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Interesse de EUA em decisão sobre PF incomodou Dino

Ministro devolveu diretor-geral da PF ao cargo em meio a repercussões de que desmonte na corporação era acompanhado com atenção pelo governo Trump

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Basília Rodrigues
Ministro do STF Flávio Dino | Gustavo Moreno/STF

Ministro do STF Flávio Dino | Gustavo Moreno/STF

Ao decidir devolver o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, ao cargo, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, avaliou as repercussões políticas também fora do Brasil quanto a eventual desmonte da PF.

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Notícias na imprensa de que a crise com a saída dos diretores da PF era acompanhada com atenção pelo governo Donald Trump irritaram o ministro, segundo apurou a Coluna. Dino avaliou que a instabilidade no Brasil atende aos interesses de organizações políticas e partidárias também fora do país, com destaque para os Estados Unidos.

Dino é um dos ministros do STF com marcada trajetória política. Aliado histórico e amigo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ele disputou e foi eleito governador e senador do Maranhão por partidos de esquerda. Tem passagens pelo PT, PCdoB e PSB.

Na decisão, o ministro ressalta que o entendimento de André Mendonça de retirar diretores da PF do posto atende a pedido do Novo, identificado por Dino como um partido de direita e com candidato na disputa pela Presidência da República.

Para Dino, de acordo com interlocutores do ministro, mais do que acompanharem a crise no Brasil, setores da política nos Estados Unidos estariam comemorando o desmonte da Polícia Federal.

Em contexto de atropelo do governo americano sobre procedimentos da PF brasileira, a decisão de Dino tenta estancar a repercussão negativa a que a Polícia Federal ficou exposta.

O ministro ressalta que uma PF fragilizada interessa a quem é investigado. Na decisão, sem citar nomes, se refere a milicianos, corruptos, narcotraficantes, traficantes de armas, exploradores de jogos ilícitos, agentes de lavagem de dinheiro. São práticas ilícitas comuns ao crime organizado e alvos de combate da Polícia Federal.

Em julho, a PF teve que antecipar a Operação Exchange após os Estados Unidos classificarem o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas e aplicarem sanções unilaterais. Alvos acabaram fugindo.

Em abril, o governo americano expulsou um delegado da PF, que atuava por meio de acordo de cooperação entre os países, junto à polícia de imigração dos EUA (ICE), por prender o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência, Alexandre Ramagem, condenado pela tentativa de golpe no país. O episódio levou o Brasil a adotar o princípio da reciprocidade e expulsar um policial americano também.

A exemplo de Ramagem, outros investigados e condenados pelo Supremo Tribunal Federal vivem atualmente nos Estados Unidos.

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