Brasil quer mostrar seus games ao mundo: Abragames aposta em recorde de jogos em evento
Patrícia Sato, gerente executiva da Brazil Games, destaca força da brasilidade, internacionalização dos estúdios e nova fase da indústria nacional


Vinícius Gobira
A gamescom latam 2026 se tornou uma vitrine importante para a indústria brasileira de jogos. E, para a Abragames (Associação Brasileira das Desenvolvedoras de Games), o objetivo deste ano é claro: mostrar ao público brasileiro que o país produz muito mais do que games voltados apenas ao mercado internacional.
Em entrevista ao SBT News durante o evento, Patrícia Sato, gerente executiva da Brazil Games, projeto da associação, afirmou que a grande expectativa é ampliar a visibilidade dos jogos nacionais.
“Queremos ver se a gente consegue mostrar mais dos nossos jogos para o público brasileiro”, disse Patrícia. Segundo ela, ainda existe uma percepção de que o público no Brasil consome principalmente títulos mainstream, enquanto há uma produção autoral forte acontecendo no país.
A presença da Abragames na feira reflete esse momento. Patrícia destacou que este é “o maior estande em quantidade de jogos” já feito pela associação. São mais de 30 jogos no espaço, incluindo 14 em booths privativos e outros 24 em rotação, vindos da aceleradora da Brazil Games.
Brasilidade como força dos games nacionais
Para Patrícia, o crescimento de jogos que incorporam cultura, história e regionalidades brasileiras não é apenas uma tendência criativa. É também uma ferramenta de soft power.
“A gente está falando de mudar a percepção que o mundo inteiro tem a respeito do nosso país”.
Ela ressalta que o Brasil é conhecido por futebol, samba e outros símbolos populares, mas tem uma complexidade cultural muito maior a ser explorada. Essa diversidade, segundo Patrícia, nasce da miscigenação e da capacidade brasileira de adaptação.
“A nossa cultura faz isso e a gente transpõe isso para o ambiente de negócios de um jeito que o resto do mundo está percebendo que é muito positivo”, explicou.
A executiva também citou exemplos de jogos brasileiros que trabalham diferentes aspectos da identidade nacional, como títulos inspirados em literatura brasileira, ancestralidade, religiões afro-brasileiras e até na relação entre culturas japonesa e brasileira em regiões como o bairro da Liberdade, em São Paulo.
Para ela, os games têm uma vantagem única nesse processo: a interatividade.
“O jogo, por ser uma atividade interativa, permite vivenciar uma coisa. Você não só olha, você entra naquele mundo”.
De Brazilian Game Developers a Brazil Games
Patrícia também explicou a mudança de nome do projeto Brazilian Game Developers, conhecido como BGD, para Brazil Games. Segundo ela, a alteração veio para simplificar a comunicação internacional.
O projeto atua como facilitador da internacionalização da indústria brasileira de games. Ele é realizado em parceria com a ApexBrasil, por meio de um convênio que usa recursos públicos e próprios para promover exportação, participação em feiras, capacitação e conexão com mercados internacionais.
Ela lembra que o projeto existe há 13 anos e acompanha uma indústria que muda constantemente. Com mais de mil estúdios de games no país, o desafio é alcançar também empresas menores, muitas vezes fora dos grandes centros.
“São estúdios muito pequenos, talentosos, com histórias únicas e originais para contar, mas qualquer risco é muito risco”.
Aceleradora quer preparar estúdios brasileiros para o mundo
Uma das apostas mais importantes da Brazil Games é a aceleradora, criada para capacitar estúdios em nível profissional, técnico e internacional.
Patrícia explica que a ideia é tornar mais seguro e sustentável o crescimento dessas empresas no Brasil, preparando-as para conversar com publishers, investidores e parceiros globais.
A iniciativa também leva convidados internacionais para conhecer polos fora do eixo tradicional. Após a gamescom latam, por exemplo, parte da delegação internacional seguirá para Santa Catarina para conhecer estúdios que não puderam participar da feira.
Parcerias internacionais ajudam na conexão com o mercado global
A Abragames e a Brazil Games mantêm relações com grandes empresas e entidades internacionais. Patrícia citou boas conexões com first parties como Xbox e Sony, além de parcerias com a LatamVG, federação latino-americana de jogos, a IGDA, Execution Labs e Nordicity.
Segundo ela, o papel da associação não é necessariamente intermediar todos os negócios, mas criar o ambiente certo para que desenvolvedores brasileiros se conectem com o mercado.
“Eles também veem que isso é bom para todo mundo, não só para o Brasil. É bom para o mercado como um todo, porque a gente precisa de renovação”.
Expectativa para 2026 é de nova safra de jogos brasileiros
Patrícia diz estar otimista com o futuro da exportação de games nacionais. Para ela, 2026 pode marcar uma nova safra de lançamentos brasileiros, como aconteceu em ciclos anteriores.
Além da presença internacional, a executiva reforça que um dos próximos desafios é fazer com que o próprio público brasileiro conheça mais os jogos feitos no país.
“A gente tem que ter orgulho dos nossos jogos e de ser brasileiro”.
Para os próximos anos, a Abragames e a Brazil Games já estudam novas ações, como programas de capacitação, webinars, novas aceleradoras e mais iniciativas de aproximação entre público, desenvolvedores e mercado.









