Deputado preso no RJ usava postos de combustíveis para lavar dinheiro público, diz PF
Thiago Rangel (Avante), deputado estadual no Rio, é empresário do setor e preside a Comissão de Minas e Energia da Alerj



Anita Prado
Cézar Feitoza
O deputado estadual do Rio de Janeiro Thiago Rangel (Avante), preso na 4ª fase da Operação Unha e Carne, usava uma rede de postos de combustíveis sob seu controle para lavar dinheiro público desviado, inclusive da Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro (Seeduc), segundo a Polícia Federal.
A informação consta na decisão de Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, ao qual o SBT News teve acesso.
A investigação aponta que os postos eram formalmente registrados em nome de terceiros — usados como “laranjas” — mas, na prática, seriam controlados pelo parlamentar.
Em nota, a defesa de Rangel disse que está se inteirando dos fatos e que o deputado nega quaisquer ilícitos.
"A defesa do deputado Thiago Rangel recebeu com surpresa a notícia da operação realizada na data de hoje. Neste momento, está se inteirando dos fatos, do teor da investigação e das medidas eventualmente determinadas, reafirmando desde logo a plena confiança nas instituições e no devido processo legal.
O deputado nega a prática de quaisquer ilícitos e prestará todos os esclarecimentos necessários nos autos da investigação."
O SBT News procurou as defesas dos demais citados, mas não obteve retorno até a publicação da reportagem.
Segundo a PF, esses estabelecimentos funcionavam como destino final de parte dos recursos desviados, permitindo a inserção do dinheiro no sistema formal e dificultando o rastreamento da origem ilícita.
Empresário conhecido no setor, Rangel é descrito como responsável por gerir uma parte da organização criminosa e por articular interesses entre empresários e agentes públicos. Ele também aparece como destinatário direto de valores desviados.
De acordo com a investigação, o esquema consistia no direcionamento de contratos públicos para empresas previamente alinhadas ao grupo. Após o pagamento com recursos do Estado, parte dos valores era devolvida — em espécie ou por transferências — e, em seguida, redirecionada para empresas e negócios ligados aos investigados, como forma de ocultar a origem ilícita.
A Polícia Federal afirma que o modelo foi identificado inicialmente no âmbito municipal, em Campos dos Goytacazes, entre 2021 e 2022, e teria sido posteriormente replicado na estrutura estadual. A partir de 2023, o grupo passou a atuar em contratos ligados à Secretaria Estadual de Educação (Seeduc), com foco em obras e reformas de escolas.
Segundo a decisão, Rangel operava um braço regional do esquema, com atuação concentrada no Norte e Noroeste Fluminense, onde exercia influência política e controle sobre indicações em cargos estratégicos.
O deputado Rodrigo Bacellar, que já está preso, também alvo desta fase, é apontado como peça central no esquema. De acordo com a investigação, ele teria influência sobre nomeações no governo estadual, incluindo na área da Educação, e apareceria nas tratativas como responsável por dar aval ou “liberar” contratos de obras.
No núcleo financeiro, Luiz Fernando Passos de Souza é apontado como operador responsável por intermediar repasses ilícitos e gerenciar recursos fora do sistema oficial. Já dentro da administração pública, a diretora regional de Educação do Noroeste, Júcia Gomes de Souza Figueiredo, é descrita como peça-chave na execução do esquema, com atuação direta sobre contratos e pagamentos.









