Tarifas afetaram comércio com os EUA em agosto, diz MDIC
Valor das exportações ao país norte-americano cresceu 12,1%, mesmo com queda de 3,1% na quantidade embarcada; tarifas tiveram início no fim de julho
Caio Barcellos
Embraer | Leandro Fonseca/Exame
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) afirmou nesta sexta-feira (4) que as novas tarifas dos Estados Unidos já produziram efeitos sobre o comércio bilateral em agosto, apesar de o valor total das exportações brasileiras ao país ter crescido 12,1%, para US$ 3,19 bilhões, na comparação com o mesmo mês de 2025.
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A alta de US$ 3,19 bilhões ocorreu principalmente por causa dos preços. Segundo o diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do MDIC, Erlon Brandão, os preços dos produtos vendidos aos Estados Unidos avançaram 8,6%, enquanto a quantidade embarcada caiu 3,1%.
“Esse aumento do mês está calcado pelo crescimento de preços da exportação para os Estados Unidos de 8,6%. O volume apresentou uma leve queda de 3,1%”, afirmou Brandão durante a apresentação dos dados da balança comercial.
O diretor afirmou que agosto foi o primeiro mês inteiro em que o comércio bilateral esteve sujeito às novas regras tarifárias, que passaram a vigorar no fim de julho. Segundo cálculos apresentados pelo MDIC, pouco mais de 20% do comércio brasileiro com os Estados Unidos foi alcançado pelas tarifas.
“É esperado que a tarifa, sim, tenha tido algum efeito nesse mês de agosto, já que elas passaram a vigorar no final de julho. Esse mês todo o comércio já sofre com esse efeito das tarifas”, disse.
Contudo, Brandão ressaltou que o resultado agregado reúne produtos sujeitos a diferentes tratamentos tarifários e também mercadorias cujas vendas dependem principalmente das condições de oferta e demanda.
Entre os produtos que mais contribuíram para o crescimento das exportações aos Estados Unidos no mês estiveram aeronaves e equipamentos, carne bovina e produtos semiacabados de ferro e aço. As vendas de aeronaves cresceram 689,2%, para US$ 273,5 milhões, enquanto as de carne bovina avançaram 385,1%, para US$ 182,2 milhões. Os produtos semiacabados de ferro e aço cresceram 55,2%, para US$ 390,3 milhões.
Segundo Brandão, aeronaves e carne bovina ficaram fora da majoração tarifária mencionada pelo governo, enquanto produtos semiacabados de aço estão sujeitos às medidas da Seção 232 dos Estados Unidos. No caso das aeronaves, o diretor afirmou que a forte alta “provavelmente é uma questão de cumprimento de contrato com os importadores do país”.
Entre janeiro e agosto, as exportações brasileiras aos Estados Unidos caíram 9,7% em relação ao mesmo período de 2025, para cerca de US$ 24,1 bilhões.
Questionado sobre um possível redirecionamento para outros mercados dos produtos afetados pelas medidas norte-americanas, Brandão afirmou que ainda é cedo para separar o efeito das tarifas dos demais fatores que interferem no comércio internacional.
“Precisamos de um pouco mais de tempo para falar com mais segurança sobre esse efeito do redirecionamento”, afirmou. Segundo ele, o movimento é esperado, mas ainda é difícil identificá-lo com precisão nos dados disponíveis.
Tarifas afetaram comércio com os EUA em agosto, diz MDICValor das exportações ao país norte-americano cresceu 12,1%, mesmo com queda de 3,1% na quantidade embarcada; tarifas tiveram início no fim de julhoEconomia2026-09-04T19:58:02.917ZO Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) afirmou nesta sexta-feira (4) que as novas tarifas dos Estados Unidos já produziram efeitos sobre o comércio bilateral em agosto, apesar de o valor total das exportações brasileiras ao país ter crescido 12,1%, para US$ 3,19 bilhões, na comparação com o mesmo mês de 2025. A alta de US$ 3,19 bilhões ocorreu principalmente por causa dos preços. Segundo o diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do MDIC, Erlon Brandão, os preços dos produtos vendidos aos Estados Unidos avançaram 8,6%, enquanto a quantidade embarcada caiu 3,1%. “Esse aumento do mês está calcado pelo crescimento de preços da exportação para os Estados Unidos de 8,6%. O volume apresentou uma leve queda de 3,1%”, afirmou Brandão durante a apresentação dos dados da balança comercial. O diretor afirmou que agosto foi o primeiro mês inteiro em que o comércio bilateral esteve sujeito às que passaram a vigorar no fim de julho. Segundo cálculos apresentados pelo MDIC, pouco mais de 20% do comércio brasileiro com os Estados Unidos foi alcançado pelas tarifas. “É esperado que a tarifa, sim, tenha tido algum efeito nesse mês de agosto, já que elas passaram a vigorar no final de julho. Esse mês todo o comércio já sofre com esse efeito das tarifas”, disse. Contudo, Brandão ressaltou que o resultado agregado reúne produtos sujeitos a diferentes tratamentos tarifários e também mercadorias cujas vendas dependem principalmente das condições de oferta e demanda. Entre os produtos que mais contribuíram para o crescimento das exportações aos Estados Unidos no mês estiveram aeronaves e equipamentos, carne bovina e produtos semiacabados de ferro e aço. As vendas de aeronaves cresceram 689,2%, para US$ 273,5 milhões, enquanto as de carne bovina avançaram 385,1%, para US$ 182,2 milhões. Os produtos semiacabados de ferro e aço cresceram 55,2%, para US$ 390,3 milhões. Segundo Brandão, aeronaves e carne bovina ficaram fora da majoração tarifária mencionada pelo governo, enquanto produtos semiacabados de aço estão sujeitos às medidas da Seção 232 dos Estados Unidos. No caso das aeronaves, o diretor afirmou que a forte alta “provavelmente é uma questão de cumprimento de contrato com os importadores do país”. Avanço contrasta com queda no ano Entre janeiro e agosto, as exportações brasileiras aos Estados Unidos caíram 9,7% em relação ao mesmo período de 2025, para cerca de US$ 24,1 bilhões. Questionado sobre um possível redirecionamento para outros mercados dos produtos afetados pelas medidas norte-americanas, Brandão afirmou que ainda é cedo para separar o efeito das tarifas dos demais fatores que interferem no comércio internacional. “Precisamos de um pouco mais de tempo para falar com mais segurança sobre esse efeito do redirecionamento”, afirmou. Segundo ele, o movimento é esperado, mas ainda é difícil identificá-lo com precisão nos dados disponíveis. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/economia/tarifas-afetaram-comercio-com-os-eua-em-agosto-diz-mdic