"Conseguimos evitar o pior", diz ministro sobre tarifaço
Governo atuará em duas frentes: reuniões com setores atingidos e negociações com USTR

Márcio Elias Rosa, novo ministro da Indústria e Comércio em entrevista ao SBT News | Foto: reprodução/SBT News
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviço (Mdic), Márcio Elias Rosa, disse ao SBT News que o resultado do tarifaço americano poderia ter sido muito pior. “Acho que conseguimos evitar um resultado ainda pior, porque chegamos a ter, em algum momento, o dobro de setores atingidos. Mas o Presidente Lula nos indica que, enquanto algum setor estiver atingido, seguiremos buscando ampliar a lista de exceções”, afirmou.
O ministro pondera, contudo, que “para todos os setores atingidos é muito grave”. Entre eles, estão calçados, têxtil, madeira, máquinas e equipamentos, móveis, açúcar, etanol, borracha e pneus.
A lista de exceções foi ampliada no anúncio do tarifaço de 25% sobre as exportações brasileiras. Ainda assim, nos cálculos do ministério, 18% das exportações serão atingidas, 57% estão isentas e 24% ficarão sujeitas a taxas setoriais, como o aço e o alumínio.
O Mdic vai atuar agora em duas frentes: deve se reunir com setores atingidos e federações, como a CNI (Confederação Nacional da Indústria) para ouvir demandas e possivelmente organizar uma nova rodada do Brasil Soberano, programa governamental com linhas de financiamento para socorrer setores. A intenção, no entanto, é que o novo plano seja menor.
A outra frente de trabalho é seguir nas negociações com o USTR (Representante Comercial do Estados Unidos), com a ressalva de que as conversas devem recomeçar dentro de algumas semanas.
A expectativa é que antes eles finalizem a imposição de outra taxa de 12,5% da seção 301 da Lei de Comércio. Essa investigação diz respeito ao Brasil e mais 59 países pelo uso de trabalho forçado em produtos importados. Por enquanto, a Lei de Reciprocidade tem baixa chance de ser aplicada.
Em conversa com a coluna, alguns setores atingidos revelaram a pauta que apresentarão ao governo: ajustes no plano Brasil Soberano, diferimento de impostos, reestabelecimento do Reintegra para empresas de médio e grande portes (uma espécie de cashback tributário) e ajustes de aportes de recursos da Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) nos projetos setoriais.
























