PGR pede para arquivar relato em que Vorcaro cita ameaças
Procuradoria-geral disse que o depoimento prestado por Vorcaro a André Mendonça não contém informações que justifiquem abertura de uma investigação
José Matheus Santos, Hariane Bittencourt, Victor Schneider
Procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet | Divulgação/Rosinei Coutinho/STF
A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu nesta quarta-feira (2) ao Supremo Tribunal Federal (STF) para arquivar o depoimento prestado peloex-banqueiro Daniel Vorcaro ao gabinete do ministro André Mendonça, em 27 de agosto.
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Nele, Vorcaro dizia ter sofrido ameaças e retaliações em diferentes ocasiões por agentes ligados à Polícia Federal (PF) durante as negociação de um acordo de delação premiada.
Para a PGR, o relato feito a Mendonça não trouxe elementos que justificassem a abertura de uma investigação.
"Do exame acurado dos termos da oitiva prestada, constata-se que o declarante não noticiou fato concreto ou juridicamente delimitado capaz de impulsionar providências investigativas próprias, tampouco conferiu o mínimo elemento de verossimilhança às assertivas ali formuladas", diz a manifestação.
André Mendonça é o relator das investigações sobre o Banco Master e retirou na terça (1º) o sigilo de mensagens que teriam sido trocadas entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, elevando a tensão institucional. O relator, porém, disse que Moraes não foi objeto da oitiva de Vorcaro.
A PGR, também na terça, apontou nulidades no processo contra Moraes por descumprimentos com a exigência de autorização do plenário e pediu a extinção do relatório da PF. O procurador-geral Paulo Gonet é um dos citados em conversas do ministro com Vorcaro, assim como o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. O então banqueiro perguntava a Moraes se ambos poderiam ser usados para blindar o avanço de investigações que recaíam sobre o Banco Master e que leveriam à sua prisão, em 17 de novembro de 2025.
Como mostrou a Coluna da Basília, a revelação de que Mendonça colheu depoimento sem a presença da Polícia Federal incendiou os bastidores da crise aberta entre a PF e o gabinete do ministro.
Confrontados com a explicação oficial de que o depoimento foi colhido em caráter de urgência devido a queixas de Vorcaro sobre a própria PF, delegados da corporação reagiram com ironia: “Alguém acredita nisso?”.
O gabinete justificou a ausência dos policiais com base em normas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), segundo as quais o afastamento da equipe responsável pela investigação durante o depoimento pode ser adotado como medida para preservar a integridade física e psicológica do depoente.
Mendonça, na avaliação da PF, estaria agindo como delegado ou até mesmo diretor-geral da polícia ao querer acesso a dados brutos da investigação e também indexados, quando é possível fazer pesquisa no arquivo.
Tensão com a PF
O episódio ocorre em meio à crise entre o gabinete de Mendonça e a cúpula da Polícia Federal na condução do caso Master.
Em fevereiro, logo após assumir a relatoria do inquérito, Mendonça restringiu o acesso da cúpula da PF aos detalhes da investigação. A decisão estabeleceu que as informações deveriam ficar restritas a autoridades e agentes com necessidade concreta de conhecê-las.
Interlocutores do ministro disseram que a medida seguia uma política de compartimentação de informações para evitar vazamentos. A cúpula da PF, por sua vez, minimizou o impacto da decisão.
Dias antes, Mendonça havia se reunido com delegados responsáveis pela investigação para receber informações sobre o andamento do caso. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, não participou do encontro.
Na sequência, Mendonça autorizou a PF a retomar o fluxo ordinário de perícias sobre os dispositivos eletrônicos apreendidos na Operação Compliance Zero e permitiu que a corporação realizasse diligências sem necessidade de autorização judicial prévia.
A relação voltou a ganhar tensão com a divulgação de mensagens encontradas no celular de Vorcaro. Segundo documentos da investigação, o ex-banqueiro teria pedido a Moraes que tentasse interceder junto a Andrei Rodrigues e Paulo Gonet para conter o avanço das investigações.
