Política

Dino retira sigilo de investigação de Dark Horse em SP

Material revela suspeita de vínculo com o PCC. Deputado Mário Frias, produtor do filme, é apontado como possível líder; parlamentar nega.

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Basília Rodrigues
"Dark Horse", filme que narra trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) | Divulgação

"Dark Horse", filme que narra trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) | Divulgação

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, acaba de determinar o fim do sigilo da investigação sobre desvios de recurso públicos para o filme Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Dino liberou acesso ao que recebeu da investigação da Polícia Civil de São Paulo sobre irregularidades no projeto de instalação de pontos de Wi-Fi da prefeitura paulista.

Na semana passada, com base nessas informações, Dino autorizou a operação Make UP, da Polícia Federal. Agora, o ministro revela que o esquema de desvio de emendas parlamentares pode ter vínculo com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e que o deputado federal Mário Frias, produtor do filme, teria “papel de liderança na suposta arquitetura criminosa”.

O conteúdo traz “controvérsias atinentes a transparência e rastreabilidade na execução de emendas parlamentares federais destinadas a empresas situadas no Estado de São Paulo”.

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São cinco mil páginas que estão sendo liberadas neste domingo pelo gabinete do ministro. Dino afirma ter analisado informações neste sábado (11).

“Com efeito, no curso da investigação se fortalece a hipótese de imbricação indissociável em um sofisticado esquema de destinação e desvio de recursos públicos, com destaque para emendas parlamentares federais e para a prefeitura de São Paulo. Essa organização alcançaria, inclusive, vínculos com a facção PCC (Primeiro Comando da Capital), consoante linha investigativa mencionada nos autos. Há a alusão reiterada, no itinerário delituoso, a um deputado federal, o Sr. Mário Frias, que - no terreno hipotético da investigação - ocuparia um papel de liderança na suposta arquitetura criminosa”.

A decisão obriga o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Oswaldo Nico Gonçalves, a entregar para a Polícia Federal todo o material bruto extraído dos celulares das pessoas físicas e jurídicas investigadas pela Policia Civil no caso. Dino observa que, desde junho, o material está sob perícia, mesmo assim “todos os aparelhos celulares, computadores e demais documentos” devem ser transferidos à custódia da PF.

Fim do sigilo

Dino afirma, na decisão, que optou pelo fim do sigilo do caso para evitar “vazamentos seletivos” e “espetáculos”, em referência a manifestações organizadas contra o STF.

“Tais vazamentos seletivos quebram a imparcialidade na condução da investigação criminal e do processo penal, na medida em que a autoridade estatal passa a escolher alvos, de acordo com amizades e inimizades, ou outros interesses ilegítimos, tais como "agradar" detentores de poder econômico ou político, alimentar passeatas e outros “espetáculos”, ou mesmo gerar ganhos financeiros”, afirma.

O ministro cita como precedentes decisões de André Mendonça e Edson Fachin para cobrar mais transparência do tribunal e o fim de tratamento diferenciado entre pessoas envolvidas num mesmo caso. Dino aproveita a decisão para alfinetar Mendonça que, até o momento, não liberou acesso integral ao caso Master.

“Todas as investigações devem ter marcha congruente, com ampla publicidade (nomes, dados financeiros, contas e fundos movimentados, conversas em WhatsApp, entre outros indícios)”, provoca.

Ministro do STF Flávio Dino | Gustavo Moreno/STF
Ministro do STF Flávio Dino | Gustavo Moreno/STF

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