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Brasil é 8º maior poluidor de plástico do mundo, diz estudo

País despeja cerca de 1,3 milhão de toneladas do material anualmente nos mares; cenário afeta vida marinha e saúde humana

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Camila Stucaluc
18/10/2024, 09:29 • Atualizado em 18/10/2024, 09:29
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Estudo da Oceana traz novos números dos impactos dessa poluição em aves, peixes, tartarugas e mamíferos | Unsplash

Estudo da Oceana traz novos números dos impactos dessa poluição em aves, peixes, tartarugas e mamíferos | Unsplash

O Brasil está entre os 10 maiores poluidores de plástico do mundo. É o que aponta um estudo da ONG Oceana, divulgado na quinta-feira (17). Segundo os dados, aproximadamente 1,3 milhão de toneladas do material são despejadas anualmente nos mares, o que deixa o país em 8º lugar no ranking global de poluição plástica.

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O cenário já está afetando a fauna marinha e a saúde da população. Ao todo, 200 espécies marinhas foram encontradas com ingestão de plástico no Brasil, inclusive em riachos da Amazônia, onde 98% dos peixes analisados continham o material no intestino e nas brânquias. Em relação às tartarugas verdes, o número chega a 70%.

Os pesquisadores explicam que o plástico, quando ingerido por animais marinhos, leva à desnutrição, diminuição da imunidade e até à morte, além de expor os organismos a compostos químicos nocivos. Entre as tartarugas-verdes, por exemplo, cada grama de plástico ingerido aumenta em 450% o risco de definhamento.

Além de prejudicar os animais, o plástico vem afetando a saúde humana. Isso porque, de acordo com o estudo, o microplástico já faz parte da dieta humana, sendo encontrado em 9 das 10 espécies de peixes mais consumidos globalmente. “Tudo isso faz dessa contaminação uma questão de saúde pública”, frisam os especialistas.

Luta por aprovação de projeto de lei

Mesmo com a alta produção de plástico, sendo líder na América Latina, o Brasil ainda não tem uma legislação específica que regule essa produção, nem mesmo em relação aos itens descartáveis. A ONG Oceana chama a atenção para o Projeto de Lei (PL) 2524/2022, estacionado na Comissão de Assuntos Econômicos no Senado desde 2023.

O texto, apoiado por um conjunto de 80 organizações da sociedade civil, propõe a implementação de uma Economia Circular do Plástico, por meio de medidas que reinserem o plástico no sistema de produção e consumo – seja pela reutilização e efetiva reciclagem ou pela compostagem, evitando que ele seja descartado na natureza.

“A solução urgente, prática e concreta para impedir que o plástico de uso único continue poluindo o mar é reduzir a produção, a oferta e o consumo desse material. O primeiro passo é substituir, gradativamente, todo o plástico problemático e evitável, como os produtos descartáveis, por alternativas retornáveis, reutilizáveis, que não gerem resíduos, ou por materiais alternativos mais sustentáveis”, diz o relatório.

Cenário global

No contexto global, são cerca de 460 milhões de toneladas de lixo plástico produzidas por ano, conforme dados do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). Um terço desse número é composto por embalagens, sobretudo descartáveis.

A previsão é que a produção plástica triplique até 2050 caso nada seja feito. Em meio ao temor, o Pnuma vem trabalhando no Tratado Global Contra a Poluição Plástica, cuja quinta e última rodada de negociações acontecerá em novembro deste ano, na cidade de Busan, na Coreia do Sul. Ao todo, 198 países participam do pacto.

“Os plásticos, incluindo os microplásticos, são agora onipresentes em nosso ambiente natural. Eles estão se tornando parte do registro fóssil da Terra e um marcador do Antropoceno, nossa era geológica atual. Eles até deram seu nome a um novo habitat microbiano marinho chamado ‘plastisfera’. É hora de mudar a forma como produzimos, consumimos e descartamos o plástico que usamos”, disse o Pnuma.

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