Direita surpreende desde 2006 com votação acima de pesquisas
Padrão traz um alerta para a campanha de Lula e serve como alento para a de Flávio Bolsonaro
Victor Schneider
Geraldo Alckmin (2006), Aécio Neves (2014) e Jair Bolsonaro (2018 e 2022) tiveram desempenho melhor do que o projetado na véspera das eleições | Flickr
Os principais institutos de pesquisa subestimaram o desempenho de candidatos da direita a presidente desde 2006 nos levantamentos divulgados nos dias anteriores ao primeiro turno, inclusive na véspera. É o que mostra um levantamento feito pelo SBT News junto às pesquisas divulgadas nos últimos anos. Esse fenômeno se intensificou principalmente a partir de 2014, com a subida repentina de Aécio Neves (PSDB), e manteve a tendência nas duas eleições subsequentes com Jair Bolsonaro.
O padrão traz um alerta para a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e um alento para a de Flávio Bolsonaro (PL) no momento em que ambas tentam desidratar nomes da terceira via e mover os ponteiros o mais próximo possível dos 50% no domingo (4).
No Datafolha de quinta-feira (1º), Lula apareceu com 45% dos votos válidos – os que excluem nulos, brancos e indecisos –, enquanto Flávio marcava 40%.
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O último levantamento sairá neste sábado (3), no fim da tarde, e pode indicar se o imbróglio em torno do cancelamento de última hora do debate promovido pela TV Globo influenciou o humor do eleitorado. A Quaest também divulga sua própria pesquisa no início da noite.
Na última tentativa de reeleição de Lula, há 20 anos, o Datafolha de quatro dias antes do primeiro turno mostrava o presidente com 53% dos votos válidos, contra 35% de Geraldo Alckmin –então algoz do petista no PSDB e hoje vice-presidente da República.
Lula também deixou de participar do último debate naquele ano, e as imagens do púlpito vazio embalaram a reta final de Alckmin: o ex-governador subiu para 38% na véspera e o petista caiu para 50%. Nas urnas, Alckmin ficou além da margem de erro (41,64%) e forçou um confronto direto.
2010
No caso das eleições de 2010, a presença de dois candidatos competitivos – José Serra (PSDB) e Marina Silva (PSB) – serviu sobretudo para sugar votos de Dilma Rousseff (PT) na reta final do primeiro turno. Se valendo da alta popularidade de Lula, Dilma chegou a três dias da eleição com 52% dos votos válidos, conforme o levantamento. Oscilou para 50% na véspera, mas no fim contabilizou 46,9% nas urnas.
As intenções de Serra e Marina estiveram mais próximas dos votos recebidos. O tucano foi de 28% a 31% nos dias anteriores, e terminou a eleição com 32,6%, portanto dentro da margem de erro. Já a ambientalista subiu de 14% para 17% nas pesquisas e recebeu 19,3% dos votos válidos.
2014
A disputa de 2014 ficou marcada pela recuperação de última hora de Aécio Neves, escanteado por semanas por Marina Silva depois do acidente de avião que matou o cabeça de chapa Eduardo Campos, em 10 de agosto daquele ano, e alavancou a candidatura da ex-ministra.
O ex-governador de Minas Gerais, que aparecia com 24% das intenções a três dias da eleição e 26% na véspera, marcou 33,5% nas urnas, uma diferença de quase 8 pontos para o último levantamento. Marina, que chegou a empatar com Dilma na liderança, oscilou de 27% em 2 de outubro para 21,3% três dias depois. Já a petista tinha 44% na véspera e terminou com 41,6%.
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O extinto Ibope teve números similares na véspera: 46% para Dilma, 27% para Aécio e 24% para Marina.
2018
Envolta na retórica antissistema e na ascensão de Jair Bolsonaro, a eleição de 2018 também contou com a entrada de Fernando Haddad (PT) a poucas semanas do primeiro turno, diante da negativa da Justiça para que Lula pudesse concorrer da prisão.
O então ex-prefeito de São Paulo foi o único caso entre petistas desde 2006 a ter um desempenho melhor do que o projetado pelo Datafolha: 29,28%, depois de registrar 25% nos dois levantamentos prévios à eleição.
