Trump nomeia chefe da Marinha em meio a crise nas Forças
Hung Cao é considerado mais alinhado ao secretário de Defesa, Pete Hegseth
Duda Ventura
Hung Cao, nomeado por Trump como novo secretário da Marinha Reprodução/@hungcaova no Instagram
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a nomeação de Hung Cao, atual secretário interino da Marinha, para ocupar o cargo permanentemente.
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“Não consigo pensar em ninguém melhor do que ele para garantir que nossa Grande Marinha e Corpo de Fuzileiros Navais continuem sendo a melhor e mais feroz Força que o mundo já viu”, afirmou Trump nas redes sociais.
Cao se aposentou da Marinha com a patente de capitão em 2021. Ele assumiu o comando interino da pasta após a saída de John Phelan, demitido em abril depois de meses de conflitos internos com altos líderes do Pentágono e de divergências sobre como revitalizar o programa de construção naval.
Considerado mais alinhado ao secretário de Defesa, Pete Hegseth, Cao chega ao cargo permanente em um momento de forte instabilidade no Departamento de Defesa. A nomeação ocorre em meio a uma onda de demissões de altos oficiais e ao prolongamento da guerra contra o Irã.
Desde que assumiu o cargo, Hegseth demitiu, bloqueou promoções ou influenciou a saída de mais de 80 generais e almirantes — cerca de 10% dos oficiais superiores das Forças Armadas americanas.
A mais recente ocorreu na última segunda-feira (31), quando o secretário do Exército, Daniel Driscoll, deixou o cargo após discordâncias sobre a demissão de líderes do Exército com experiência em combate. E a saída ocorre em um momento particularmente delicado para o Exército americano: a corporação está sem um chefe de gabinete, o oficial de mais alta patente, desde que Hegseth demitiu Randy George, sem explicações, em abril. Outros três oficiais superiores também deixaram os cargos sob influência do secretário de Defesa.
CRISE NAS FORÇAS ARMADAS AMERICANAS
A nomeação de Cao ocorre em meio a sinais de dificuldades financeiras e operacionais nas Forças Armadas dos Estados Unidos.
O jornal britânico The Guardian teve acesso a documentos internos do Departamento de Defesa que alertam para “déficits nas contas de folha de pagamento”, provocados pelo remanejamento de recursos para financiar as operações de combate contra o Irã.
A falta de verba também estaria afetando a manutenção das estruturas militares americanas. Segundo um oficial e contratado da Marinha citado pelo jornal, serviços de manutenção não emergenciais em instalações terrestres tiveram que ser adiados.
O bloqueio marítimo do Estreito de Ormuz, imposto pelos Estados Unidos, também aumenta a pressão sobre a Marinha: cerca de 20 navios americanos estão atualmente no Oriente Médio, transportando aproximadamente 20 mil marinheiros e fuzileiros navais. Para manter as operações, os navios precisam de alimentos suficientes para mais de 420 mil refeições e de cerca de 8 milhões de galões de combustível por semana.
A Marinha americana atua na região há décadas e mantém depósitos de suprimentos espalhados pelo Oriente Médio. As ofensivas iranianas, porém, destruíram bases estratégicas dos Estados Unidos e dificultaram as operações de reabastecimento, tornando a estrutura cada vez mais difícil de sustentar no longo prazo.
A Marinha dos Estados Unidos possui 11 porta-aviões e enviou quatro deles para apoiar as operações no Golfo Pérsico. Outros passam por longos períodos de manutenção em estaleiros e não poderão ser mobilizados novamente por anos.
Diante do aumento dos gastos pelo alongamento da guerra, a Casa Branca solicitou ao Congresso um financiamento emergencial para bancar os esforços de guerra, que está em análise. O orçamento da Marinha para 2026 é de quase 300 bilhões de dólares. A legislação americana estabelece limites para a transferência de recursos entre áreas, o que dificulta a reorganização do orçamento diante de gastos extraordinários.
