Saúde

Por que a gripe parece mais forte hoje? Especialista explica

Aumento de casos e novas variantes alimentam a sensação de que os quadros estão mais intensos

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Camila Stucaluc
30/03/2026, 11:29 • Atualizado em 30/03/2026, 11:31
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Surto de influenza A lota hospitais pelo país | Reprodução

Surto de influenza A lota hospitais pelo país | Reprodução

Com o aumento recente de casos de síndromes respiratórias, cresce também a percepção de que “as gripes de hoje não são mais como antigamente”. Termos como “gripe K” e novas variantes de vírus têm circulado nas redes sociais, gerando dúvidas e preocupação na população. Mas, afinal, estamos lidando com doenças realmente novas ou com versões atualizadas de velhos conhecidos?

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De acordo com o infectologista do Hospital Oto Aldeota, Danilo Campos, a resposta envolve uma combinação de fatores. Os vírus respiratórios, especialmente o da Influenza, sempre apresentaram alta capacidade de mutação. Isso significa que, ao longo da história, novas variantes surgem constantemente, algumas mais transmissíveis ou com sintomas ligeiramente diferentes.

“O que vemos hoje não é exatamente uma ‘nova gripe’, mas sim a evolução natural de vírus que já circulam há décadas”, explica o infectologista. O vírus da Influenza, por exemplo, sofre mutações frequentes (processo conhecido como “deriva antigênica”), o que exige atualização anual das vacinas.

Além da Influenza, outros vírus também têm papel importante no cenário atual, como o da Covid-19, que passou a integrar o grupo das infecções respiratórias sazonais, e vírus já conhecidos como o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), especialmente entre crianças e idosos.

E a chamada “gripe K”?

Até o momento, não há reconhecimento científico formal de uma “gripe K” como uma nova doença distinta. Segundo Campos, o termo tem sido utilizado informalmente para se referir a quadros gripais mais intensos ou a variantes recentes de vírus respiratórios, mas não corresponde a uma classificação oficial da medicina.

Ele alerta que a disseminação de nomes não técnicos pode gerar confusão e dificultar o entendimento sobre os riscos reais da doença, principalmente em períodos de maior circulação de vírus respiratórios e aumento das notificações.

“Muitas vezes, a percepção de que as gripes estão mais fortes está relacionada ao aumento da vigilância sanitária após a pandemia, à variação da imunidade coletiva, à possibilidade de coinfecções e às mudanças no comportamento dos vírus, que podem torná-los mais transmissíveis, embora nem sempre mais perigosos”, explica.

Apesar das mudanças, os principais sintomas continuam conhecidos: febre, dor no corpo, tosse, congestão nasal e cansaço. Em casos mais graves, pode haver complicações respiratórias. A recomendação segue a mesma: vacinação anual contra Influenza, atenção aos grupos de risco, higiene das mãos e uso de máscara em caso de sintomas.

Isso significa que, embora os vírus evoluam constantemente, a ciência indica que não estamos diante de “gripes completamente novas”, mas sim de variações de doenças já conhecidas.

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