TCU afasta falha do governo em veto da UE ao Brasil
Tribunal afirma que não houve omissão ou atraso regulatório, mas destaca que Argentina, Paraguai e Uruguai adotaram medidas mais “céleres” que o Brasil
Caio Barcellos
Pecuária brasileira | Rebanho de bois | Gilson Abreu/AEN/Governo do Paraná
O Tribunal de Contas da União (TCU) concluiu nesta quarta-feira (2) que não há elementos para responsabilizar o governo brasileiro pela exclusão do país da lista da União Europeia (UE) de exportadores autorizados de produtos de origem animal, embora tenha destacado que Argentina, Paraguai e Uruguai adotaram antes do Brasil medidas para atender às novas exigências do bloco.
Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.
A avaliação consta do voto do ministro Jorge Oliveira, aprovado por unanimidade pelo plenário, que afastou a existência de deficiência de governança, falha de coordenação entre órgãos, atraso regulatório ou omissão administrativa que tenham contribuído para a decisão europeia. Segundo o tribunal, a exclusão decorreu da aplicação das regras da UE e da avaliação feita pelo bloco sobre as garantias apresentadas pelo Brasil.
Ao mesmo tempo, Oliveira chamou atenção para o fato de que os países vizinhos foram mais “céleres” na adaptação às exigências europeias. Ele citou como exemplo Paraguai, Argentina e Uruguai, que adotaram em 2023 e 2024 normas específicas de restrição ao uso de determinados antimicrobianos em animais, enquanto medidas brasileiras com objetivos semelhantes foram editadas apenas em 2026.
Para Oliveira, no entanto, a diferença de ritmo não é suficiente para caracterizar falha administrativa dos órgãos brasileiros, especialmente porque o governo vinha contestando a política europeia das chamadas “cláusulas-espelho”, que exigem dos países exportadores padrões de produção equivalentes aos aplicados dentro da própria UE.
A restrição começa a produzir efeitos nesta quinta-feira (3), quando passam a valer as novas exigências para a entrada no mercado europeu de produtos de origem animal. A medida exige o atendimento de regras relacionadas ao uso de antimicrobianos na criação, incluindo substâncias empregadas para estimular o crescimento ou aumentar o rendimento dos animais e medicamentos reservados ao tratamento de determinadas infecções em seres humanos.
Em maio, a Comissão Europeia decidiu retirar a autorização brasileira para categorias que incluem bovinos, equídeos, aves de capoeira, aquicultura, mel e tripas sob a alegação de que não havia recebido informações suficientes para garantir que o país cumpriria todas as exigências até 3 de setembro de 2026.
Governo conhecia regras desde 2019
O processo analisado pelo TCU mostra uma diferença entre as datas apresentadas pelo Itamaraty e pelo Ministério da Agricultura (Mapa) sobre quando o governo tomou conhecimento formal das novas exigências.
O Itamaraty informou que teve ciência das mudanças em janeiro de 2019, quando foi publicado o regulamento europeu que estabeleceu as novas restrições ao uso de antimicrobianos. Já o Mapa afirmou que recebeu em dezembro de 2022 uma comunicação da representação brasileira em Bruxelas com a minuta das regras detalhadas que seriam aplicadas aos países de fora da UE.
Contudo, o TCU considerou que as informações não são necessariamente contraditórias. Para o tribunal, o governo já conhecia desde 2019 as mudanças gerais na legislação europeia, enquanto as regras mais detalhadas para países exportadores foram conhecidas no fim de 2022.
A partir de junho de 2023, segundo o Mapa, o governo começou a realizar reuniões com entidades do setor produtivo para alertar sobre a necessidade de criação de mecanismos capazes de comprovar que os animais destinados ao mercado europeu não haviam recebido substâncias proibidas.
Em dezembro daquele ano, o Brasil apresentou garantias que permitiram sua permanência provisória na lista de países autorizados. Depois disso, houve novas reuniões técnicas em 2025 e envio de informações adicionais à Comissão Europeia, incluindo, em abril de 2026, um protocolo para exportação de bovinos livres de determinados antimicrobianos.
O Mapa também publicou neste ano portarias para restringir o uso de substâncias alcançadas pelas regras europeias, além de adotar procedimentos de rastreabilidade, segregação de lotes e controles que possam ser auditados nos estabelecimentos exportadores.
A área técnica do tribunal afirmou que os documentos apresentados mostram atuação conjunta do Itamaraty e do UE, com divisão de responsabilidades entre a frente diplomática e a área técnica.
