PF diz que ex-presidente da Alerj prometeu R$ 2,9 mi para campanha de aliados de deputado preso
Filha de Thiago Rangel se tornou, em 2024, vereadora mais jovem do país, eleita em Campos dos Goytacazes


Cézar Feitoza
A Polícia Federal afirmou ao STF (Supremo Tribunal Federal) que o ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar se comprometeu a repassar ilegalmente R$ 2,9 milhões para financiar a campanha em 2024 de aliados de Thiago Rangel Lima, deputado estadual preso nesta terça-feira (5).
Segundo a corporação, parte do valor seria utilizada para a campanha da filha de Thiago, Thamires Rangel. Ela foi eleita, em 2024, vereadora de Campos dos Goytacazes, aos 18 anos e ainda no 3º ano do Ensino Médio ---sendo a mais jovem vereadora do país.
Thamires chegou a assumir, aos 19 anos, o cargo de subsecretária de Ambiente e Sustentabilidade do Rio durante a gestão de Cláudio Castro, como mostrou o SBT News.
Ela deixou o cargo na semana passada, após o desembargador Ricardo Couto, governador interino do Rio, exonerar mais de 1.500 integrantes do governo de Castro.
A PF diz que a promessa de repasse dos valores comprova o vínculo entre Bacellar e Thiago Rangel, suspeito de liderar um esquema criminoso de direcionamento de obras em escolas públicas do Rio para desvio de recursos.
"Entre os elementos de convicção sobre a atuação do requerido, sobressaem as evidências da prática de crimes violentos e de financiamento eleitoral ilícito, referente a apoio financeiro (caixa dois), no valor de R$ 2.900.000,00, envolvendo Rodrigo Bacellar, conforme material compartilhado do Inquérito n. 2024.0021647 (Operação “Postos de Midas”)", disse a PF.

A representação da Polícia Federal afirma que o dinheiro seria utilizado "no financiamento da campanha de sua filha (Thamires Rangel) e de outros candidatos de sua base".
Computador de Bacellar
A investigação que culminou na operação desta terça teve início na apreensão de um computador do gabinete de Rodrigo Bacellar nas primeiras fases da Operação Unha e Carne.
Os investigadores encontraram no computador uma planilha com o nome "PEDIDOS EM 12-04-23". O documento continha uma relação de deputados estaduais acompanhada de campos denominados "o que tem" e "o que está pedindo".

Segundo a PF, trata-se de uma referência à indicação e "ocupação de cargos em órgãos públicos estaduais considerados estratégicos".
A planilha de Bacellar indica que Thiago Rangel tinha cargos no Detran de Campos dos Goytacazes, na Alerj e no IPEM/RJ (Instituto de Pesos e Medidas do Estado do Rio de Janeiro).
A investigação reuniu essas informações e outras, obtidas pela Operação Postos de Midas, e encontrou indícios de desvio de recursos públicos envolvendo direcionamento de obras em escolas públicas e lavagem de dinheiro com uso de postos de combustíveis.
A Alerj, em nota, diz que "está à disposição das instituições da república no que for necessário para colaborar no esclarecimento dos fatos. A Assembleia Legislativa reforça seu compromisso com a transparência e confiança no trabalho dos órgãos competentes".
Em nota, a defesa de Rangel disse que está se inteirando dos fatos e que o deputado nega quaisquer ilícitos.
"A defesa do deputado Thiago Rangel recebeu com surpresa a notícia da operação realizada na data de hoje. Neste momento, está se inteirando dos fatos, do teor da investigação e das medidas eventualmente determinadas, reafirmando desde logo a plena confiança nas instituições e no devido processo legal.
O deputado nega a prática de quaisquer ilícitos e prestará todos os esclarecimentos necessários nos autos da investigação."
O SBT News procura a defesa dos demais alvos da operação..









