. Apesar da relação, a atual fase não mira o advogado.
O núcleo de São Paulo é conhecido como “Golden Boys”. As entidades são: Amar Brasil Clube de Benefícios, Master Prev, AASAP (Clube de Benefícios) e ANDAPP (Associação Nacional de Defesa dos Direitos dos Aposentados e Pensionistas).
Entre os alvos estão os gestores: Américo Monte Júnior, Felipe Macedo Gomes, Igor Dias Delecrode e Anderson Cordeiro de Vasconcelos.
Parte dos investigados já responde a medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica, mas continuaria a cometer crimes.
A investigação quer evitar dilapidação do patrimônio dos investigados, após indícios de venda acelerada de imóveis e bens de luxo por valores abaixo do mercado.

