PGR pede para arquivar relato em que Vorcaro cita ameaçasProcuradoria-geral disse que o depoimento prestado por Vorcaro a André Mendonça não contém informações que justifiquem abertura de uma investigaçãoPolítica2026-09-02T23:27:38.810ZA Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu nesta quarta-feira (2) ao Supremo Tribunal Federal (STF) para arquivar o depoimento prestado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao gabinete do ministro André Mendonça, em 27 de agosto. Nele, Vorcaro dizia ter sofrido ameaças e retaliações em diferentes ocasiões por agentes ligados à Polícia Federal (PF) durante as negociação de um acordo de delação premiada. Para a PGR, o relato feito a Mendonça não trouxe elementos que justificassem a abertura de uma investigação. "Do exame acurado dos termos da oitiva prestada, constata-se que o declarante não noticiou fato concreto ou juridicamente delimitado capaz de impulsionar providências investigativas próprias, tampouco conferiu o mínimo elemento de verossimilhança às assertivas ali formuladas", diz a manifestação. André Mendonça é o relator das investigações sobre o Banco Master e retirou na terça (1º) o sigilo de mensagens que teriam sido trocadas entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, elevando a tensão institucional. O relator, porém, disse que Moraes não foi objeto da oitiva de Vorcaro. A PGR, também na terça, apontou nulidades no processo contra Moraes por descumprimentos com a exigência de autorização do plenário e . O procurador-geral Paulo Gonet é um dos citados em conversas do ministro com Vorcaro, assim como o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. O então banqueiro perguntava a Moraes se ambos poderiam ser usados para blindar o avanço de investigações que recaíam sobre o Banco Master e que leveriam à sua prisão, em 17 de novembro de 2025. Como mostrou a , a revelação de que Mendonça colheu depoimento sem a presença da Polícia Federal incendiou os bastidores da crise aberta entre a PF e o gabinete do ministro. Confrontados com a explicação oficial de que o depoimento foi colhido em caráter de urgência devido a queixas de Vorcaro sobre a própria PF, delegados da corporação reagiram com ironia: “Alguém acredita nisso?”. O gabinete justificou a ausência dos policiais com base em normas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), segundo as quais o afastamento da equipe responsável pela investigação durante o depoimento pode ser adotado como medida para preservar a integridade física e psicológica do depoente. Mendonça, na avaliação da PF, estaria agindo como delegado ou até mesmo diretor-geral da polícia ao querer acesso a dados brutos da investigação e também indexados, quando é possível fazer pesquisa no arquivo. Tensão com a PF O episódio ocorre em meio à crise entre o gabinete de Mendonça e a cúpula da Polícia Federal na condução do caso Master. Em fevereiro, logo após assumir a relatoria do inquérito, Mendonça restringiu o acesso da cúpula da PF aos detalhes da investigação. A decisão estabeleceu que as informações deveriam ficar restritas a autoridades e agentes com necessidade concreta de conhecê-las. Interlocutores do ministro disseram que a medida seguia uma política de compartimentação de informações para evitar vazamentos. A cúpula da PF, por sua vez, minimizou o impacto da decisão. Dias antes, Mendonça havia se reunido com delegados responsáveis pela investigação para receber informações sobre o andamento do caso. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, não participou do encontro. Na sequência, Mendonça autorizou a PF a retomar o fluxo ordinário de perícias sobre os dispositivos eletrônicos apreendidos na Operação Compliance Zero e permitiu que a corporação realizasse diligências sem necessidade de autorização judicial prévia. A relação voltou a ganhar tensão com a divulgação de mensagens encontradas no celular de Vorcaro. Segundo documentos da investigação, o ex-banqueiro teria pedido a Moraes que tentasse interceder junto a Andrei Rodrigues e Paulo Gonet para conter o avanço das investigações. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/politica/pgr-pede-para-arquivar-relato-em-que-vorcaro-cita-ameacas
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