Polícia Federal indicia ex-assessor de Moraes por vazamento de informações sigilosas
Procuradoria-Geral da República vai analisar se segue com denúncia; Eduardo Tagliaferro ainda não se manifestou

Yumi Kuwano
A Polícia Federal indiciou, nesta quarta-feira (2), o ex-assessor do Tribunal Superior Eleitoral Eduardo Tagliaferro, por vazar informações importantes sobre o órgão durante a gestão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
O próximo passo é a análise da Procuradoria-Geral da República (PGR) para decidir se há elementos para apresentar uma denúncia sobre o caso. Tagliaferro pode ser acusado de violação de sigilo funcional com dano à administração pública.
"Quanto à autoria, verificou-se de forma inequívoca a atuação de EDUARDO DE OLIVEIRA TAGLIAFERRO, razão por que promovo o indiciamento como incurso nas penas do art. 325, §2º (Violação de Sigilo Funcional com Dano à Administração Pública), c/c art. 327, §2º, ambos do Código Penal".
O ex-assessor de Moraes ainda não se manifestou sobre o indiciamento. No ano passado, em entrevista à revista Oeste, Tagliaferro negou veementemente ter vazado as informações e disse que esses dados podem ter sido vazados em 2023, quando a polícia cumpriu um mandado de busca e apreensão na casa dele por suspeita de violência doméstica.
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As investigações sobre as conversas vazadas começaram após Tagliaferro ser preso por violência doméstica, em maio de 2023. Dias depois, o cunhado dele entregou à Polícia Civil de São Paulo o seu celular. A suspeita da investigação é que as mensagens possam ter vazado do aparelho.
Em agosto, a PF abriu abriu um inquérito após uma reportagem do jornal Folha de S. Paulo revelar conversas de dois assessores diretos de Moraes no STF e no TSE. A investigação foi determinada por Moraes, no dia seguinte à publicação, para descobrir a origem das mensagens.
As conversas vazadas entre Tagliaferro, responsável pela Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação (AEED), e o juiz auxiliar Airton Vieira se tornaram material para acusações contra o ministro por investigações não oficiais contra aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, durante as eleições de 2022, quando Moraes era presidente do TSE.