Saúde

Milhões sofrem com má circulação nas pernas: entenda os riscos e saiba como se proteger

Doença frequente pode causar dor, inchaço e feridas difíceis de tratar se não houver cuidados adequados

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Brazil Health
15/10/2025, 17:00 • Atualizado em 15/10/2025, 17:00
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Má circulação causa riscos à saúde | Reprodução

Má circulação causa riscos à saúde | Reprodução

A insuficiência venosa crônica é uma das doenças que mais afetam os vasos sanguíneos e, ao mesmo tempo, uma das mais ignoradas pelos pacientes. Estima-se que mais de 35% da população brasileira apresente algum grau desse problema, que atinge principalmente as pernas e está relacionado ao mau funcionamento das válvulas das veias. Elas deveriam permitir que o sangue siga apenas em direção ao coração, mas quando não funcionam bem, ocorre o chamado refluxo venoso: o sangue se acumula nas pernas, causando desde sensação de peso e dor até alterações na aparência e problemas graves.

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Sintomas vão além das varizes

Muita gente associa esse problema apenas às varizes, mas a doença é mais complexa. Entre os sintomas mais comuns estão: inchaço nas pernas ao final do dia, sensação de queimação ou cansaço, escurecimento da pele e o surgimento de pequenos vasos visíveis. Quando a situação piora, podem surgir feridas crônicas (úlceras), de difícil cicatrização, que comprometem a qualidade de vida.

Dados mostram que cerca de 2% dos adultos podem desenvolver feridas relacionadas à doença, trazendo impacto nos custos do sistema de saúde e na produtividade. Fatores como envelhecimento, excesso de peso, falta de atividade física, várias gestações e histórico familiar aumentam o risco. Profissionais que passam muito tempo em pé ou sentados, como professores, vendedores, cabeleireiros e motoristas, também estão mais vulneráveis.

O diagnóstico é feito por avaliação médica e pode ser complementado por exames de imagem, como o ultrassom, que analisa o fluxo sanguíneo e identifica falhas nas veias. Assim, é possível determinar o estágio do problema, que varia de sintomas leves até complicações graves. Essa avaliação é fundamental para definir o melhor tratamento.

Tratamento e prevenção: qualidade de vida em primeiro lugar

O tratamento da insuficiência venosa crônica depende do grau da doença. Nos casos leves, medidas simples já trazem bastante benefício: praticar exercícios regularmente, cuidar do peso, elevar as pernas no fim do dia e usar meias de compressão ajudam a melhorar a circulação e aliviar os sintomas. Quando há varizes mais visíveis, o médico pode indicar tratamentos como a aplicação de substâncias para "secar" os vasinhos ou procedimentos modernos, como o tratamento a laser ou por radiofrequência, que têm recuperação rápida e bons resultados estéticos. Quando a doença chega a quadros mais graves, principalmente se já existem feridas, o cuidado precisa ser realizado por uma equipe multidisciplinar. Além de tratar as lesões, o acompanhamento constante com especialista é fundamental para evitar que o problema volte. A prevenção é essencial: manter um estilo de vida ativo, evitar ficar muito tempo parado e usar meias de compressão, se necessário, são atitudes que ajudam a frear a evolução do quadro. A insuficiência venosa crônica pode parecer, a princípio, apenas um incômodo estético, mas é muito mais do que isso. Se não for tratada, pode causar problemas sérios e permanentes. O alerta é claro: quanto antes procurar atendimento e adotar hábitos preventivos, melhores as chances de ficar com as pernas saudáveis e preservar a qualidade de vida.

* Andréa Klepacz é cirurgiã vascular e membro da Brazil Health

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