Ligamento cruzado posterior: a lesão do joelho ignorada
Enquanto a ruptura do ligamento cruzado anterior ganhou fama entre atletas, uma outra lesão importante muitas vezes não recebe a atenção necessária
Brazil Health
29/06/2026, 15:18 • Atualizado em 29/06/2026, 15:18
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Jogador André Silva teve lesão no joelho | Erico Leonan/São Paulo FC
Quando um jogador rompe o ligamento cruzado anterior (LCA), a notícia rapidamente ganha destaque. A maioria das pessoas já ouviu falar dessa lesão e sabe que ela costuma exigir um longo período de recuperação. Mas existe outro ligamento fundamental para a estabilidade do joelho que raramente recebe a mesma atenção: o ligamento cruzado posterior (LCP).
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Embora menos frequente que as lesões do LCA, o comprometimento do LCP continua sendo uma das lesões mais subdiagnosticadas da ortopedia esportiva. Em muitos casos, o paciente recebe o diagnóstico de entorse simples, melhora parcialmente dos sintomas e segue a vida sem perceber que o joelho continua apresentando alterações mecânicas importantes.
O resultado pode aparecer meses ou até anos depois, quando surgem dor persistente, sensação de instabilidade e sinais precoces de desgaste articular.
O LCP é responsável por impedir que a tíbia se desloque excessivamente para trás em relação ao fêmur. Ele costuma ser lesionado em situações específicas, como acidentes automobilísticos, quedas sobre o joelho dobrado ou traumas esportivos de maior impacto.
No entanto, nem todas as lesões do LCP provocam sintomas intensos. Em muitos casos, o paciente consegue voltar a caminhar, trabalhar e até praticar algumas atividades físicas após algumas semanas.
Isso acontece porque o ligamento cruzado posterior possui certa capacidade de cicatrização. O problema é que essa cicatrização nem sempre devolve a tensão original do ligamento. Em alguns pacientes, ele cicatriza mais frouxo, tornando-se incapaz de estabilizar adequadamente o joelho.
Como os sintomas costumam ser discretos e aparecem apenas em determinados movimentos ou situações específicas, muitas pessoas acreditam que o problema foi resolvido espontaneamente. A dor diminui, o inchaço desaparece e a vida segue normalmente.
O joelho, porém, pode continuar funcionando com uma instabilidade sutil. E é justamente essa instabilidade silenciosa que favorece alterações mecânicas capazes de acelerar o desgaste da cartilagem ao longo dos anos.
Essa é uma das principais razões pelas quais as lesões do LCP continuam sendo subdiagnosticadas. Muitas vezes, quando o paciente procura ajuda especializada, já existe algum grau de desgaste articular decorrente de anos de funcionamento inadequado da articulação.
Nem toda lesão do LCP precisa de cirurgia
Uma característica importante do ligamento cruzado posterior é que muitas lesões podem ser tratadas sem cirurgia, especialmente quando apresentam menor grau de instabilidade. Nesses casos, o fortalecimento muscular e a fisioterapia desempenham papel fundamental na recuperação funcional.
O tratamento conservador costuma apresentar bons resultados quando existe diagnóstico correto, acompanhamento adequado e adesão ao programa de reabilitação. Por outro lado, lesões mais graves, instabilidades significativas ou associações com outros ligamentos podem exigir tratamento cirúrgico.
A decisão não depende apenas da imagem da ressonância magnética. São considerados fatores como grau de instabilidade, sintomas do paciente, nível de atividade física, idade e expectativas funcionais. Por isso, a avaliação individualizada continua sendo essencial.
O problema pode aparecer muitos anos depois
Um dos maiores desafios das lesões do LCP é que as consequências nem sempre são imediatas.
Quando o joelho perde parte de sua estabilidade normal, algumas regiões da articulação passam a receber cargas diferentes das previstas biologicamente. Com o passar dos anos, esse desequilíbrio pode favorecer desgaste progressivo da cartilagem.
Estudos mostram que pacientes com lesões crônicas não tratadas apresentam maior risco de desenvolver alterações degenerativas, especialmente na articulação femoropatelar e no compartimento medial do joelho. Além disso, podem surgir sintomas como dor ao subir e descer escadas, sensação de insegurança durante atividades físicas e limitação funcional progressiva.
Isso não significa que toda lesão do LCP inevitavelmente levará à artrose. Significa apenas que o diagnóstico precoce permite acompanhar a evolução, orientar o tratamento mais adequado e reduzir riscos futuros. Enquanto o ligamento cruzado anterior se tornou conhecido por atletas e torcedores, o cruzado posterior continua sendo uma lesão frequentemente esquecida. E justamente por isso merece mais atenção.
Nem toda lesão grave provoca sintomas dramáticos. Algumas das que mais comprometem a qualidade de vida no futuro começam de forma silenciosa, passam despercebidas e só revelam suas consequências anos depois. Quando o assunto é joelho, identificar corretamente uma lesão hoje pode evitar problemas muito maiores amanhã.
