Auxiliar do presidente Lula, Celso Amorim avalia que o governo Trump irá reconhecer o resultado das eleições brasileiras, qualquer que seja o presidente eleito, porque os Estados Unidos teriam muito a perder. Mesmo com críticas às eleições do Brasil, Trump não poderá ignorar o país, de acordo com Amorim.
O ex-chanceler e assessor especial do presidente destacou que estados reconhecem estados e não governos.
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“Não se trata de reconhecer ou não reconhecer. Pode perguntar se a eleição foi boa ou não. A não ser que não queira ter relação com o outro estado. Acho muito difícil que os Estados Unidos não queiram manter uma relação com o Brasil. O Brasil é muito importante. É grande demais para caber em um quintal, grande demais também para ser ignorado”, afirmou em entrevista ao programa Sala de Imprensa.
“Quem lê a mídia brasileira acha que o Brasil depende dos Estados Unidos. Ele ainda é o principal investidor no Brasil e os investimentos são bem-vindos. Você tem que vender e comprar, mas tem que fazer isso com quem está baseado em uma regra justa. Funcionar na regra da imposição, talvez alguns não tenham alternativa. Não é o caso do Brasil. Não só pelo tamanho, posição geográfica, tradução diplomática, o Brasil é um país que procura ter uma relação ampla”, reforçou.
Amorim é um dos principais conselheiros de Lula e acompanhou o presidente na Assembleia Geral da ONU, em setembro. Ele acredita que os principais pontos do discurso de Lula, de abertura do encontro, foram sobre o multilateralismo e a paz. O ex-chanceler também avaliou o discurso de Trump, que veio logo em seguida.
“A gente não pode se queixar da hipocrisia do presidente dos Estados Unidos. Ele disse o que pensa, mas o que ele pensa não corresponde aos nossos desejos. Eu estava olhando para aquele templo (a sede da ONU), o mais longe que a humanidade foi na busca da paz, do diálogo, do progresso, dos direitos humanos. E aquilo tudo está sob ameaça pelo unilateralismo, pelo uso da força, pelas guerras”, disse.
O ex-chanceler reforçou que o Brasil não é o quintal de ninguém; e explicou que o presidente do país não pode relativizar a soberania.
“Não queremos intervenção externa. Não queremos outras pessoas decidindo o que está errado no Brasil. Nós que temos que decidir aqui dentro e combater”, enfatizou.
Amorim defendeu reforma no Conselho de Segurança da ONU para inclusão do Brasil, da Índia e também de algum país africano, diante do que acredita ser uma nova ordem mundial.
“A ordem mundial tal como nós conhecíamos, eu acho que acabou. Agora isso não quer dizer que na construção de uma nova ordem, não possamos usar os elementos que vem da ordem anterior. O princípio do multilateralismo, da solução pacífica de controvérsias, das negociações comerciais multilaterais, os direitos humanos, direitos das mulheres. Tudo isso faz parte das coisas que queremos levar adiante”, ponderou.
A edição do Sala de Imprensa com Celso Amorim está disponível na TV, no YouTube e nas redes do SBT.


























