'Virou crime chamar homem de homem', diz Nikolas Ferreira após ser condenado por transfobia
Deputado federal afirmou que mulher trans que denunciou discriminação se considerava mulher, mas era homem; caso ocorreu em setembro de 2022
Sofia Pilagallo
24/11/2025, 23:31 • Atualizado em 24/11/2025, 23:52
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Deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) visita o Centro de Confinamento do Terrorismo (CECOT), prisão de segurança máxima localizada em Tecoluca, San Vicente, El Salvador | Foto: Reprodução/X/@@nikolas_dm - 18.11.2025
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) criticou a decisão da Justiça de São Paulo, emitida nesta segunda-feira (24), que o condenou a indenizar em R$ 40 mil uma mulher transexual. Nas redes sociais, Nikolas afirmou que "virou crime chamar homem de homem".
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"Virou crime chamar homem de homem. Repito: virou crime dizer uma verdade biológica", escreveu Nikolas em publicação no Instagram. "Centenas de processos, nenhum condenado por corrupção, lavagem de dinheiro, desvio de emenda e roubo de aposentado. Só resta condenar por dizer verdades. Ser perseguido pelo mal é o preço de não ser um deles."
O caso ocorreu em setembro de 2022, quando Nikolas ainda atuava como vereador em Belo Horizonte. À época, uma mulher trans alegou ter sido vítima de transfobia em um salão de beleza e foi às redes sociais denunciar o caso.
Em vídeo, a vítima, que procurava serviço de depilação, relatou que a dona do estabelecimento se recusou a atendê-la, pois "só atendia mulheres biológicas". Nikolas, então, republicou o vídeo, adicionando comentários de natureza discriminatória.
"Essa pessoa aqui se considera mulher, mas ela é homem, e estava alegando transfobia", escreveu. "Então agora você é obrigado a depilar um pênis ou, caso contrário, você é transfóbico."
Ao se defender, Nikolas afirmou que “limitou-se a exercer seu direito de crítica à ideologia de gênero, conforme orientação pessoal e de seu grupo político”. O juiz, porém, não acatou a justificativa.
O magistrado afirmou que "ideologia de gênero" é um "termo utilizado por determinados grupos religiosos, que insistem em negar a pessoas o direito de se atribuir a um gênero diverso daquele que lhes foi atribuído quando nasceram". Negar esse direito, acrescentou, "não parece razoável" numa "sociedade em que vigora a liberdade e a democracia".
Esta não foi a primeira vez que Nikolas respondeu a um processo por transfobia. Em abril de 2023, ele foi condenado, em primeira instância, a pagar R$ 80 mil a deputada federal Duda Salabert (PDT-MG) após se referir a ela como "ele" em entrevista ao jornal Estado de Minas, em 2020.
Em setembro de 2023, o deputado também virou réu por expor uma adolescente trans de 14 anos usava o banheiro feminino de uma escola particular de Belo Horizonte. Nikolas se referiu à jovem como um "estuprador em potencial", entre outras coisas. O caso ainda não teve desfecho.
'Virou crime chamar homem de homem', diz Nikolas Ferreira após ser condenado por transfobiaDeputado federal afirmou que mulher trans que denunciou discriminação se considerava mulher, mas era homem; caso ocorreu em setembro de 2022Política2025-11-24T23:31:43.040ZO deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) criticou a decisão da Justiça de São Paulo, emitida nesta segunda-feira (24), que . Nas redes sociais, Nikolas afirmou que "virou crime chamar homem de homem". "Virou crime chamar homem de homem. Repito: virou crime dizer uma verdade biológica", escreveu Nikolas em publicação no Instagram. "Centenas de processos, nenhum condenado por corrupção, lavagem de dinheiro, desvio de emenda e roubo de aposentado. Só resta condenar por dizer verdades. Ser perseguido pelo mal é o preço de não ser um deles." O caso ocorreu em setembro de 2022, quando Nikolas ainda atuava como vereador em Belo Horizonte. À época, uma mulher trans alegou ter sido vítima de transfobia em um salão de beleza e foi às redes sociais denunciar o caso. Em vídeo, a vítima, que procurava serviço de depilação, relatou que a dona do estabelecimento se recusou a atendê-la, pois "só atendia mulheres biológicas". Nikolas, então, republicou o vídeo, adicionando comentários de natureza discriminatória. "Essa pessoa aqui se considera mulher, mas ela é homem, e estava alegando transfobia", escreveu. "Então agora você é obrigado a depilar um pênis ou, caso contrário, você é transfóbico." Ao se defender, Nikolas afirmou que “limitou-se a exercer seu direito de crítica à ideologia de gênero, conforme orientação pessoal e de seu grupo político”. O juiz, porém, não acatou a justificativa. O magistrado afirmou que "ideologia de gênero" é um "termo utilizado por determinados grupos religiosos, que insistem em negar a pessoas o direito de se atribuir a um gênero diverso daquele que lhes foi atribuído quando nasceram". Negar esse direito, acrescentou, "não parece razoável" numa "sociedade em que vigora a liberdade e a democracia". Esta não foi a primeira vez que Nikolas respondeu a um processo por transfobia. Em abril de 2023, ele foi condenado, em primeira instância, a pagar R$ 80 mil a deputada federal Duda Salabert (PDT-MG) após se referir a ela como "ele" em entrevista ao jornal Estado de Minas, em 2020. Em setembro de 2023, o deputado também virou réu por expor uma adolescente trans de 14 anos usava o banheiro feminino de uma escola particular de Belo Horizonte. Nikolas se referiu à jovem como um "estuprador em potencial", entre outras coisas. O caso ainda não teve desfecho.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/politica/virou-crime-chamar-homem-de-homem-diz-nikolas-ferreira-apos-ser-condenado-por-transfobia