Caso Master: Cláudio Castro é alvo da PF
Segundo investigação, gestão do ex-governador do RJ é suspeita de transferir cerca de R$ 3 bilhões do Rioprevidência para fundos do banco de Vorcaro


Cláudio Castro (PL), ex-governador do Rio de Janeiro | Divulgação/Rogério Santana/Governo do RJ
O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro é alvo de operação da Polícia Federal na manhã desta terça-feira (26), suspeito de envolvimento em fraudes envolvendo o banco Master.
É a segunda vez que a PF faz buscas nos endereços ligados ao político em menos de 15 dias. A primeira foi no dia 15 de maio, por suspeitas envolvendo a máfia dos combustíveis e a Refit, de Ricardo Magro.
Agora, a gestão do ex-governador do Rio de Janeiro é investigada por causa de um aporte de quase R$ 1 bilhão do Rioprevidência no ex-banco de Daniel Vorcaro.
A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
A ação desta terça, segundo a PF, é desdobramento da força-tarefa Barco de Papel, "que identificou aportes suspeitos do Rioprevidência em Letras Financeiras de banco privado que totalizaram cerca de R$ 970 milhões, entre outubro de 2023 e julho de 2024".
A operação deflagrada hoje ampliou o escopo da investigação, apurando aplicações de R$ 2,01 bilhões, a partir de julho de 2024, em fundos do Master, "totalizando cerca de R$ 3 bilhões transferidos do Rioprevidência".
A investigação já teve outras fases, mas tinham sido autorizadas pela Justiça Federal do Rio.
Depois, no entanto, o caso foi enviado ao STF em razão da conexão dos fatos com outras fraudes envolvendo o banco que já eram investigadas sob a relatoria de Mendonça, na Compliance Zero.
Leia nota da defesa de Castro:
"A defesa do ex-governador Cláudio Castro informa que ainda não teve acesso aos autos do processo na íntegra e, portanto, não pode comentar detalhes de elementos que desconhece na totalidade.
A defesa nega de forma categórica qualquer relação pessoal indevida entre Cláudio Castro e Daniel Vorcaro. Os contatos entre ambos aconteceram em agendas oficiais, institucionais e também em encontros sociais e de networking, comuns ao exercício da função pública e à relação com representantes do setor empresarial, sem qualquer tratativa ilícita, favorecimento ou recebimento de benefício pessoal.
A defesa esclarece ainda que Cláudio Castro não conhece o citado Ricardo apontado como suposto intermediário ou elo entre ele e Daniel Vorcaro.
Também não procede a informação de que viagens, passagens ou despesas pessoais de Cláudio Castro tenham sido custeadas por Daniel Vorcaro, assim como não houve qualquer tipo de benefício pessoal recebido pelo ex-governador.
Todos os investimentos realizados pelo Rioprevidência seguiram fluxos técnicos, jurídicos e administrativos próprios da autarquia, dentro dos limites aprovados pelo Conselho de Administração e em conformidade com as regras previstas na Resolução CMN nº 4.963/2021, em operações conduzidas com instituição autorizada e supervisionada pelo Banco Central.
Cláudio Castro jamais integrou qualquer comitê de investimentos do Rioprevidência, não participava das decisões técnicas da carteira da autarquia e nunca exerceu função operacional relacionada aos investimentos realizados pelo instituto, o que demonstra a autonomia técnica dos executivos e órgãos internos responsáveis pelas análises e deliberações.
Assim que surgiram questionamentos sobre operações envolvendo o Banco Master, o próprio ex-governador determinou a adoção imediata de medidas de apuração e controle, incluindo o afastamento da presidência do Rioprevidência e a instauração de procedimento interno pela Controladoria-Geral do Estado.
Cabe ainda ressaltar que, em dezembro de 2025, houve o resgate de aproximadamente R$ 1,4 bilhão de fundo administrado pelo Banco Master, garantindo a proteção do patrimônio previdenciário dos servidores ativos, aposentados e pensionistas do Estado do Rio de Janeiro.
As compras de Letras Financeiras do Banco Master foram encerradas ainda em 2024. Não houve novos aportes após determinação do TCE-RJ. O Fundo Arena foi integralmente resgatado em 2025, sem qualquer prejuízo ao Rioprevidência, e o Fundo Revolution teve pedido de resgate realizado pela autarquia em janeiro de 2026.
Importante destacar que todos os recursos investidos nos fundos ligados ao Banco Master que foram integralmente recuperados já foram ressarcidos ao caixa do Estado. Parte desses valores, inclusive, foi utilizada para garantir o pagamento da folha previdenciária.
A defesa reafirma sua confiança no completo esclarecimento dos fatos e no trabalho das instituições."















