Resenha: 'God of War: Sons of Sparta' é o jogo menos inspirado da franquia até hoje
Novo spin-off aposta em narrativa sobre juventude do guerreiro espartano, mas combate repetitivo e exploração irregular limitam o potencial do jogo

Vinícius Gobira
Receber um novo jogo da franquia God of War sempre gera expectativa. Mesmo quando surge de forma inesperada, como aconteceu com God of War: Sons of Sparta, revelado em um State of Play que foi considerado um dos melhores dos últimos anos.
O novo título tenta algo diferente dentro da série. Em vez de seguir a estrutura cinematográfica e em terceira pessoa que marcou os jogos mais recentes, o projeto aposta em um formato de metroidvania em 2D, explorando um período pouco retratado da vida de Kratos: sua juventude como recruta espartano.
A ideia é interessante. Na prática, o resultado é um jogo que funciona melhor como expansão narrativa do universo de God of War do que como um metroidvania.
Uma história focada na juventude de Kratos
A narrativa começa com Kratos contando uma história para sua filha, Calíope. A conversa serve como ponto de partida para revisitar o passado do protagonista, ainda adolescente.
Nesse período, Kratos é um jovem soldado promissor em Esparta, tentando provar seu valor enquanto também precisa cuidar do irmão mais novo, Deimos.
O jogo passa um bom tempo sem deixar claro qual é o verdadeiro objetivo da campanha. As primeiras missões acontecem quase sem contexto, o que gera uma sensação curiosa: você avança na história enquanto tenta entender para onde a narrativa realmente está indo.
Esse tipo de abordagem não é estranho no gênero metroidvania, jogos como Hollow Knight exploram exatamente essa liberdade. A diferença é que, em Sons of Sparta, existe uma sequência de missões relativamente guiada, o que torna essa falta de direção um pouco mais perceptível.
Ainda assim, o carisma dos personagens ajuda a sustentar a narrativa. Um Kratos mais jovem apresenta uma personalidade menos rígida, enquanto Deimos traz uma energia impulsiva típica da adolescência.

Exploração é um dos pontos fortes
Se existe um aspecto em que Sons of Sparta realmente acerta, é na estrutura de exploração. Como todo bom metroidvania, o jogo apresenta um mapa interligado, cheio de caminhos alternativos, áreas bloqueadas e segredos que só podem ser acessados após adquirir novas habilidades.
A desenvolvedora Mega Cat Studios construiu um design de fases eficiente. O mérito não está apenas na estética, mas principalmente na forma como os elementos são posicionados para incentivar curiosidade: portas que claramente exigem novas habilidades, caminhos ocultos e puzzles ambientais que convidam o jogador a desviar da rota principal.
Esse tipo de estrutura mantém o jogador interessado em explorar cada canto do mapa. O problema é que as recompensas nem sempre justificam o esforço.
Combate simples e pouco inspirado
Se a exploração funciona bem, o mesmo não pode ser dito do sistema de combate.
Kratos utiliza principalmente uma lança, que pode ser modificada com diferentes peças — lâminas, ponteiras e empunhaduras — que alteram levemente a dinâmica das batalhas. No papel, a ideia parece promissora. Na prática, as mudanças são sutis demais para realmente transformar a experiência.
O resultado é um combate que rapidamente se torna repetitivo. Grande parte das batalhas acaba reduzida a sequências simples de ataques básicos. Esse tipo de combate remete muito a outros jogos do gênero com combate mais simplificado, como Shadow of Labyrinth.
As magias até ampliam o arsenal do personagem, permitindo usar projéteis, lâminas e outras habilidades, mas a barra de mana é limitada e demora a se recuperar. Em confrontos mais longos, é comum ficar sem recursos e voltar ao ataque padrão.

Sobrevivência constante e recursos escassos
Outro fator que influencia o ritmo do gameplay é a gestão da barra de vida. Embora os checkpoints não estejam excessivamente distantes, grande parte da campanha é marcada pela constante busca por formas de recuperar energia. Isso cria uma tensão interessante em alguns momentos, mas também pode tornar certos trechos mais cansativos do que desafiadores.
Essa inconsistência se reflete em vários aspectos do jogo. Há momentos realmente empolgantes, em que narrativa, exploração e trilha sonora se alinham para criar sequências memoráveis. Em outros, a experiência parece funcionar no piloto automático.
Até a trilha sonora segue essa lógica: algumas faixas surpreendem ao misturar elementos modernos, mas outras se repetem com frequência. Além disso, durante a gameplay, há alguns problemas de instabilidade na dublagem, mas nada que tire a imersão, no final.
Vale a pena jogar?
No fim das contas, God of War: Sons of Sparta não é um jogo ruim. Ele apenas parece menos inspirado do que se espera de um título da franquia.
Como expansão da mitologia de Kratos, o jogo funciona bem. A história adiciona contexto interessante ao passado do personagem e apresenta relações familiares que enriquecem o universo da série.
Já como metroidvania, ele entrega uma experiência competente, mas longe de competir com os grandes nomes do gênero.
God of War: Sons of Sparta pode ser uma viagem interessante pelo passado do Fantasma de Esparta, mas para quem busca um grande metroidvania, existem opções mais criativas, mais baratas e mais equilibradas no mercado.