Já Bolsonaro obteve 46% dos votos, seis pontos a mais do que a pesquisa de véspera mostrava (40%) e sete em relação a três dias antes do primeiro turno (39%).
pesquisa-2018.jpeg
Já o Ibope projetou Bolsonaro com 41%, Haddad com os mesmos 25% e Ciro também com 13%.
2022
O desempenho de Bolsonaro também foi subestimado em 2022 em sua tentativa à reeleição. Desgastado pela pandemia, o então presidente vinha de recuperação nas intenções de voto, embalado pelo pacote de bondades e ajuste no Auxílio Brasil, e marcou 36% das intenções nas pesquisas às vésperas do primeiro turno. O resultado foi sete pontos acima: 43,2%.
Lula repetiu o padrão de não conseguir ser eleito no primeiro turno. O presidente aparecia com 50% nas pesquisas, mas terminou com 48,43%, ainda dentro da margem de erro da pesquisa.
pesquisa-2022.jpeg
Leia o resultado de outras pesquisas de véspera, em votos válidos, de 2022:
Ipec (ex-Ibope): Lula 51% x 37% Bolsonaro;
Genial/Quaest: Lula 49% x 38% Bolsonaro;
AtlasIntel: Lula 50,3% x 41,1% Bolsonaro;
E por que isso acontece?
Para Flávia Bozza, professora da ESPM e pesquisadora do Laboratório de Estudos Eleitorais, Comunicação Política e Opinião Pública (Doxa), alguns fatores interferem na capacidade do Datafolha e de outros institutos na hora de captar esse voto.
Um deles é a dificuldade em aferir as taxas de abstenção. Como explica Bozza, eleições com alto nível de ausência costumam prejudicar mais a esquerda, porque a abstenção cresce principalmente em dois grupos de eleitores que costumam dar maioria ao PT: os com mais de 70 anos – principalmente as idosas – e os que recebem até dois salários mínimos.
Há também a chamada recusa seletiva de parte do eleitorado, que não responde a pesquisas de opinião, e um percentual do público que não se sente confortável nem em dizer que votará em um candidato da direita e nem que vai se abster ao entrevistador do Datafolha, que faz suas pesquisas cara a cara em pontos de fluxo pelo país.
Outro ponto lembrado é o “antipetismo de chegada", um termo derivado do voto útil que explica a movimentação de eleitores de terceira via ou indecisos no candidato mais bem colocado para vencer a esquerda. É nessa expectativa de atrair os votos de Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) que Flávio se ancora para terminar à frente de Lula no primeiro turno.
Direita surpreende desde 2006 com votação acima de pesquisasPadrão traz um alerta para a campanha de Lula e serve como alento para a de Flávio BolsonaroPolítica2026-10-03T19:14:03.169ZOs principais institutos de pesquisa subestimaram o desempenho de candidatos da direita a presidente desde 2006 nos levantamentos divulgados nos dias anteriores ao primeiro turno, inclusive na véspera. É o que mostra um levantamento feito pelo SBT News junto às pesquisas divulgadas nos últimos anos. Esse fenômeno se intensificou principalmente a partir de 2014, com a subida repentina de Aécio Neves (PSDB), e manteve a tendência nas duas eleições subsequentes com Jair Bolsonaro. O padrão traz um alerta para a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e um alento para a de Flávio Bolsonaro (PL) no momento em que ambas tentam desidratar nomes da terceira via e mover os ponteiros o mais próximo possível dos 50% no domingo (4). No , Lula apareceu com 45% dos votos válidos – os que excluem nulos, brancos e indecisos –, enquanto Flávio marcava 40%. O último levantamento sairá neste sábado (3), no fim da tarde, e pode indicar se o imbróglio em torno do influenciou o humor do eleitorado. A Quaest também divulga sua própria pesquisa no início da noite. + 2006 Na última tentativa de reeleição de Lula, há 20 anos, o Datafolha de quatro dias antes do primeiro turno mostrava o presidente com 53% dos votos válidos, contra 35% de Geraldo Alckmin –então algoz do petista no PSDB e hoje vice-presidente da República. Lula também deixou de participar do último debate naquele ano, e as imagens do púlpito vazio embalaram a reta final de Alckmin: o ex-governador subiu para 38% na véspera e o petista caiu para 50%. Nas urnas, Alckmin ficou além da margem de erro (41,64%) e forçou um confronto direto. 