Trump nomeia chefe da Marinha em meio a crise nas ForçasHung Cao é considerado mais alinhado ao secretário de Defesa, Pete Hegseth
Mundo2026-09-02T21:44:40.444ZO presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a nomeação de Hung Cao, atual secretário interino da Marinha, para ocupar o cargo permanentemente. “Não consigo pensar em ninguém melhor do que ele para garantir que nossa Grande Marinha e Corpo de Fuzileiros Navais continuem sendo a melhor e mais feroz Força que o mundo já viu”, afirmou Trump nas redes sociais. Cao se aposentou da Marinha com a patente de capitão em 2021. Ele assumiu o comando interino da pasta após a saída de John Phelan, demitido em abril depois de meses de conflitos internos com altos líderes do Pentágono e de divergências sobre como revitalizar o programa de construção naval. Considerado mais alinhado ao secretário de Defesa, Pete Hegseth, Cao chega ao cargo permanente em um momento de forte instabilidade no Departamento de Defesa. A nomeação ocorre em meio a uma onda de demissões de altos oficiais e ao prolongamento da guerra contra o Irã. Desde que assumiu o cargo, Hegseth demitiu, bloqueou promoções ou influenciou a saída de mais de 80 generais e almirantes — cerca de 10% dos oficiais superiores das Forças Armadas americanas. A mais recente ocorreu na última segunda-feira (31), quando o secretário do Exército, Daniel Driscoll, deixou o cargo após discordâncias sobre a demissão de líderes do Exército com experiência em combate. E a saída ocorre em um momento particularmente delicado para o Exército americano: a corporação está sem um chefe de gabinete, o oficial de mais alta patente, desde que Hegseth demitiu Randy George, sem explicações, em abril. Outros três oficiais superiores também deixaram os cargos sob influência do secretário de Defesa. CRISE NAS FORÇAS ARMADAS AMERICANAS A nomeação de Cao ocorre em meio a sinais de dificuldades financeiras e operacionais nas Forças Armadas dos Estados Unidos. O jornal britânico The Guardian teve acesso a documentos internos do Departamento de Defesa que alertam para “déficits nas contas de folha de pagamento”, provocados pelo remanejamento de recursos para financiar as operações de combate contra o Irã. A falta de verba também estaria afetando a manutenção das estruturas militares americanas. Segundo um oficial e contratado da Marinha citado pelo jornal, serviços de manutenção não emergenciais em instalações terrestres tiveram que ser adiados. O bloqueio marítimo do Estreito de Ormuz, imposto pelos Estados Unidos, também aumenta a pressão sobre a Marinha: cerca de 20 navios americanos estão atualmente no Oriente Médio, transportando aproximadamente 20 mil marinheiros e fuzileiros navais. Para manter as operações, os navios precisam de alimentos suficientes para mais de 420 mil refeições e de cerca de 8 milhões de galões de combustível por semana. A Marinha americana atua na região há décadas e mantém depósitos de suprimentos espalhados pelo Oriente Médio. As ofensivas iranianas, porém, destruíram bases estratégicas dos Estados Unidos e dificultaram as operações de reabastecimento, tornando a estrutura cada vez mais difícil de sustentar no longo prazo. A Marinha dos Estados Unidos possui 11 porta-aviões e enviou quatro deles para apoiar as operações no Golfo Pérsico. Outros passam por longos períodos de manutenção em estaleiros e não poderão ser mobilizados novamente por anos. Diante do aumento dos gastos pelo alongamento da guerra, a Casa Branca solicitou ao Congresso um financiamento emergencial para bancar os esforços de guerra, que está em análise. O orçamento da Marinha para 2026 é de quase 300 bilhões de dólares. A legislação americana estabelece limites para a transferência de recursos entre áreas, o que dificulta a reorganização do orçamento diante de gastos extraordinários. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/trump-nomeia-chefe-da-marinha-em-meio-a-crise-nas-forcas
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