Saúde

Microplástico são identificados em cérebros humanos. O que isso significa?

Estudo da Nature revela que microplásticos entram no corpo pela ingestão ou inalação. Os impactos à saúde ainda estão sendo investigados

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Murillo Otavio
12/02/2025, 15:15 • Atualizado em 12/02/2025, 15:15
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Poluição - Reprodução/Freepik

Poluição - Reprodução/Freepik

Pesquisadores identificaram microplásticos em cérebros humanos, segundo um estudo publicado na revista Nature neste mês. A descoberta levanta preocupações sobre os possíveis impactos dessas substâncias na saúde.

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O processo para identificar o material consiste em isolar as partículas plásticas. Para isso, os cientistas utilizaram um processo químico que dissolve os tecidos cerebrais. O toxicologista Matthew Campen tem aplicado esse método para rastrear microplásticos e nanoplásticos em corpos humanos. No estudo, foram encontrados cerca de 10 gramas de plástico em um cérebro humano doado, o equivalente ao peso de um giz de cera novo.

Os pesquisadores acreditam que os microplásticos entram no organismo por meio da ingestão de alimentos e água contaminados ou pela inalação de partículas suspensas no ar. Uma vez no corpo, essas substâncias podem atingir a corrente sanguínea e, eventualmente, o cérebro. Além do sistema nervoso, estudos anteriores já haviam detectado a presença dessas partículas em órgãos como fígado e rins.

Os riscos para a saúde

A identificação de microplásticos no corpo humano é apenas o primeiro passo. O maior desafio é entender como essas partículas afetam a saúde, pois elas variam em tamanho, forma e composição química, o que pode influenciar seus efeitos sobre células e tecidos.

Em laboratório, cientistas observaram que a exposição a microplásticos pode causar morte celular, inflamações e danos aos tecidos. Experimentos com animais mostraram que essas partículas podem obstruir o sistema digestivo e comprometer a reprodução.

Com base nesses achados, pesquisadores suspeitam que os microplásticos estejam ligados a doenças como câncer, problemas cardíacos, renais, Alzheimer e infertilidade.

No entanto, ainda não há provas concretas de que essas substâncias causem diretamente esses problemas em humanos.

Alerta sobre o consumo de plástico

A produção de plásticos, iniciada há menos de um século, bate recordes anuais e pode levar centenas ou até milhares de anos para se degradar, gerando trilhões de microplásticos ao longo do tempo.

Nos últimos dois anos, países de todo o mundo têm negociado um tratado global para reduzir a poluição por plásticos. Liderado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, o acordo pode impor limites à produção do material, reduzindo a contaminação ambiental por microplásticos. No entanto, as negociações ainda não chegaram a um consenso definitivo, e novas reuniões estão previstas para este ano.

Na contramão dessa tendência, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou recentemente uma ordem executiva incentivando o uso de canudos de plástico no país. A medida revoga uma decisão do governo de Joe Biden, que estimulava a substituição dos canudos plásticos por versões de papel.

Atualmente, cerca de 400 milhões de toneladas de plástico são produzidas anualmente, e esse número pode mais que dobrar até 2050.

Mesmo que a produção fosse interrompida hoje, as cerca de 5 bilhões de toneladas de plástico já descartadas no meio ambiente e em aterros continuariam se degradando, liberando microplásticos por tempo indeterminado. Controlar essa poluição agora é essencial para evitar que o problema se agrave ainda mais.

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