Treinar demais pode te machucar: sinais de que seu corpo pede socorro
O Dr. Rafael Rivas Pasco explica como identificar o excesso de treino e por que o descanso é essencial para evitar lesões e melhorar o desempenho


Brazil Health
A prática regular de atividade física é um dos pilares da saúde e do bom desempenho esportivo. No entanto, quando o estímulo ultrapassa a capacidade de adaptação do organismo, o que deveria trazer benefícios pode se transformar em um risco. O excesso de treino, conhecido como overtraining, ocorre quando não há equilíbrio entre carga, recuperação e descanso, levando a um estado de sobrecarga física e mental.
Diferentemente do cansaço esperado após um treino intenso, o overtraining provoca uma queda progressiva no rendimento, aumenta o risco de lesões musculares e articulares e compromete funções importantes do organismo. O problema é comum tanto em atletas de alto rendimento quanto em praticantes recreativos que acreditam que "treinar mais" é sempre a melhor estratégia para evoluir.
Sinais de alerta que o corpo dá antes da lesão
O corpo costuma emitir sinais claros quando está sendo exigido além do limite. Fadiga persistente, dores musculares que não desaparecem com o descanso habitual, rigidez articular, sensação de peso constante no corpo e dificuldade para completar treinos antes considerados leves são alguns dos primeiros alertas.
Outros sintomas também merecem atenção, como queda de desempenho, irritabilidade, alterações do sono, perda de motivação para treinar e maior frequência de lesões – especialmente tendinites, distensões musculares e dores articulares recorrentes. Em alguns casos, o sistema imunológico também pode ser afetado, aumentando a incidência de infecções e dificultando a recuperação entre as sessões de treino.
Ignorar esses sinais e insistir na continuidade do treinamento pode levar a quadros mais prolongados, exigindo semanas ou até meses de afastamento das atividades físicas para a recuperação completa.
Por que o descanso faz parte do treinamento
O descanso não é um sinal de fraqueza ou falta de comprometimento – é parte fundamental do processo de adaptação do corpo ao exercício. É durante os períodos de recuperação que ocorre a reparação das fibras musculares, o fortalecimento das articulações e o ajuste dos sistemas hormonal e neurológico.
Quando o descanso é insuficiente, o organismo entra em estado de estresse contínuo, com aumento do cortisol, piora da recuperação muscular e maior sobrecarga das estruturas articulares. Esse cenário favorece lesões por esforço repetitivo e reduz a capacidade do corpo de responder positivamente aos estímulos do treino.
Estratégias como alternância de intensidade, períodos de treino regenerativo, sono de qualidade e dias programados de descanso são essenciais para manter a evolução com segurança e consistência.
Prevenção é o caminho para desempenho sustentável
A prevenção do overtraining começa com um planejamento adequado e acompanhamento profissional. Ajustar a carga de treino à condição física individual, respeitar o tempo de adaptação do corpo e valorizar a recuperação são atitudes que fazem diferença no médio e longo prazo.
Ouvir o próprio corpo é fundamental. Dor persistente, queda de rendimento e exaustão não devem ser encaradas como parte obrigatória do processo. Ao contrário, são sinais de que algo precisa ser revisto. Treinar com inteligência significa entender que a evolução não acontece apenas durante o exercício, mas principalmente na forma como o corpo se recupera depois dele.
Manter o equilíbrio entre estímulo e descanso é o que permite não apenas evitar lesões, mas também alcançar resultados mais duradouros, seguros e eficientes.
Dr. Rafael Rivas Pasco – CRM/SC 15495 | RQE 15.008
Médico do Esporte
Membro da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBMEE)
Membro da Brazil Health









