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Nintendo detalha planos para o Switch 2, preços no Brasil e futuro dos games

Em entrevista ao SBT News, Bill van Zyll explica estratégia para o país, comenta sucesso do novo console e reforça filosofia focada na experiência do jogador

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A relação da Nintendo com o Brasil vive um momento diferente. Após anos de presença mais tímida, a empresa tem reforçado sua participação em eventos e iniciativas locais, e a gamescom latam se tornou um dos principais palcos dessa reaproximação.

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Na edição de 2026, realizada em São Paulo, a Nintendo não apenas marcou presença como também trouxe executivos de peso. Um deles foi Bill van Zyll, vice-presidente e gerente geral para a América Latina, que conversou com o SBT News sobre o presente e o futuro da marca.

Ao longo da entrevista, ele abordou desde inovação tecnológica até desafios específicos do mercado brasileiro, deixando claro que, apesar das mudanças na indústria, a essência da Nintendo permanece a mesma.

Experiência acima de tecnologia: a filosofia da Nintendo

Quando questionado sobre possíveis novas tecnologias que poderiam transformar a forma de jogar, Bill trouxe uma resposta que resume bem o posicionamento histórico da empresa.

Ele explicou que a Nintendo não parte da tecnologia, mas da ideia de experiência: “A gente começa pensando na experiência que quer criar. A tecnologia disponível é avaliada depois, para ver como pode — ou não — se encaixar nisso”.

Esse raciocínio ajuda a entender por que a empresa muitas vezes segue um caminho diferente de concorrentes. Segundo ele, nem sempre a tecnologia mais avançada é necessária: “Não vemos a tecnologia mais recente como algo obrigatório. Não estamos buscando os melhores gráficos ou o hardware mais poderoso”.

Em vez disso, o foco está no impacto para o jogador:

“É sobre aquele efeito ‘uau’, sobre criar sorrisos. É uma visão muito específica da Nintendo e dos nossos desenvolvedores”.

Switch 2 começa forte e pode ir além

O sucesso do Nintendo Switch original, que já ultrapassou 150 milhões de unidades, naturalmente levanta a pergunta: o sucessor conseguirá repetir, ou superar, esse desempenho?

Para Bill, o cenário é promissor, mas ainda em construção. “Se olharmos a trajetória, a expectativa é que eventualmente sim”, disse sobre o Nintendo Switch 2.

Ele destacou que o novo console já começou com números expressivos: mais de 18 milhões de unidades vendidas. Ainda assim, pondera que há muito pela frente: “Ainda tem muita coisa para acontecer com o Switch 2”.

Um dos principais motores desse crescimento será o catálogo de jogos. “Temos títulos muito fortes, tanto da própria Nintendo quanto de parceiros third-party. Isso é o que realmente vai impulsionar o volume no futuro”, explicou.

No Brasil, a estratégia não será de substituição imediata. Pelo contrário: “Não terminamos com o Switch original, especialmente aqui. Vamos continuar oferecendo os dois”.

Ele detalha que há públicos distintos: os fãs mais engajados, que buscam novidades, e jogadores mais casuais. “Para quem já gosta da Nintendo, o Switch 2 é o caminho natural. Mas há muitas pessoas que conhecem o Mario, por exemplo, mas não necessariamente estão conectadas ao console”.

Nesse contexto, o Switch original segue relevante: “Ele tem um preço mais acessível e uma biblioteca com mais de 10 mil jogos. É uma porta de entrada excelente”.

Cloud gaming: possibilidade distante

O crescimento do cloud gaming em outras plataformas levanta questionamentos sobre o futuro desse modelo na Nintendo, especialmente em mercados como o Brasil, onde infraestrutura pode ser um desafio.

Bill afirma que o tema está no radar, mas ainda distante de uma implementação prática: “Nossos desenvolvedores estão sempre avaliando novas tecnologias, tanto para jogos quanto para sistemas”.

