Após absolvição polêmica, Duda Salabert leva denúncias contra Magid Nauef Láuar ao CNJ
Ao SBT News, parlamentar relata denúncias de assédio e abuso contra desembargador que votou pela absolvição de homem de 35 anos que 'namorava' menina de 12

Vicklin Moraes
A deputada federal Duda Salabert (PDT-MG) afirmou, em entrevista exclusiva ao SBT News nesta terça-feira (24), que encaminhou ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e ao Ministério Público (MP) denúncias de suposto abuso sexual contra o desembargador Magid Nauef Láuar, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG).
O magistrado foi relator do processo que resultou na absolvição, em segunda instância, de um homem de 35 anos acusado de estupro de vulnerável contra uma menina de 12 anos. A decisão foi tomada por dois votos a um.
Segundo a deputada, as denúncias contra o desembargador chegaram ao gabinete dela após a repercussão do julgamento.
“Primeiro, houve uma decisão absurda do Tribunal de Justiça de Minas Gerais inocentando um pedófilo que estuprou uma menina de 12 anos. Isso, por si só, é gravíssimo, porque fere a Constituição Federal, o Estatuto da Criança e do Adolescente e a legislação penal, que é clara ao estabelecer que relações sexuais com menores de 14 anos configuram crime”, afirmou.
Após a divulgação do caso, Salabert diz ter recebido relatos de pessoas que alegam ter sido vítimas de assédio, abuso sexual e até pedofilia envolvendo o magistrado. “É algo assustador”, declarou.
Segundo a parlamentar, as supostas vítimas estão em contato com o gabinete. Ela afirma que os relatos foram encaminhados ao CNJ, para apuração administrativa, e ao Ministério Público, para eventual investigação criminal.
A deputada disse que os nomes das pessoas não foram divulgados por se tratarem de episódios “dolorosos” e pelo receio de retaliações, já que envolvem integrante do alto escalão do Judiciário.
Um dos denunciantes é Saulo Lauar, sobrinho do magistrado, que prestou depoimento ao CNJ. Em entrevista ao SBT News, ele afirmou: “Eu não podia mais ficar omisso”. Segundo relato publicado, o caso teria ocorrido quando ele tinha 14 anos. Ele disse que o crime já prescreveu e que decidiu falar para “tentar mudar a Justiça brasileira”.
O SBT News procurou o desembargador citado, mas não obteve resposta.
Durante a entrevista, a deputada também defendeu a revisão de mecanismos de responsabilização de magistrados e destacou que vítimas de violência sexual enfrentam barreiras psicológicas, sociais e profissionais para denunciar.
“Quando há uma denúncia, abre-se caminho para a punição. O silêncio precisa ser quebrado, por mais doloroso que seja”, afirmou.
Procurado, o maginstrado Magib Nauef Láuar ainda não se manifestou sobre o caso.









