Dan Reynolds, vocalista do Imagine Dragons, entra no mundo dos games com Last Flag
Jogo criado pelo músico em parceria com o irmão, Mac Reynolds, busca conquistar espaço no competitivo mercado de "shooters"

Vinícius Gobira
Lançar um shooter em 2026 não é exatamente a decisão mais confortável do mundo. O gênero vive um momento de saturação, com projetos sendo questionados antes mesmo de chegarem ao público. Ainda assim, é nesse cenário que Last Flag surge, idealizado por Dan Reynolds, vocalista do Imagine Dragons, ao lado do irmão Mac Reynolds, à frente da Night Street Games.
Nós tivemos a oportunidade de testar o jogo com os criadores, por cerca de 45 minutos, em uma build diferente da atualmente disponível na Steam. Mais do que isso: jogamos diretamente contra Dan e Mac.
Rouba-bandeira antes de shooter
Em Last Flag, cada equipe esconde sua bandeira em qualquer ponto do próprio território. Após a fase inicial de preparação, o mapa se abre e a disputa começa pelo controle de três torres centrais.
Dominar essas torres garante cura, mobilidade e, principalmente, reduz a área de busca da bandeira adversária. Quanto mais torres sob controle, menos quadrantes restam para procurar o objetivo.
Capturar a bandeira não encerra a partida imediatamente. É preciso levá-la até a base e defendê-la por um período determinado. Caso o time adversário recupere o artefato, tudo recomeça. É nesse ciclo que o jogo encontra sua tensão principal: a sensação constante de que nada está decidido até o último segundo.
Segundo os próprios criadores, essa imprevisibilidade foi um pilar de design. A ideia é que nenhuma equipe se sinta totalmente derrotada, mesmo em situações aparentemente irreversíveis.

Valor acima da monetização agressiva
Em vez de apostar em passes de batalha ou vendas fragmentadas de conteúdo, Last Flag será um jogo pago com heróis e mapas incluídos no pacote principal. Cosméticos como skins, danças e finalizações são desbloqueados conforme o jogador evolui.
A equipe já trabalha em novos mapas - dois deles já estarão disponíveis no lançamento -, além de heróis adicionais. O plano é expandir o jogo com cuidado, priorizando identidade em vez de volume.
A música como identidade
Se a presença de Dan Reynolds poderia soar apenas como marketing, a trilha sonora indica o contrário. O game tem ambientação inspirada nos anos 1970 e conta com músicas compostas especificamente para ele, utilizando instrumentos reais.
Dan revelou que buscou inspiração em jogos como The Sims, criando canções que misturam palavras reais e trechos quase ininteligíveis, evocando sentimentos mais do que mensagens diretas. Novas faixas devem ser adicionadas ao longo do ciclo de vida do jogo, e uma trilha oficial não está descartada.

Um risco calculado
Mac Reynolds reconhece que lançar um shooter neste momento é um desafio, mas acredita que a vantagem de um estúdio independente está justamente na liberdade criativa.
A proposta não é competir sendo “mais um” dentro do gênero, mas oferecer algo diferente: um jogo que se define primeiro como "rouba-bandeira" estratégico e só depois como um shooter.
Last Flag deve chegar ainda no primeiro semestre de 2026 para PC, com versões para consoles em desenvolvimento.
Se conseguirá romper a barreira do ceticismo do público, ainda é cedo para dizer. Mas carisma, identidade e ambição definitivamente não faltam.