No entanto, ele reforça que o modelo atual continua sendo o foco:

“Hoje, a forma de jogar no Switch é com cartucho físico ou download digital. É assim que a plataforma foi pensada”.

Sobre mudanças, a resposta é aberta, mas cautelosa: “Pode evoluir no futuro? Talvez. Mas ainda não estamos nesse estágio”.

Preço no Brasil: equação complexa e ajustes no digital

Ao falar sobre preços, especialmente no Brasil, Bill reconhece que o tema envolve múltiplas variáveis.

“Estamos sempre revisando nosso modelo de negócios para tentar tornar nossos produtos — tanto hardware quanto software — o mais acessíveis possível”

Ele detalha que o preço final envolve fatores como impostos, logística, transporte, custos operacionais e estrutura do varejo. “Tudo isso entra na equação e impacta o valor final”.

Um ponto importante destacado por ele é a diferença entre preços praticados: “Podemos sugerir um preço, mas quem decide o valor final é o varejista”.

No ambiente digital, porém, a empresa tem mais controle, e pretende usá-lo para reduzir custos. “Vamos começar a diferenciar os preços entre físico e digital”.

Segundo Bill, isso será possível porque o digital elimina custos relevantes: “Cartucho é caro, especialmente com o custo dos chips. Transporte também pesa, assim como armazenagem”.

Promoções seguem outra lógica

A política de preços da Nintendo historicamente difere da concorrência, especialmente quando se trata de quedas previsíveis de valor ao longo do tempo.

Bill reforça esse posicionamento: “Não é assim que a Nintendo opera. Não temos esse ciclo de lançamentos anuais com redução gradual de preço”.

Ainda assim, ele reconhece que promoções fazem parte do ecossistema: “Seja no eShop ou no varejo, elas continuam acontecendo”.

A mudança será gradual, começando com novos títulos: “Não é que o físico vai ficar mais caro, mas o digital deve ficar mais barato”.

Expansão da marca: filmes, parques e produtos

Com o crescimento da Nintendo em outras áreas, como cinema e parques temáticos, surge a dúvida sobre o peso dessas iniciativas dentro da estratégia global.

Bill é direto: “Nosso negócio principal continua sendo a experiência com consoles, tanto hardware quanto software”.

As demais frentes atuam como suporte e ampliação da marca.

“Filmes, parques, jogos mobile e produtos licenciados ajudam a fortalecer nossas franquias”.

Ele destaca, inclusive, o desempenho brasileiro nesses segmentos: “O Brasil foi um dos principais mercados globais para os filmes do Mario”.

Uma empresa para todas as idades

A identidade familiar da Nintendo continua sendo um diferencial importante. “Nós pensamos no nosso público como pessoas de 5 a 95 anos”, disse Bill.

Isso influencia diretamente o tipo de experiência criada: jogos mais sociais, acessíveis e variados. “Queremos experiências que possam ser aproveitadas por qualquer pessoa”.

Ao mesmo tempo, ele ressalta que há espaço para outros perfis: “Jogos de terceiros também trazem experiências mais voltadas para o público core”.

Além disso, a empresa investe em ferramentas de controle: “Temos controles parentais fortes para garantir que cada família tenha a melhor experiência possível”.

Sistema de conquistas ainda não fazem parte dos planos

Sobre a possibilidade de um sistema de conquistas mais robusto, semelhante ao de outras plataformas, Bill reconhece o interesse, mas sem avanços concretos.

“É um conceito interessante”, afirmou, antes de completar: “Mas não tenho conhecimento de algo nesse nível sendo implementado na Nintendo”.

Um olhar atento ao Brasil

Encerrando a conversa, Bill reforçou a importância do público brasileiro para a empresa.

“A gente aprecia muito os fãs daqui e o feedback que recebemos, inclusive pelas redes sociais e pela imprensa”

A mensagem final deixa claro o compromisso: a Nintendo pretende continuar investindo no país, e, principalmente, mantendo a proposta que a tornou única na indústria: surpreender e encantar jogadores de todas as idades.

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