** Leonardo Addeo é ortopedista e professor afiliado UNIFESP, EPM
Ligamento cruzado posterior: a lesão do joelho ignoradaEnquanto a ruptura do ligamento cruzado anterior ganhou fama entre atletas, uma outra lesão importante muitas vezes não recebe a atenção necessáriaSaúde2026-06-29T15:18:57.353ZQuando um jogador rompe o ligamento cruzado anterior (LCA), a notícia rapidamente ganha destaque. A maioria das pessoas já ouviu falar dessa lesão e sabe que ela costuma exigir um longo período de recuperação. Mas existe outro ligamento fundamental para a estabilidade do joelho que raramente recebe a mesma atenção: o ligamento cruzado posterior (LCP). Embora menos frequente que as lesões do LCA, o comprometimento do LCP continua sendo uma das lesões mais subdiagnosticadas da ortopedia esportiva. Em muitos casos, o paciente recebe o diagnóstico de entorse simples, melhora parcialmente dos sintomas e segue a vida sem perceber que o joelho continua apresentando alterações mecânicas importantes. O resultado pode aparecer meses ou até anos depois, quando surgem dor persistente, sensação de instabilidade e sinais precoces de desgaste articular. Quando o joelho parece curado, mas não está O LCP é responsável por impedir que a tíbia se desloque excessivamente para trás em relação ao fêmur. Ele costuma ser lesionado em situações específicas, como acidentes automobilísticos, quedas sobre o joelho dobrado ou traumas esportivos de maior impacto. No entanto, nem todas as lesões do LCP provocam sintomas intensos. Em muitos casos, o paciente consegue voltar a caminhar, trabalhar e até praticar algumas atividades físicas após algumas semanas. Isso acontece porque o ligamento cruzado posterior possui certa capacidade de cicatrização. O problema é que essa cicatrização nem sempre devolve a tensão original do ligamento. Em alguns pacientes, ele cicatriza mais frouxo, tornando-se incapaz de estabilizar adequadamente o joelho. Como os sintomas costumam ser discretos e aparecem apenas em determinados movimentos ou situações específicas, muitas pessoas acreditam que o problema foi resolvido espontaneamente. A dor diminui, o inchaço desaparece e a vida segue normalmente. O joelho, porém, pode continuar funcionando com uma instabilidade sutil. E é justamente essa instabilidade silenciosa que favorece alterações mecânicas capazes de acelerar o desgaste da cartilagem ao longo dos anos. Essa é uma das principais razões pelas quais as lesões do LCP continuam sendo subdiagnosticadas. Muitas vezes, quando o paciente procura ajuda especializada, já existe algum grau de desgaste articular decorrente de anos de funcionamento inadequado da articulação. Nem toda lesão do LCP precisa de cirurgia Uma característica importante do ligamento cruzado posterior é que muitas lesões podem ser tratadas sem cirurgia, especialmente quando apresentam menor grau de instabilidade. Nesses casos, o fortalecimento muscular e a fisioterapia desempenham papel fundamental na recuperação funcional. O tratamento conservador costuma apresentar bons resultados quando existe diagnóstico correto, acompanhamento adequado e adesão ao programa de reabilitação. Por outro lado, lesões mais graves, instabilidades significativas ou associações com outros ligamentos podem exigir tratamento cirúrgico. A decisão não depende apenas da imagem da ressonância magnética. São considerados fatores como grau de instabilidade, sintomas do paciente, nível de atividade física, idade e expectativas funcionais. Por isso, a avaliação individualizada continua sendo essencial. O problema pode aparecer muitos anos depois Um dos maiores desafios das lesões do LCP é que as consequências nem sempre são imediatas. Quando o joelho perde parte de sua estabilidade normal, algumas regiões da articulação passam a receber cargas diferentes das previstas biologicamente. Com o passar dos anos, esse desequilíbrio pode favorecer desgaste progressivo da cartilagem. Estudos mostram que pacientes com lesões crônicas não tratadas apresentam maior risco de desenvolver alterações degenerativas, especialmente na articulação femoropatelar e no compartimento medial do joelho. Além disso, podem surgir sintomas como dor ao subir e descer escadas, sensação de insegurança durante atividades físicas e limitação funcional progressiva. Isso não significa que toda lesão do LCP inevitavelmente levará à artrose. Significa apenas que o diagnóstico precoce permite acompanhar a evolução, orientar o tratamento mais adequado e reduzir riscos futuros. Enquanto o ligamento cruzado anterior se tornou conhecido por atletas e torcedores, o cruzado posterior continua sendo uma lesão frequentemente esquecida. E justamente por isso merece mais atenção. Nem toda lesão grave provoca sintomas dramáticos. Algumas das que mais comprometem a qualidade de vida no futuro começam de forma silenciosa, passam despercebidas e só revelam suas consequências anos depois. Quando o assunto é joelho, identificar corretamente uma lesão hoje pode evitar problemas muito maiores amanhã. ** Leonardo Addeo é ortopedista e professor afiliado UNIFESP, EPMSão PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/saude/ligamento-cruzado-posterior-a-lesao-do-joelho-as-vezes-ignorada
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