Aliados defendem que Castro desista de disputar o Senado
Após 2 operações da PF em 11 dias e envolvimento com Master, projeto eleitoral do ex-governador do Rio fica inviável e PL busca alternativas para a disputa


Cláudio Castro (PL) | Governo do RJ/Rogério Santana
A candidatura de Cláudio Castro ao Senado, antes tratada como um dos projetos mais fortes da direita fluminense para 2026, passou a ser considerada inviável até por aliados do ex-governador do Rio. Após ser alvo de 2 operações da Polícia Federal em um intervalo de 11 dias e entrar formalmente na investigação sobre o banco Master, integrantes próximos passaram a defender internamente que Castro retire a pré-candidatura o quanto antes e anuncie publicamente a desistência da disputa para evitar novos desgastes ao partido.
Até poucas semanas atrás, o cenário era outro. Mesmo após ser declarado inelegível pelo TSE em março, aliados avaliavam que Castro seguia competitivo eleitoralmente e poderia reverter o quadro na Justiça. O ex-governador renunciou ao cargo um dia antes do julgamento que poderia resultar em cassação por abuso de poder político e econômico. O que sustentava o projeto era justamente a força política. Castro seguia bem posicionado nas pesquisas e havia ampliado a popularidade nos últimos meses, especialmente após a Operação Contenção, considerada a mais letal da história do Rio de Janeiro.
O primeiro abalo veio na sexta-feira (15), quando Castro foi alvo da Operação Sem Refino, que investiga suspeitas envolvendo a Refit e fraudes fiscais ligadas ao setor de combustíveis. Segundo a investigação, a Secretaria de Fazenda teria sido transformada em uma espécie de braço político da refinaria controlada pelo empresário Ricardo Magro. Apesar do impacto, aliados entendiam que o caso ainda estava em análise dentro do PL e que, por envolver um tema complexo como fraude tributária, não havia consenso sobre o potencial dano eleitoral da ação.
A avaliação mudou na terça-feira (26), quando a PF voltou a cumprir buscas contra o ex-governador, desta vez na investigação sobre aportes do Rioprevidência em fundos ligados ao banco Master. A ação é desdobramento da Operação Compliance Zero e apura o direcionamento de cerca de R$ 3 bilhões do fundo previdenciário estadual para investimentos ligados ao banco de Daniel Vorcaro. Segundo a investigação, Castro aparece novamente como o viabilizador da operação dentro da máquina estadual.
O envolvimento de Castro com Vorcaro se tornou o maior problema para a cúpula do PL, considerando que hoje a prioridade do partido é blindar a pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro e afastar qualquer associação da sigla ao caso Master, especialmente após o vazamento de conversas entre Daniel Vorcaro e o senador.
No Rio, o PL tenta reorganizar a disputa ao Senado, considerada prioridade da sigla para 2026. Caso não consiga viabilizar um nome próprio para substituir Castro, o partido pode acabar abrindo mão da vaga anteriormente negociada dentro do campo da direita fluminense, já que o outro nome já anunciado pelo grupo é o do ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, do União Brasil. Outro nome da direita com peso, que poderia entrar na disputa, também não é do PL: o ex-secretário de Polícia Civil Felipe Curi, que também ganhou projeção após a Operação Contenção, filiou-se ao PP para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados.