Segundo o TCU, houve monitoramento das mudanças regulatórias europeias, reuniões com o setor produtivo, edição de normas, criação de protocolos específicos e estruturação de mecanismos de controle para tentar adaptar a produção brasileira às exigências da UE.
O tribunal também considerou relevante o fato de o Brasil ter sido incluído provisoriamente na lista de países autorizados em 2023, o que indicaria que as garantias apresentadas naquele momento foram inicialmente aceitas pelas autoridades europeias.
A exclusão definitiva foi conhecida pelo governo em maio deste ano. Segundo informações do Itamaraty reproduzidas no processo, a Comissão Europeia não informou previamente quais deficiências havia identificado na documentação brasileira nem ofereceu oportunidade para ajustes antes de retirar o país da relação de exportadores autorizados.
Depois da decisão, o Brasil apresentou protesto formal à UE e intensificou as tratativas técnicas e diplomáticas para tentar reverter a restrição.
Em 13 de maio, representantes brasileiros se reuniram com autoridades sanitárias europeias e, nas semanas seguintes, foram realizadas novas reuniões técnicas, com envio de informações complementares.
Em junho, durante a Cúpula do G7, o tema também foi discutido entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, segundo o Itamaraty
Impacto pode chegar a US$ 1,8 bilhão
Um levantamento do SBT News feito em maio com uso do agrostat —ferramenta de dados do Mapa— mostra que mercado do bloco europeu gerou uma receita de US$ 1,84 bilhão em 2025, com 368 mil toneladas.
A União Europeia é o 2º principal destino das exportações pecuárias brasileiras, atrás apenas da China. Segundo o Agrostat, o bloco europeu respondeu por cerca de 5,7% da receita total obtida pelo País com os embarques do setor no último ano, enquanto o país asiático representa 46%
Contudo, na avaliação do Tribunal, “é prematuro concluir pela existência de risco relevante à competitividade internacional do agronegócio brasileiro e à balança comercial nacional”.
Como forma de reduzir a dependência de mercados específicos, como os Estados Unidos e a UE, o governo vem concentrando esforços para ampliar a abertura de novos destinos para produtos brasileiros.
TCU afasta falha do governo em veto da UE ao BrasilTribunal afirma que não houve omissão ou atraso regulatório, mas destaca que Argentina, Paraguai e Uruguai adotaram medidas mais “céleres” que o BrasilEconomia2026-09-02T21:18:16.046ZO Tribunal de Contas da União (TCU) concluiu nesta quarta-feira (2) que não há elementos para responsabilizar o governo brasileiro pela exclusão do país da lista da União Europeia (UE) de exportadores autorizados de , embora tenha destacado que Argentina, Paraguai e Uruguai adotaram antes do Brasil medidas para atender às novas exigências do bloco. A avaliação consta do voto do ministro Jorge Oliveira, aprovado por unanimidade pelo plenário, que afastou a existência de deficiência de governança, falha de coordenação entre órgãos, atraso regulatório ou omissão administrativa que tenham contribuído para a decisão europeia. Segundo o tribunal, a exclusão decorreu da aplicação das regras da UE e da avaliação feita pelo bloco sobre as garantias apresentadas pelo Brasil. Ao mesmo tempo, Oliveira chamou atenção para o fato de que os países vizinhos foram mais “céleres” na adaptação às exigências europeias. Ele citou como exemplo Paraguai, Argentina e Uruguai, que adotaram em 2023 e 2024 normas específicas de restrição ao uso de determinados antimicrobianos em animais, enquanto medidas brasileiras com objetivos semelhantes foram editadas apenas em 2026. Para Oliveira, no entanto, a diferença de ritmo não é suficiente para caracterizar falha administrativa dos órgãos brasileiros, especialmente porque o governo vinha contestando a política europeia das chamadas “cláusulas-espelho”, que exigem dos países exportadores padrões de produção equivalentes aos aplicados dentro da própria UE. A restrição começa a produzir efeitos nesta quinta-feira (3), quando passam a valer as novas exigências para a entrada no mercado europeu de produtos de origem animal. A medida exige o atendimento de regras relacionadas ao uso de antimicrobianos na criação, incluindo substâncias empregadas para estimular o crescimento ou aumentar o rendimento dos animais e medicamentos reservados ao tratamento de determinadas infecções em seres humanos. Em maio, a Comissão Europeia decidiu retirar a autorização brasileira para categorias que incluem bovinos, equídeos, aves de capoeira, aquicultura, mel e tripas sob a alegação de que não havia recebido informações suficientes para garantir que o país cumpriria todas as exigências até 3 de setembro de 