Paraguai rejeita fala de Lula e cobra devolução de canhões
Governo critica declarações sobre a Guerra da Tríplice Aliança e pede reparação histórica, mas diz que quer manter agenda de cooperação com o Brasil

Presidente Lula durante visita às instalações da Avibras Aeroco, em Jacareí (SP) | Foto: Reprodução/X/@LulaOficial - 24.07.2026
O governo do Paraguai entregou nesta sexta-feira (31) uma nota oficial ao embaixador do Brasil em Assunção, José Antonio Marcondes, em que manifesta "desagrado e rejeição absoluta" às declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a Guerra da Tríplice Aliança (1864-1870).
No documento, o país também cobra a devolução de canhões, troféus de guerra e documentos históricos que permanecem em território brasileiro. Ele foi entregue durante uma reunião entre o vice-presidente do Paraguai, Pedro Alliana, o ministro das Relações Exteriores, Rubén Ramírez Lezcano, e o embaixador brasileiro.
🔎 A reação do governo paraguaio começou após declarações feitas por Lula na última sexta-feira (24), em que defendia investimentos na indústria de defesa brasileira. Ele afirmou que o Brasil gosta de paz, mas que não poderia esquecer que o "Paraguai decidiu invadir o Brasil" e iniciou uma guerra, que durou cinco anos.
Segundo o governo paraguaio, as declarações de Lula apresentam episódios históricos "de forma distorcida" e tratam um tema de grande importância para o povo do país sem o devido cuidado.
O comunicado acrescenta que os acontecimentos que marcaram a história dos dois países "devem ser abordados com responsabilidade, respeito mútuo e espírito de reconciliação".
Além da manifestação de descontentamento, o governo do presidente Santiago Peña voltou a defender medidas para "o fechamento definitivo das feridas desse conflito". Entre os pedidos apresentados ao Brasil estão:
- a devolução do Canhão Presidente López;
- a restituição do Canhão Cristiano;
- o retorno de outros troféus de guerra;
- a entrega de cópias de documentos históricos sobre a Guerra da Tríplice Aliança que estão em arquivos brasileiros.
Segundo a nota, essas medidas seriam um "gesto de reparação" ao Paraguai.

Governo diz que Lula não teve intenção de ofender
Após a reunião, o vice-presidente Pedro Alliana afirmou, em entrevista coletiva, que o embaixador brasileiro disse ao governo paraguaio que as declarações de Lula foram retiradas de contexto e que não houve intenção de ofender o país.
"Nós tivemos uma conversa muito breve com o embaixador do Brasil e ele afirmou que as declarações foram tiradas de contexto. Foi isso que ele nos transmitiu. Nunca foi intenção do presidente Lula realmente ofender ou insultar o Paraguai com essas declarações", disse.
Alliana também afirmou que o governo paraguaio não pretende ampliar as tensões. "Vocês sabem que o Brasil está em pleno período de campanha eleitoral. O que menos queremos é que pensem que estamos tentando interferir nessas eleições", disse.
O ministro das Relações Exteriores paraguaio, Rubén Ramírez Lezcano, ressaltou que a relação entre Brasil e Paraguai vai além da divergência sobre as declarações do presidente brasileiro e afirmou que o governo Peña pretende preservar a cooperação entre os dois países.
"Nós continuaremos trabalhando por uma agenda construtiva e positiva", afirmou.















