TCU aponta falhas no mapeamento de riquezas minerais pelo governo
Auditoria identificou fragilidades na atuação de estatal que governo quer reformular e cita baixa coordenação do Ministério de Minas e Energia
Caio Barcellos
TCU aponta falhas no mapeamento de riquezas minerais pelo governo | Agência Brasil
O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas relevantes na formulação e execução dos planos de mapeamento geológico e pesquisa mineral do país, considerados centrais para a política de minerais estratégicos e para a transição energética.
Em auditoria aprovada nesta quarta-feira (22), a Corte concluiu que o Ministério de Minas e Energia (MME) não definiu adequadamente as políticas públicas do Serviço Geológico do Brasil (SGB), nome usado pela Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM). O ministério também deixou brechas na definição de prioridades e na gestão de recursos.
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O tribunal alerta que essas falhas podem reduzir a capacidade do Brasil de aproveitar a demanda global por minerais críticos, como lítio e terras raras, e afetar a segurança energética.
Segundo dados da própria empresa, apenas 27% do território geológico brasileiro foi mapeado na escala 1:100.000, considerada a proporção mais adequada.
Entenda as falhas
Segundo o tribunal, o modelo atual apresenta fragilidades de governança pelo MME que comprometem a efetividade da política pública.
"Não foram identificados registros documentais de participação técnica do MME na definição das áreas prioritárias de mapeamento geológico e pesquisa de recursos minerais, nem evidências de articulação interministerial voltadas a subsidiar esse processo", diz o relatório do ministro Benjamin Zymler.
Também é destacada a falta de registros de coordenação entre diferentes ministérios para validar as prioridades dos planos, o que pode gerar desalinhamento com outras políticas públicas, como agricultura ou transição energética.
O documento cita ainda problemas de transparência e monitoramento, com pouca evidência de acompanhamento sistemático das ações por parte do governo federal.
"Também se observou deficiência no monitoramento e na supervisão sistemática das ações executadas pelo SGB/CPRM, indicando a ausência de mecanismos formais de acompanhamento e avaliação das entregas do PlanGeo por parte do MME", afirma.
Outros pontos elencados são as falhas na rastreabilidade orçamentária e a falta de detalhamento regional dos investimentos. Foram identificadas ainda inconsistências em indicadores de eficiência e eficácia e divergências entre metas previstas e executadas.
Impasse sobre estatal
O diagnóstico do TCU ocorre em meio a divergências no governo e no Congresso sobre o desenho da política para minerais críticos. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), adiou a votação do projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos após pedido do Planalto por mais tempo para negociar mudanças.
O principal ponto de conflito é a proposta de criação de uma estatal para o setor, conhecida como Terrabras, defendida por parte do governo, mas rejeitada pelo relator, Arnaldo Jardim (Cidadania-SP).
A empresa pública seria criada a partir da CPRM e teria atuação em toda a cadeia de minerais estratégicos, incluindo o mapeamento geológico, o apoio à exploração e ao desenvolvimento desses recursos.
Dentro do Executivo, há divisão entre áreas que defendem maior protagonismo estatal e integrantes da equipe econômica, que preferem um modelo baseado na atração de investimentos privados.
TCU aponta falhas no mapeamento de riquezas minerais pelo governoAuditoria identificou fragilidades na atuação de estatal que governo quer reformular e cita baixa coordenação do Ministério de Minas e EnergiaEconomia2026-04-22T22:20:19.980ZO Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas relevantes na formulação e execução dos planos de mapeamento geológico e pesquisa mineral do país, considerados centrais para a política de minerais estratégicos e para a transição energética. Em auditoria aprovada nesta quarta-feira (22), a Corte concluiu que o Ministério de Minas e Energia (MME) não definiu adequadamente as políticas públicas do Serviço Geológico do Brasil (SGB), nome usado pela Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM). O ministério também deixou brechas na definição de prioridades e na gestão de recursos. O tribunal alerta que essas falhas podem reduzir a capacidade do Brasil de aproveitar a demanda global por minerais críticos, como lítio e terras raras, e afetar a segurança energética. Segundo dados da própria empresa, apenas 27% do território geológico brasileiro foi mapeado na escala 1:100.000, considerada a proporção mais adequada. Entenda as falhas Segundo o tribunal, o modelo atual apresenta fragilidades de governança pelo MME que comprometem a efetividade da política pública. "Não foram identificados registros documentais de participação técnica do MME na definição das áreas prioritárias de mapeamento geológico e pesquisa de recursos minerais, nem evidências de articulação interministerial voltadas a subsidiar esse processo", diz o relatório do ministro Benjamin Zymler. Também é destacada a falta de registros de coordenação entre diferentes ministérios para validar as prioridades dos planos, o que pode gerar desalinhamento com outras políticas públicas, como agricultura ou transição energética. O documento cita ainda problemas de transparência e monitoramento, com pouca evidência de acompanhamento sistemático das ações por parte do governo federal. "Também se observou deficiência no monitoramento e na supervisão sistemática das ações executadas pelo SGB/CPRM, indicando a ausência de mecanismos formais de acompanhamento e avaliação das entregas do PlanGeo por parte do MME", afirma. Outros pontos elencados são as falhas na rastreabilidade orçamentária e a falta de detalhamento regional dos investimentos. Foram identificadas ainda inconsistências em indicadores de eficiência e eficácia e divergências entre metas previstas e executadas. Impasse sobre estatal O diagnóstico do TCU ocorre em meio a divergências no governo e no Congresso sobre o desenho da política para minerais críticos. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), adiou a votação do projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos após pedido do Planalto por mais tempo para negociar mudanças. O principal ponto de conflito é a proposta de criação de uma estatal para o setor, conhecida como Terrabras, defendida por parte do governo, mas rejeitada pelo relator, Arnaldo Jardim (Cidadania-SP). A empresa pública seria criada a partir da CPRM e teria atuação em toda a cadeia de minerais estratégicos, incluindo o mapeamento geológico, o apoio à exploração e ao desenvolvimento desses recursos. Dentro do Executivo, há divisão entre áreas que defendem maior protagonismo estatal e integrantes da equipe econômica, que preferem um modelo baseado na atração de investimentos privados.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/economia/tcu-aponta-falhas-no-mapeamento-de-riquezas-minerais-pelo-governo