Política

Beto Louco se encontrou com Kassab em 2022 por pleito em campanha de Tarcísio

Presidente do PSD disse que não teve mais contato com o tema, empresário negou encontro e governador disse desconhecer reunião

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O empresário Roberto Leme, conhecido como Beto Louco | Foto: Reprodução
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O empresário Roberto Leme, conhecido como Beto Louco, esteve em 2022 em um comitê de campanha do atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), para uma reunião com Gilberto Kassab, presidente do PSD. 

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O empresário buscou a campanha de Tarcísio para questionar a atuação do fisco paulista e pedir a flexibilização das cobranças tributárias estaduais, apurou o SBT News.

À época, Kassab era um dos principais fiadores políticos de Tarcísio e havia articulado a escolha do vice-governador da chapa, Felício Ramuth (então PSD, hoje MDB), e do coordenador da campanha, Guilherme Afif (PSD). Após as eleições, o presidente do PSD tornou-se secretário de Relações Institucionais do estado --cargo que ocupou até março deste ano.

Apontado como um dos líderes de um ecossistema de fraudes na rede de distribuição de combustíveis ligado ao PCC, Beto Louco foi um dos alvos da Carbono Oculto, operação composta por vários órgãos federais e estaduais e que mira esquema de sonegação de cifras bilionárias. 

O encontro foi confirmado ao SBT News por Kassab, que argumentou ter sido procurado por diversos setores no período eleitoral.

“Durante a campanha, houve inúmeras visitas de diversos representantes de vários setores, que apresentavam sua visão sobre a relação com a gestão de então. Na visita mencionada, foi exposto o descontentamento do setor com o funcionamento da Secretaria da Fazenda. Depois desse encontro, não tive mais contato com o tema", disse Kassab por meio de sua assessoria.

Já Tarcísio declarou não ter tido conhecimento da reunião nem ter sido contatado pelo empresário. A gestão estadual nega qualquer favorecimento dado a Beto Louco, considerado, segundo a nota, um devedor contumaz.

“O governador Tarcísio de Freitas não foi procurado, não se reuniu com o empresário Roberto Leme e não tem conhecimento sobre eventual reunião mencionada pela reportagem.” Veja a íntegra da manifestação ao final deste texto.

Por meio de seu advogado, Guilherme San Juan, Beto Louco negou o encontro, afirmando que “nunca propôs ou mesmo recebeu qualquer tipo de solicitação de apoio relacionado ao governador".

O empresário é considerado o gestor financeiro do grupo Copape/Aster, que atuava em vários elos da cadeia de combustíveis, desde a importação de insumos até a comercialização ao consumidor final.

Segundo investigadores da Carbono Oculto, essa rede realizava a importação irregular de metanol para a adulteração do produto vendido em postos de gasolina operados, em parte, pelo PCC. O valor arrecadado de forma fraudulenta era transferido para núcleos financeiros que lavavam o dinheiro por meio de fintechs e fundos de investimento.

Haveria ainda um núcleo de fraude fiscal estruturada, no qual o grupo inflaria artificialmente os preços dos insumos nas transações entre a Copape (formuladora) e a Aster (distribuidora), visando sonegar impostos e obter créditos tributários indevidos. Algumas das empresas citadas chegaram a ser autuadas pelo governo de São Paulo por irregularidade fiscal antes da deflagração da operação.

Foragido há sete meses, Beto Louco vem negociando um acordo de delação premiada com o Ministério Público de São Paulo.

Antes de recorrer ao órgão estadual, a defesa do empresário apresentou uma proposta à Procuradoria-Geral da República, que rejeitou o pedido argumentando falta de provas sólidas contra autoridades com foro privilegiado.

O advogado Guilherme San Juan afirmou que não iria se manifestar sobre essas negociações.

Leia a íntegra da manifestação do governo de São Paulo:

“O governador Tarcísio de Freitas não foi procurado, não se reuniu com o empresário Roberto Leme e não tem conhecimento sobre eventual reunião mencionada pela reportagem.

O Governo de SP reforça que não trata, negocia ou interfere em questões tributárias de forma individualizada. Assuntos relacionados a débitos fiscais seguem rigorosamente os trâmites técnicos e legais conduzidos pelos órgãos competentes, exclusivamente pela Secretaria Estadual da Fazenda e Planejamento e Procuradoria Geral do Estado. 

No caso citado, trata-se de responsável por contribuinte classificado como devedor contumaz, com expressivo passivo tributário em aberto, sem qualquer tipo de acordo, benefício ou ajuste celebrado com o Estado e com elevado passivo de ICMS em aberto.

O combate à irregularidade no setor de combustíveis é uma prioridade da atual gestão. O Estado vem adotando medidas estruturais de fiscalização, regulação e controle que endureceram a atuação no setor, com resultados consistentes no enfrentamento à sonegação, ao mercado irregular e à concorrência desleal.  

A reformulação de normas, somada a ações integradas de fiscalização e inteligência, reforçou os critérios para operação no mercado e ampliou a capacidade do Estado de coibir práticas ilícitas de forma permanente. Como resultado, foram lavrados centenas de autos de infração e houve mudança de comportamento do mercado, que passou a evitar fornecedores classificados como devedores contumazes”.

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