2026. Governo conhecia regras desde 2019 O processo analisado pelo TCU mostra uma diferença entre as datas apresentadas pelo Itamaraty e pelo Ministério da Agricultura (Mapa) sobre quando o governo tomou conhecimento formal das novas exigências. O Itamaraty informou que teve ciência das mudanças em janeiro de 2019, quando foi publicado o regulamento europeu que estabeleceu as novas restrições ao uso de antimicrobianos. Já o Mapa afirmou que recebeu em dezembro de 2022 uma comunicação da representação brasileira em Bruxelas com a minuta das regras detalhadas que seriam aplicadas aos países de fora da UE. Contudo, o TCU considerou que as informações não são necessariamente contraditórias. Para o tribunal, o governo já conhecia desde 2019 as mudanças gerais na legislação europeia, enquanto as regras mais detalhadas para países exportadores foram conhecidas no fim de 2022. A partir de junho de 2023, segundo o Mapa, o governo começou a realizar reuniões com entidades do setor produtivo para alertar sobre a necessidade de criação de mecanismos capazes de comprovar que os animais destinados ao mercado europeu não haviam recebido substâncias proibidas. Em dezembro daquele ano, o Brasil apresentou garantias que permitiram sua permanência provisória na lista de países autorizados. Depois disso, houve novas reuniões técnicas em 2025 e envio de informações adicionais à Comissão Europeia, incluindo, em abril de 2026, um protocolo para exportação de bovinos livres de determinados antimicrobianos. O Mapa também publicou neste ano portarias para restringir o uso de substâncias alcançadas pelas regras europeias, além de adotar procedimentos de rastreabilidade, segregação de lotes e controles que possam ser auditados nos estabelecimentos exportadores. A área técnica do tribunal afirmou que os documentos apresentados mostram atuação conjunta do Itamaraty e do UE, com divisão de responsabilidades entre a frente diplomática e a área técnica. Segundo o TCU, houve monitoramento das mudanças regulatórias europeias, reuniões com o setor produtivo, edição de normas, criação de protocolos específicos e estruturação de mecanismos de controle para tentar adaptar a produção brasileira às exigências da UE. O tribunal também considerou relevante o fato de o Brasil ter sido incluído provisoriamente na lista de países autorizados em 2023, o que indicaria que as garantias apresentadas naquele momento foram inicialmente aceitas pelas autoridades europeias. A exclusão definitiva foi conhecida pelo governo em maio deste ano. Segundo informações do Itamaraty reproduzidas no processo, a Comissão Europeia não informou previamente quais deficiências havia identificado na documentação brasileira nem ofereceu oportunidade para ajustes antes de retirar o país da relação de exportadores autorizados. Depois da decisão, o Brasil apresentou protesto formal à UE e intensificou as tratativas técnicas e diplomáticas para tentar reverter a restrição. Em 13 de maio, representantes brasileiros se reuniram com autoridades sanitárias europeias e, nas semanas seguintes, foram realizadas novas reuniões técnicas, com envio de informações complementares. Em junho, durante a Cúpula do G7, o tema também foi discutido entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, segundo o Itamaraty Impacto pode chegar a US$ 1,8 bilhão Um feito em maio com uso do agrostat —ferramenta de dados do Mapa— mostra que mercado do bloco europeu gerou uma receita de US$ 1,84 bilhão em 2025, com 368 mil toneladas. A União Europeia é o 2º principal destino das exportações pecuárias brasileiras, atrás apenas da China. Segundo o Agrostat, o bloco europeu respondeu por cerca de 5,7% da receita total obtida pelo País com os embarques do setor no último ano, enquanto o país asiático representa 46% Contudo, na avaliação do Tribunal, “é prematuro concluir pela existência de risco relevante à competitividade internacional do agronegócio brasileiro e à balança comercial nacional”. Como forma de reduzir a dependência de mercados específicos, como os Estados Unidos e a UE, o governo vem concentrando esforços para ampliar a abertura de novos destinos para produtos brasileiros.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/economia/tcu-afasta-falha-do-governo-em-veto-da-ue-ao-brasil
Dark Horse: GoUp diz que avisou Justiça de aporte de Vorcaro
Produtora diz que 7ª parcela de ex-banqueiro entrou na prestação de contas enviada à Justiça em junho; informações no processo não descrevem origem do dinheiro
Fim da 6x1: veja quais senadores votaram contra a PEC na CCJ
A PEC do fim da escala 6x1 foi aprovada na CCJ pela ampla maioria dos votos. Dos 27 parlamentares na sessão, quatro deles se mostraram contrários à medida