Política

Fim da 6x1: empresários defendem negociação em convenção

Presidente da Abimaq critica tramitação da PEC e diz que jornada deve ser definida entre empresas e sindicatos

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Emanuelle Menezes, Lívia Zanolini
27/05/2026, 14:13 • Atualizado em 27/05/2026, 14:16
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Representantes do setor produtivo defenderam nesta terça-feira (26) que mudanças na jornada de trabalho e no fim da escala 6x1 continuem sendo negociadas por meio de convenções coletivas entre empresas e sindicatos. A posição foi apresentada ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), durante reunião sobre a PEC que reduz a carga horária semanal de 44 para 40 horas.

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"Nós defendemos que a jornada e a escala de trabalho sejam definidas em convenção coletiva entre o empregador e o sindicato dos trabalhadores, como é feito hoje", afirmou José Velloso, presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), em entrevista ao SBT News nesta quarta-feira (27).

Segundo Velloso, representantes da indústria, comércio, logística, construção civil e agronegócio demonstraram preocupação com a forma como a proposta vem sendo conduzida na Câmara dos Deputados.

"Fomos atropelados, não fomos ouvidos", criticou. "[O presidente da Câmara, Hugo] Motta tocou o tema como rolo compressor", completou.

Setor produtivo critica prazo de transição da PEC

O principal ponto de preocupação das entidades empresariais é o prazo de adaptação previsto no relatório do deputado Leo Prates (Republicanos-BA), relator da proposta na Câmara.

O texto prevê que, 60 dias após a promulgação da PEC, a jornada semanal máxima passe de 44 para 42 horas e a escala 6x1 seja encerrada. Após 12 meses, a carga horária cairia para 40 horas semanais, sem redução salarial.

Para Velloso, o prazo é inviável para empresas de diferentes setores da economia.

"Em 60 dias, ninguém vai conseguir se reorganizar", afirmou. "Não tem como os empresários se organizarem, principalmente aqueles que têm mais deficiências na gestão dos seus negócios".

O executivo também alertou para possíveis impactos no mercado de trabalho. "Nós corremos o risco, com esse relatório, de uma precarização do emprego, de uma pejotização e da substituição de trabalhos formais por informais", disse.

Reunião com Alcolumbre

A reunião com Davi Alcolumbre ocorreu um dia antes da previsão de votação da PEC na comissão especial da Câmara. Segundo Velloso, o presidente do Senado se comprometeu a garantir uma tramitação mais ampla e com debate na câmara alta.

"O presidente Alcolumbre se comprometeu com todos ali a fazer o rito normal do andamento de uma PEC dentro do Senado, como diz o regime interno do Senado, sem atropelos, fazendo um processo republicano e democrático", declarou.

PEC do fim da escala 6x1 avança na Câmara

A PEC do fim da escala 6x1 é uma das principais apostas políticas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2026. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que pretende levar o texto ao plenário até quinta-feira (28).

A proposta estabelece dois dias de descanso semanal para os trabalhadores e reduz a jornada máxima para 40 horas semanais ao fim do período de transição.

Por se tratar de uma Proposta de Emenda à Constituição, o texto precisa ser aprovado em dois turnos na Câmara, com pelo menos 308 votos favoráveis em cada votação. Depois disso, seguirá para análise do Senado.

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