No Rio, Zema cutuca PL de Flávio Bolsonaro: “Tem muita gente com coisa pendente no Supremo”
Pré-candidato do Novo reforçou que não será vice e que seu partido não tem “rabo preso” por ações na Corte


Victor Schneider
O ex-governador Romeu Zema (Novo) voltou a dizer nesta quinta-feira (7) que pretende disputar as eleições para presidente como cabeça de chapa, e não como vice do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em evento na Associação Comercial do Rio de Janeiro, Zema avaliou que seu partido se diferencia do de Flávio por poder criticar o Supremo Tribunal Federal (STF) sem “rabo preso" por ações que dependem da Corte, sem especificar.
A campanha de Zema insiste em conflitos públicos com ministros do STF, em especial o decano, Gilmar Mendes, como trampolim para tentar posicioná-lo como o candidato que combaterá privilégios e acuará o STF enquanto chefe do Planalto.
Vídeos publicados nas redes sociais do mineiro mostram os magistrados e outras figuras, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sob a alcunha de “intocáveis", acima da Justiça. Em resposta, Gilmar diz que Zema abusa da liberdade de expressão e deve ser incluído no inquérito das fake news, que apura ataques contra ministros da Corte desde 2019.
“Eu tenho questionado e criticado muito o Supremo. Me parece que tem muita gente do PL que tem restrição a esses críticas porque tem coisa pendente lá. Eu e os parlamentares do Partido Novo não temos o rabo preso com ninguém. Somos uma partido pequeno, mas coerente e diferenciado, com ficha limpa", disse Zema em fala a jornalistas.
O SBT News procurou o PL para comentar a declaração, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.
Prisão de Ciro Nogueira
O pré-candidato do Novo também comentou sobre a 5ª fase da Operação Compliance Zero, que fez buscas nesta quinta em endereços ligados ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro no governo Bolsonaro, de quem Zema é próximo. Ciro é acusado de receber uma mesada de R$ 300 mil de Daniel Vorcaro para atuar em favor dos interesses do banqueiro no Congresso. Ele nega qualquer ilícito.
O mineiro não isentou Ciro e disse ser favorável à “toda investigação", mas considerou que o caso Master só se disseminou pela falta de aparatos prévios de controle e punição pós-Lava Jato. Também provocou Lula ao dizer que o presidente “está caladinho” sobre as investigações porque haveria “muita gente do PT envolvida” no caso. Até o momento, nenhum nome ligado ao partido foi alvo de operações, mas Zema acredita que ainda há pano para manga conforme a investigação se aprofunda.
“Aquilo ali [investigação do Master] é igual a uma metástase, vai espalhando e quanto mais o cirurgião aprofundar, mais vai estar encontrando tumores. É a ponta do iceberg. Ainda teremos celulares, notebooks, delações premiadas.”