2010 No caso das eleições de 2010, a presença de dois candidatos competitivos – José Serra (PSDB) e Marina Silva (PSB) – serviu sobretudo para sugar votos de Dilma Rousseff (PT) na reta final do primeiro turno. Se valendo da alta popularidade de Lula, Dilma chegou a três dias da eleição com 52% dos votos válidos, conforme o levantamento. Oscilou para 50% na véspera, mas no fim contabilizou 46,9% nas urnas. As intenções de Serra e Marina estiveram mais próximas dos votos recebidos. O tucano foi de 28% a 31% nos dias anteriores, e terminou a eleição com 32,6%, portanto dentro da margem de erro. Já a ambientalista subiu de 14% para 17% nas pesquisas e recebeu 19,3% dos votos válidos. 2014 A disputa de 2014 ficou marcada pela recuperação de última hora de Aécio Neves, escanteado por semanas por Marina Silva depois do acidente de avião que matou o cabeça de chapa Eduardo Campos, em 10 de agosto daquele ano, e alavancou a candidatura da ex-ministra. O ex-governador de Minas Gerais, que aparecia com 24% das intenções a três dias da eleição e 26% na véspera, marcou 33,5% nas urnas, uma diferença de quase 8 pontos para o último levantamento. Marina, que chegou a empatar com Dilma na liderança, oscilou de 27% em 2 de outubro para 21,3% três dias depois. Já a petista tinha 44% na véspera e terminou com 41,6%. O extinto Ibope teve números similares na véspera: 46% para Dilma, 27% para Aécio e 24% para Marina. 2018 Envolta na retórica antissistema e na ascensão de Jair Bolsonaro, a eleição de 2018 também contou com a entrada de Fernando Haddad (PT) a poucas semanas do primeiro turno, diante da negativa da Justiça para que Lula pudesse concorrer da prisão. O então ex-prefeito de São Paulo foi o único caso entre petistas desde 2006 a ter um desempenho melhor do que o projetado pelo Datafolha: 29,28%, depois de registrar 25% nos dois levantamentos prévios à eleição. Já Bolsonaro obteve 46% dos votos, seis pontos a mais do que a pesquisa de véspera mostrava (40%) e sete em relação a três dias antes do primeiro turno (39%). Já o Ibope projetou Bolsonaro com 41%, Haddad com os mesmos 25% e Ciro também com 13%. 2022 O desempenho de Bolsonaro também foi subestimado em 2022 em sua tentativa à reeleição. Desgastado pela pandemia, o então presidente vinha de recuperação nas intenções de voto, embalado pelo pacote de bondades e ajuste no Auxílio Brasil, e marcou 36% das intenções nas pesquisas às vésperas do primeiro turno. O resultado foi sete pontos acima: 43,2%. Lula repetiu o padrão de não conseguir ser eleito no primeiro turno. O presidente aparecia com 50% nas pesquisas, mas terminou com 48,43%, ainda dentro da margem de erro da pesquisa. Leia o resultado de outras pesquisas de véspera, em votos válidos, de 2022: E por que isso acontece? Para Flávia Bozza, professora da ESPM e pesquisadora do Laboratório de Estudos Eleitorais, Comunicação Política e Opinião Pública (Doxa), alguns fatores interferem na capacidade do Datafolha e de outros institutos na hora de captar esse voto. Um deles é a dificuldade em aferir as taxas de abstenção. Como explica Bozza, eleições com alto nível de ausência costumam prejudicar mais a esquerda, porque a abstenção cresce principalmente em dois grupos de eleitores que costumam dar maioria ao PT: os com mais de 70 anos – principalmente as idosas – e os que recebem até dois salários mínimos. Há também a chamada recusa seletiva de parte do eleitorado, que não responde a pesquisas de opinião, e um percentual do público que não se sente confortável nem em dizer que votará em um candidato da direita e nem que vai se abster ao entrevistador do Datafolha, que faz suas pesquisas cara a cara em pontos de fluxo pelo país. Outro ponto lembrado é o “antipetismo de chegada", um termo derivado do voto útil que explica a movimentação de eleitores de terceira via ou indecisos no candidato mais bem colocado para vencer a esquerda. É nessa expectativa de atrair os votos de Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) que Flávio se ancora para terminar à frente de Lula no primeiro turno. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/politica/direita-surpreende-desde-2006-com-votacao-acima-de-pesquisas
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