Vacina da bronquiolite: pediatra Renato Kfouri explica nova proteção para bebês oferecida pelo SUS
Imunização protege também crianças de alto risco contra o vírus sincicial respiratório, principal causa de internações graves na infância

Naiara Ribeiro
O Sistema Único de Saúde (SUS) passou a oferecer, a partir deste mês, a vacina contra bronquiolite para bebês prematuros e crianças com comorbidades. A medida amplia a proteção contra o vírus sincicial respiratório (VSR), principal responsável pelos casos graves da doença em crianças pequenas.
Renato Kfouri, pediatra infectologista e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, falou em entrevista ao SBT News sobre a importância da imunização:
“Há muitos anos buscamos estratégias de combate à bronquiolite, que é a principal causa de internação em bebês durante o primeiro ano de vida. Essa doença tem impacto não só no período agudo, mas muitas das crianças que apresentam a doença têm problemas com ‘chiados constantes’ ao longo da vida. Isso, além do impacto na saúde das crianças, sobrecarrega hospitais.”
Segundo o especialista, a vacinação de gestantes, iniciada em dezembro de 2025, já representou um avanço importante, já que protege os bebês desde a gestação. Agora, com a imunização direta dos recém-nascidos prematuros, a prevenção é ainda mais eficaz e deve ajudar a reduzir internações graves e aliviar a ocupação de leitos de UTI.
A bronquiolite se caracteriza por falta de ar, cansaço e dificuldade respiratória. Embora a maioria dos casos seja leve, os episódios graves exigem cuidado e prevenção.
Para esta campanha, o Ministério da Saúde recomenda que bebês prematuros, com menos de 37 semanas de gestação, recebam a vacina ainda na maternidade. Crianças de alto risco (independentemente de prematuridade), como aquelas com problemas cardíacos, pulmonares, imunodeficiência ou síndrome de Down, devem receber uma segunda dose no ano seguinte.
Kfouri disse que a prematuridade eleva significativamente o risco de internação: “No Brasil, cerca de 12% dos bebês nascem prematuros, mas o risco de hospitalização desse grupo é até 16 vezes maior do que de bebês que nascem após os nove meses. Por isso, a vacinação é essencial para esse grupo mais vulnerável.”
O pediatra explicou que a vacina não impede a bronquiolite por completo, mas protege contra as formas mais graves da doença:
“O contato com o vírus também promove imunidade na criança. O fato de receber a imunização previne as formas graves, mas permite que ela tenha contato com o vírus. Assim, desenvolve imunidade natural, e o risco de agravamento cai cerca de 90%. Isso ajuda o sistema imunológico a reagir à doença conforme a criança cresce.”









