Reitores de USP, Unesp e Unicamp se reúnem sob temor de greve unificada
Estudantes de Unicamp e Unesp realizam assembleias para decidir adesão ao movimento; alunos da USP estão em greve desde 14 de abril


Larissa Alves
O Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) vai se reunir na segunda-feira (11) para discutir as reivindicações dos estudantes em meio à possibilidade de uma greve unificada em USP, Unesp e Unicamp.
Nesta quinta-feira (7), estudantes da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e da Unesp (Universidade Estadual Paulista) realizam assembleias e reuniões nos diretórios centrais estudantis para decidir se aderem ao movimento, seguindo o que já acontece na USP, onde os alunos estão em greve desde 14 de abril.
As reivindicações se concentram principalmente em temas ligados à permanência estudantil, como moradia, alimentação, transporte e assistência estudantil. Docentes e servidores também pressionam por recomposição salarial e ampliação de contratações.
Na USP, o principal impasse envolve o valor do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE), auxílio destinado a estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Após três rodadas de negociação, a reitoria informou que considera encerradas as tratativas com o movimento estudantil.
Na Unesp, as demandas se assemelham às da USP, tendo as dificuldades para permanência na universidade como um dos principais focos. As denúncias também giram em torno da precarização do ensino, pesquisa, extensão, problemas na alimentação, além da falta de docentes.
Já na Unicamp, as pautas apresentadas pelos estudantes incluem: contratação de docentes e servidores; moradia digna para todos os campi; acessibilidade na universidade; reformas estruturais; ampliação do sistema de transporte da universidade; recomposição e isonomia salarial para docentes e servidores.
Reitoria da USP encerra negociações após três reuniões
Em nota divulgada após reunião realizada no dia 30 de abril, a reitoria da USP informou que as negociações com representantes estudantis foram encerradas após três rodadas de diálogo, que somaram quase 20 horas de discussões.
A universidade apresentou uma nova proposta de reajuste para o PAPFE, elevando o auxílio integral de R$ 885 para R$ 912 e o auxílio parcial com moradia de R$ 335 para R$ 340, com base no índice IPC-FIPE. Segundo a USP, o programa atende atualmente 17.587 estudantes de graduação e pós-graduação em situação de vulnerabilidade socioeconômica.
A gestão também informou que o orçamento previsto para 2026 destinado a bolsas, auxílios, moradia estudantil, restaurantes universitários, esporte e assistência à saúde estudantil é de R$ 461 milhões.
Tarcísio de Freitas critica greve estudantil
Na terça-feira (5), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), criticou o movimento grevista.
“A greve tem um cunho político, isso está bem claro. Na minha opinião, lamento, mas, na verdade, há perda de oportunidade, porque a gente está falando de uma universidade de ponta, universidades que têm recursos garantidos do estado”, ressaltou.
O governador também afirmou que as universidades possuem autonomia administrativa.
“Tem uma questão de autonomia das universidades, então, a gente não entra na questão de gestão. A universidade tem autonomia para fazer sua própria gestão”.
Ao comentar a paralisação estudantil, Tarcísio declarou ainda: “Não entra na minha cabeça greve de estudantes. Para mim, estudantes têm que estudar.”
Posição da Unesp
Questionada pela reportagem, a universidade disse que não foi procurada oficialmente por representantes do movimento estudantil para a abertura de uma negociação, com exceção dos alunos do Instituto de Artes em São Paulo, que têm uma pauta específica.
Em nota, a Unesp destacou ainda que, em 2025, mais de 7.700 estudantes de graduação receberam algum tipo de auxílio permanência, o equivalente a mais de 20% dos alunos matriculados — número considerado recorde pela universidade.
A instituição também informou que o orçamento destinado às políticas de permanência estudantil neste ano é de R$ 110,7 milhões, também o maior já registrado.
Segundo a universidade, 17 unidades já contam com restaurantes universitários e a expectativa é inaugurar mais um ainda em 2025. A reitoria reconheceu, porém, que o aumento de estudantes vindos da rede pública exige ampliação constante das políticas de apoio e ressaltou preocupação com o financiamento das universidades estaduais paulistas diante do cenário orçamentário atual.
Posição da Unicamp
A reitoria da Unicamp afirmou que mantém diálogo contínuo com as entidades estudantis e direções das unidades do campus de Limeira e de Campinas, reafirmando o compromisso com a busca de soluções consensuais.
“A Administração Central prioriza o aprimoramento das políticas de permanência — incluindo moradia, transporte e auxílios — por entender que o suporte ao estudante é fundamental para a manutenção da excelência e da qualidade do ensino que caracterizam a instituição. Estudos contínuos seguem em pauta para viabilizar melhorias no âmbito das possibilidades orçamentárias. A Reitoria reitera que valoriza o ambiente acadêmico, prezando pela segurança jurídica e pelo desenvolvimento das atividades com o rigor técnico e pedagógico necessários à formação de seus alunos.”









