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Israel exige fechamento de consulado britânico em Jerusalém

Medida seria resposta às sanções aplicadas pelo Reino Unido contra produtos provenientes dos assentamentos israelenses na Cisjordânia

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André de Sena, com informações da Reuters
Bandeira do consulado do Reino Unido em Jerusalém | Jamal Awad/Reuters

Bandeira do consulado do Reino Unido em Jerusalém | Jamal Awad/Reuters

Israel disse ao Reino Unido que o país deve fechar seu consulado em Jerusalém em até 30 dias, segundo quatro fontes ouvidas pela agência de notícia Reuters nesta quarta-feira (9), inclusive duas autoridades do governo de Tel Aviv.

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Ainda de acordo com as fontes consultadas pela Reuters, os representantes britânicos que trabalham no consulado devem perder seu status após o término do prazo de 30 dias estipulado por Israel. Além disso, autoridades do Reino Unido que participam de uma missão liderada pelos Estados Unidos em Gaza e que trabalham na cidade de Ramallah, na Cisjordânia, têeriam dias para deixar o país.

Israel também decidiu que o governo britânico não vai ter mais permissão para treinar as forças de segurança palestinas na Cisjordânia e que 12 parlamentares de Londres e outros cidadãos críticos a Tel Aviv, incluindo o ex-líder do Partido Trabalhista Jeremy Corbyn, não terão mais permissão para entrar no país. As medidas não afetam a embaixada do Reino Unido em Tel Aviv.

O governo do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu ainda não se pronunciou publicamente sobre o caso.

Sanções

A ação é vista como uma medida retaliatória contra a decisão de Reino Unido, França e Canadá de sancionar Israel. O ministro das Relações Exteriores britânico Ed Miliband, do Partido Trabalhista, anunciou nesta terça-feira (8) que o país proibirá a importação de produtos provenientes de assentamentos israelenses na Cisjordânia. Ele também disse que o governo de Tel Aviv faz vista grossa para a violência praticada por colonos contra palestinos.

Em resposta, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, afirmou que a ação do Reino Unido de ser "moralmente distorcida" e acusou Londres de "interferência flagrante nos assuntos de um Estado soberano e em seu processo eleitoral". As eleições gerais israelenses, nas quais Netanyahu tentará manter sua coalizão com a extrema direita no poder, vão ser realizadas em 27 de outubro.

Por meio de uma publicação na rede social X, Gideon agradeceu a líder da oposição britânica, Kemi Badenoch, do Partido Conservador, por criticar as sanções. Ela escreveu em um artigo publicado pelo jornal The Sun que o governo trabalhista está "priorizando seus próprios interesses político-partidários" em detrimento do interesse nacional.

Nessa quarta-feira (9), o ministro das Relações Exteriores do Reino Unido lamentou a decisão israelenses de ordenar o fechamento do consulado, mas afirmou que não ficou surpreso com a medida. “Ponderamos os custos e benefícios de agir (...) e concluímos que simplesmente não podíamos ficar de braços cruzados por temer uma ação israelense”, disse ele à emissora de televisão BBC.

O rabino Chefe das Congregações Hebraicas Unidas da Commonwealth, Ephraim Mirvis, se posicionou contra as sanções. A organização não governamental judaica Yachad, por outro lado, afirmou que a medida "não era anti-Israel e certamente não era antissemita", acusando o "governo extremista" de Tel Aviv de cruzar quase todas as "linhas vermelhas" para consolidar sua "ocupação".

Resposta a outros países

Fontes ouvidas pela agência de notícias Reuters disseram que o governo israelense já esperava as sanções do Reino Unido e deve discutir nesta quarta outras medidas aos países que se juntaram a Londres para impor as sanções ou simplesmente demonstraram apoio à medida.

Os produtos de assentamentos israelenses na Cisjordânia representam uma fração pequena das exportações de Israel, mas diplomatas consideram a imposição das sanções uma medida importante para demonstrar descontentamento com as ações dos colonos israelenses.

Além da violência dos colonos, houve dezenas de milhares de mortes no conflito na Faixa de Gaza, que se iniciou em outubro de 2023.

Reino Unido, França e Canadá fazem parte do grupo de países que, em 2025, passaram a reconhecer formalmente a Palestina como um Estado.

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